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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

19 de setembro de 2012 21h00

E se o mundo digital entrasse em colapso?

Curta-metragem questiona o que aconteceria se o mundo digital acabasse e aborda o isolamento provocado pela tecnologia

Por Vinicius Felix

Curta-metragem questiona o que aconteceria se o mundo digital acabasse e aborda o isolamento provocado pela tecnologia

FOTO: REPRODUÇÃO

SÃO PAULO – Um casal tira fotos juntos em frente à Torre Eiffel. O ano é 2020 e Paris está repleta de prédios modernos e de projeções digitais. O rapaz no celular começa a editar, selecionar e compartilhar as fotos em redes sociais, deixando sua namorada de lado. Cansada da situação, ela pega uma máquina Polaroid e tira uma foto do namorado e vai embora. Justamente neste momento todos os equipamentos digitais no mundo  entram em colapso. A única recordação que fica com o namorado é a foto tirada pela ex. Ele perdeu tudo.

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Esse é o resumo do curta-metragem Lost Memories, dirigido e escrito pelo francês Fracois Ferracci. A exemplo do avô, Ferraci gosta de viver perto de suas memórias. “Eu guardo tudo”, afirma em entrevista por e-mail. Ver pessoas utilizando apenas em meios digitais e redes sociais o incomoda.

“É um mundo que pode entrar em colapso. Isso pode acontecer. Já ouvi histórias de pessoas que perderam sua conta no Gmail depois de problemas com servidores do Google. Em um segundo perderam todos os e-mails. É uma confusão”, diz o diretor.

Os questionamentos do que aconteceria em caso de um colapso e a “página em branco” que deixaríamos para as futuras gerações fizeram o roteiro aparecer. Mas esse não é o único problema.

“Acho que a tecnologia pode deixar as pessoas em um tipo de estado autista”, diz Ferracci sobre o outro tópico de seu curta, o isolamento que o celular e as redes sociais provocam em pessoas que estão próximas fisicamente. “O virtual nos dá um falsa sensação de ser social. Ter alguém na sua frente faz uma grande diferença contra a tela do computador ou do celular.”

Mas Ferracci não é apenas pessimista em relação a tecnologia e ele faz questão de lembrar os benefícios. Seu próprio trabalho é fruto dela. Há dez anos mexendo com design gráfico e efeitos visuais, sua vida profissional mudou quando descobriu o  software After Effect e a filmadora mini DV. Ele percebeu que poderia fazer filmes em casa.  ”Passo minha vida com câmeras digitais, computadores. Temos que encontrar um jeito de balancear isso.”

Assista ao curta Lost Memories: