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Sexta-feira, 01 de Agosto de 2014

23 de junho de 2014 21h01

Drones ganham novo uso: fazer selfies

Aeronaves não tripuladas começam a ser usadas para fazer vídeos, fotos e autorretratos por empresas de marketing e pessoas comuns

Por Redação Link

Nick Bilton
The New York Times

Drone Phantom 2 equipado com uma GoPro. FOTO: Divulgação

Se você mostra para as pessoas uma tecnologia nova e interessante, as chances são de que elas irão utilizá-la para tirar fotos delas próprias. É o caso dos drones, máquinas similares a um pequeno helicóptero não tripulado usadas há anos pelo Exército e que lentamente, em formato miniatura, vêm ingressando no mundo do consumo.

Nos últimos anos os drones começaram a encontrar uma função na indústria. São usados para capturar notícias, controle das plantações e para fotografar casas para os agentes imobiliários. E – pelo menos na cabeça de alguns executivos da Amazon – os drones um dia serão entregadores de encomendas.

Mas é difícil para os usuários comuns imaginar de que modo esses veículos não tripulados irão se integrar em suas vidas. Temos uma resposta, e o assunto é sério: entre as primeiras funções de uso dos drones estarão os autorretratos aéreos.

Recentemente, dois drones estrearam no site de financiamento coletivo Kickstarter voltados para pessoas que querem fazer “selfies” com drones – vamos chamá-las de “dronies”.

O drone Hexo Plus é compatível com uma GoPro e é comercializado como “um drone inteligente que o segue e o filma autonomamente”. Um concorrente, o AirDog, é como se fosse um cão ou uma guia, acompanhando e seguindo você a qualquer lugar para onde vai, fazendo um vídeo e fotos suas quando está praticando esportes de ação.

Com base nas vendas, os consumidores parecem ávidos para comprar esse tipo de produto. O Hexo Plus esperava levantar US$ 50 mil no Kickstarter. Em três dias o financiamento superou os US$ 700 mil, 1.300% acima da meta. O AirDog também superou rapidamente a sua meta de US$ 200 mil.

Drone entrega drinques por US$ 20 mil. Crédito: Reprodução/GQ

Esse movimento em torno do “selfie” com drone teve até seu momento “Era de Ouro” quando a festa Marquee Dayclub, do hotel Cosmopolitan em Las Vegas, anunciou um novo serviço de drinques para que o cliente na piscina ao ar livre do hotel tenha sua bebida servida por meio de um drone. E depois ele pode sorrir para a câmera do drone que lhe trouxe a bebida e tirar uma foto. O preço cobrado é de US$ 20 mil.

No Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade, nesta semana, o Twitter exibiu orgulhosamente uma conta patrocinada pela companhia chamada Dronie, que permitia às pessoas presentes ao festival fazerem “selfies” em vídeos por meio de um drone, gratuitamente.

Do ponto de vista fotográfico isso tudo parece uma maravilha. “Ter um drone com uma câmera embutida é como ter um tripé gigante no céu”, diz Amit Gupta, fundador da loja de fotografia online Photojojo.

Turbulência
Mas acredite em mim, a mania do drone não envolve apenas entregar drinques ou fotos aéreas da sua careca. Quando tentei pilotar um drone recentemente foi tão difícil quanto a primeira vez que dirigi um carro. Bati em drones na Baía de San Francisco, em calçadas de concreto, árvores e muros, mas não atingi nenhum transeunte inocente e nem a mim.

Mas às vezes drones colidem com outras pessoas. Em abril um corredor do triatlo australiano foi atingido na cabeça por um drone que estava sendo usado para fotografar o evento. De acordo com o Sydney Morning Herald, a vítima “estava banhada em sangue”. No ano passado um drone caiu sobre uma multidão em Virgínia, ferindo os espectadores; e um outro se chocou contra o público no festival Coachella (o número de pessoas feridas não foi esclarecido). Houve ainda notícias de drones quase colidindo com aviões privados e comerciais.

“Quando ocorre algo errado com um drone, o operador deve ser responsabilizado”, disse Michael Toscano, presidente e diretor executivo da Association for Unmanned Vehicle Systems Internacional, grupo sem fins lucrativos destinado ao desenvolvimento de sistemas não tripulados. Ele sugere que o Departamento americano de Aviação (FFA) exija que as pessoas façam um rápido curso online antes de pilotarem um drone num local público, mais ou menos como no caso de uma licença de pilotos de aeronaves de pequeno porte.

Em 2012, o Congresso pediu para a agência de aviação criar diretrizes que permitam o uso de drones nos céus americanos até setembro de 2015.

No ano passado o senador Edward J. Markey, democrata de Massachusetts alertou a agência no sentido de elaborar normas para o uso dos drones antes de os céus serem invadidos por milhares de mini-helicópteros, afetando a privacidade e segurança dos cidadãos.

/Tradução de Terezinha Martino