Diferente e muito melhor
- 9 de outubro de 2011|
- 20h00|
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Por Redação Link
Os eletrônicos de hoje ainda existiriam sem Steve Jobs, mas qual seria a aparência deles? O mundo teria sido diferente sem a capacidade única que ele tinha de perceber porque os produtos não satisfaziam as pessoas
Por Farhad Manjoo, colunista de tecnologia da Slate
Vazio. Cadeira reservada ficou à espera de Jobs durante evento de lançamento do iPhone 4S. FOTO: Reprodução
Mais do que qualquer outra pessoa, Steve Jobs moldou a tecnologia moderna e também a vida moderna. Recebi a notícia da morte de Steve Jobs num dispositivo inventado por ele – o iPhone – e estou escrevendo numa outra máquina que é fruto da sua vontade criadora, o computador de interface gráfica.
Por acaso, estou usando um PC com Windows. Só o teclado é Apple. Mas nada disso importa. Assim como o smartphone de tela sensível ao toque e o tablet, o PC que usamos todos os dias se tornou onipresente graças principalmente a ele. Permita-me ir além: se você quer um Kindle Fire ou um BlackBerry PlayBook, se joga Angry Birds num iPod Touch ou num Nexus Prime, do Google, se tem Mac ou PC, a verdade é que você sucumbiu ao plano mestre de Steve Jobs.
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Talvez esse elogio pareça amplo demais. Máquinas progridem graças ao trabalho de milhares de programadores, engenheiros, montadores e pesquisadores em centenas de grandes e pequenas empresas no Vale do Silício e em todo o mundo.
Jobs, que nunca recebeu treinamento em engenharia de software ou de hardware, não tinha boa parte do conhecimento técnico necessário para impulsionar a revolução dos computadores. Ele não fez os microchips ficarem mais rápidos, não ampliou a capacidade dos discos rígidos, não reinventou os leitores óticos de mídia de armazenamento, nem os gráficos em formato bitmap, nem os rádios celulares e nem mesmo o mouse.
Se Jobs não estivesse por perto, isto não impediria o surgimento de todos esses avanços – e pessoas como Bill Gates, Andy Grove, Michael Dell e Larry Page teriam transformado essas tecnologias em computadores, telefones e tocadores de música.
Mas se Steve Jobs não existisse, qual teria sido a aparência desses aparelhos? Para compreender como ele mudou a forma de fazer o que fazemos todos os dias, basta observar como indústrias inteiras mudaram depois que Jobs trouxe a Apple para esses mercados. Pense no BlackBerry, no Palm Pilot, no tocador de música Nomad, da Creative, ou no MS-DOS. Todos são úteis, cumpriam a função proposta. Mas não eram fantásticos de se usar. Eram todos desajeitados.
Mais importante: eles representavam o ponto culminante lógico, darwiniano, das principais tendências tecnológicas. O BlackBerry é o resultado óbvio de processadores menores, telas menores e rádios celulares melhores. Se a Research In Motion não o tivesse criado, alguma outra empresa o teria feito.
O iPhone não era uma inevitabilidade. Cada detalhe daquele dispositivo era o produto de um profundo processo de pesquisa e refinamento incomparável. Enquanto cada uma das demais empresas de tecnologia foi moldada pelas forças da evolução tecnológica, possibilitando que seus produtos ficassem melhores conforme os chips se tornavam mais rápidos e baratos, Jobs não tinha paciência para a evolução. O projetista inteligente era ele próprio.
Toque único. O maior dos talentos de Jobs foi sua capacidade de identificar os pontos de doloroso atrito em cada tecnologia que tocava. Ele era capaz de olhar para qualquer coisa e dizer por que motivo ela não satisfazia ao usuário. Essa se tornou a fórmula padrão dele para o lançamento de novos produtos: Jobs começava explicando o que havia de pior na indústria que ele em breve suplantaria.
Smartphones do velho estilo? Eram atrapalhados pelo excesso de botões, que estavam ali quer precisássemos deles ou não e que permaneciam estáticos para cada aplicativo usado, deixando pouco espaço para a tela.
Tocadores portáteis de música? Tinham capacidade para poucas músicas, eram lentos na transferência dos arquivos, não catalogavam as músicas de maneira útil e eram grandes e desajeitados para se levar consigo.
E os tablets anteriores ao iPad? Jobs era capaz de criticá-los durante um dia todo.
Há uma escola hagiográfica (termo que designa o estudo da biografia de santos) de Jobs que sugere ter sido ele o inventor individual das soluções. Mas, embora haja centenas de patentes com o nome dele, Jobs não era o grande responsável pelas ideias dentro da Apple. O papel dele era separar as boas ideias das más ideais que os outros tinham e refinar essas boas ideias até elas virarem produtos.
O caso mais famoso desse seu talento foi o mouse, dispositivo que ele conheceu em 1979 numa viagem à unidade de pesquisas da Xerox em Palo Alto. Jobs percebeu na hora que aquilo poderia redefinir a computação e trabalhou febrilmente na tentativa de transformar aquilo em algo útil. Ele copiou outras partes do Mac de Jef Raskin, lendário especialista em interfaces de computador na Apple que bolou vários dos principais conceitos da computação gráfica. Mas ele não se limitou a imitar as melhores ideias dos outros.
Ele também se inspirou em domínios diferentes, mais distantes. Depois de largar a Universidade Reed aos 17 anos, continuou a passar o tempo no câmpus em busca de algo para fazer. Ele tinha ouvido falar a respeito do robusto programa de caligrafia daquela universidade e, assim, decidiu assistir a algumas daquelas aulas, como contou no discurso que fez em Stanford (leia íntegra aqui).
Ele atribui a essas aulas alguns dos traços mais marcantes do Mac. Neste ponto, é difícil discordar de Jobs. Se ele não tivesse trazido ao Mac os diferentes tipos de fonte com espaçamento proporcional – se o Mac não tivesse existido – é difícil imaginar outra pessoa que o tivesse feito. Microsoft? Dell? Sem chance.
Isso pode parecer um detalhe – que problema haveria se nossas fontes fossem feias? – mas o mesmo raciocínio pode ser aplicado a tudo o mais que Jobs ajudou a difundir, do touchscreen à app store. Nada disso teria chegado ao grande público sem antes passar pela cabeça dele.
Numa era governada pela modularidade medíocre – na qual uma empresa faz o hardware, outra faz o software e outra reúne tudo num produto cheio de anúncios e aplicativos inúteis – Jobs enxergava os aparelhos eletrônicos como a expressão de uma visão artística. Foi essa visão que o definiu. E talvez só seja possível compreendê-lo por meio dos produtos lançados pela empresa dele. As pedras de toque da estética de Jobs são óbvias: elegância e minimalismo.
E ele acreditava na luta contra a inércia. Isso é verdadeiro em se tratando do plano dele para a Apple e dos aparelhos que ele ajudou a criar.
Quando olho meu iPhone, meu iPad, meu MacBook Air, ou o teclado Apple no qual estou digitando agora, posso ver mais da intimidade de Jobs do que jamais poderia ter visto em qualquer outra situação. Esses produtos existem porque ele compreendeu que as máquinas não tinham que ser como eram. Steve Jobs não se limitou a desejar que a tecnologia mudasse. Ele tornou isto realidade e, graças a ele, o mundo é um lugar muito diferente e muito melhor.
/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
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Leia mais:
• Link no papel – Especial Steve Jobs
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09/10/2011 - 22:15 Enviado por: André Souza
Não se pode tirar os méritos de Jobs e que ele conseguiu seus objetivos “Ele tornou isto realidade e, graças a ele, o mundo é um lugar muito diferente e muito melhor.”: Bem questionável!
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09/10/2011 - 22:44 Enviado por: Carlos Alessandro
Steve Jobs é um “Michelangelo” da tecnologia.
O mesmo conseguiu transformar a tecnologia em uma nova arte!
“De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que através de seu espírito e da superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu.” Giorgio Vasari
Adeus meu amigo.
Carlos A.
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09/10/2011 - 22:47 Enviado por: Luis
Desculpe, mas discordo totalmente do artigo. Sem Jobs, as coisas teriam ocorrido mais ou menos da mesma forma. Talvez demorassem um pouco mais, talvez as iniciativas fossem pulverizadas, mas nada muito diferente aconteceria. Não estamos falando de alguém único, como Albert Einstein.
Imaginar que computadores não teriam vários tipos de fonte se Jobs não tivesse pensado nisso é de uma simplicidade bizarra. Veja a Web, por exemplo: ela se reinventou diversas vezes, cresceu e evoluiu praticamente sem a interferência dele. Além disso, dizer que smartphones eram “atrapalhados pelo excesso de botões” é risível. Eu sempre usei os produtos da Palm e já dispunha da mesma tecnologia oferecida por iPhones muito, muito antes deles existirem. E os múltiplos botões agilizam a produtividade de uma maneira indescritível – basta saber usá-los. A vantagem de Jobs foi ter aberto este mercado a um público mais amplo, tornando a tecnologia acessível a um público que, de outra forma, seria estúpido demais para usá-la.
É indubitável que Jobs tenha deixado sua marca no mundo, mas para mim ela está mais presente no modelo de negócio pernicioso que ele criou, forçando os usuários a consumir os seus produtos, sendo um censor (sim, há censura na AppStore) e um impositor, obrigando as pessoas a seguirem o SEU (de Jobs) modelo ao invés de terem a liberdade de criarem os seus próprios. Nesse ponto, o que ele fez foi em favor de si mesmo. Apenas criou um atrativo para as pessoas consumirem os seus produtos – não há nada de revolucionário nisso.
Foi um grande empresário e um ótimo negociador, mas daí a dizer que foi um gênio é exagero demais.
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09/10/2011 - 23:11 Enviado por: Toni Almeida
Se Jobs não tivesse passado por aqui e deixado sua marca, por sinal muito bem redigida no texto de Farhad Manjoo o mundo seria mais ou menos como o futebol sem a passagem do Pelé, o automoblismo sem o Fangio, sem o Senna. Aliás hoje que não temos mais esses gênios nesses esportes, o futebol é medíocre, o automobilismo é ridículo e por aí vai, mas isso é tema para uma outra discussão. O fato é que de tempos em tempos o mundo precisa de gênios que nada mais são do que pessoas imbuídas de uma imensa necessidade de descobrir o verdadeiro significado das coisas, pessoas que não se contentam com o “porque sim”, pessoas cuja curiosidade supera o comodismo das pessoas normais que levantam de manhã e vão “cumprir com suas obrigações”, voltam pela noite para descansar e manter vivo o processo repetitivo e necessário para o mundo “funcionar”, pessoas altamente substituíveis. Os gênios não, estes são insubstituíveis, mostram as coisas por um outro prisma, trazem soluções como trouxe Santos Dumont ao decolar com o mais pesado do que o ar sem ser catapultado como os irmãos Wright. Já pensou, toda vez que você fosse decolar ser arremessado por uma catapulta? Talvez a aviação nem tivesse “decolado”… Essas pessoas parecem enviadas para “desatar aquele nó”, vão além e acabam descobrindo uma explicação muito mais plausível para o “porque sim” ou até mesmo que na verdade o “porque sim” é “porque não”. Se você tivesse tido a oportunidade de ter sido contemporâneo de Galileu Galilei e perguntasse a ele por que o Sol gira em torno da Terra, ele responderia: “porque não”. Haverão de surgir muitos Galileus, muitos Einsteins, muitos Jobs porque é assim que precisa caminhar a humanidade. Nosso muito obrigado àQuele que nos envia todos os gênios, ao gênios por não O terem decepcionado e, em especial ao Steve Jobs que tornou nossa vida mais fácil e mais divertida de ser vivida. De Ribeirão Preto, Toni Almeida.
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09/10/2011 - 23:33 Enviado por: Edson E Jesus
De todos ps textos que li depois da morte de Jobs esse foi mais interessante onde mostra, nao o gênio criador e incentivo, comparado a Edison, que eu acho uma heresia, mas um homem de visão, líder, que sabia que o cosumidor pagaria, mais, mas por algo que fosse inovador, eficiente, elegante e principalmente funcional.
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Esses dias li e assiti reportagens onde se dizia que por causa dos iPod, iPad e iPhone touch screen essas telas estavam sendo adotadas em supermercados, bancos, nada mais absurdo, pois essa tecnologia existe desde os anos 80, pelo menos aqui no Brasil. -
10/10/2011 - 06:09 Enviado por: brazukaloko
Seria um mundo sem desigualdade, pelo memso na asia onde a empresa desse sujeito usa mão de obra escrava.Antes de responderem, pesquisem na net.
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