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Com vendas pífias, editoras hesitam

Por Redação Link

Por Raquel Cozer*

É que nem festa de chefe, definiu certa vez um editor ao falar da entrada de sua empresa no mercado digital: você não morre de vontade de ir, mas também não pode faltar. Foi com essa sensação que as editoras nacionais deram, em 2009, os primeiros passos rumo ao eletrônico. De repente, todo mundo era novato. Ninguém sabia formatar um e-book, então os arquivos tinham de ser enviados para reformatação na Ásia, de onde voltavam sem acentos e sem pedaços do texto. Direitos autorais eram outros 500. Lançar velhas obras no novo formato? Só refazendo todos os contratos com os autores.

De lá para cá, parte razoável das editoras ganhou know-how, mas a comercialização de e-books segue pífia. Até o mês passado, por exemplo, a Sextante tinha vendido 100 mil cópias impressas de O Aleph, de Paulo Coelho, ante cerca de 100 digitais. Sem retorno, as casas hesitam em investir. Para se ter noção, na Livraria Saraiva estão à venda 2.500 e-books nacionais, ante 204 mil importados. A Companhia das Letras, que tem 20 títulos eletrônicos (de um catálogo de 5 mil obras), só apostou na área ao fechar acordo com a Penguin americana, pelo qual livros em parceria teriam de sair nos dois formatos. Um dos resultados dessa parceria, O Amante de Lady Chatterley, é o 10º e-book mais comprado na Cultura – que, como a Saraiva, não dá números dessas vendas (o motivo você pode imaginar). Quase todo o resto da lista é de desanimar o leitor mais voraz: Como Lidar com Pessoas Difíceis, O Monge e o Executivo e por aí vai. Como acontece com os livros em papel, autoajuda e acadêmicos estão entre os mais procurados no País. E empresários, afinal, investem mesmo é no que vende.

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* É repórter e colunista do Sabático e assina o blog A biblioteca de Raquel no Estadão.com

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10 Comentários
  • 28/03/2011 - 12:36
    Enviado por: Marconi Brasil

    Bom, só de olhar o quadro dá para saber que as livrarias brasileiras, de fato, não estão nem aí para o formato digital. Deem uma olhada nas plataformas. Se por um lado os leitores brasileiros ainda não se sentem a vontade com essa coisa de precisar de um aparelhinho que dependa de energia elétrica para ler, por outro as livrarias também não facilitam. Abs. fr.

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  • 28/03/2011 - 13:14
    Enviado por: Nilo

    Pois é.
    Esse infelizes não aprendem que para vender livros tem de colocar livros à venda.
    Se colocassem os lançamentos editoriais em forma de e-book, venderiam bem.

    Mas a grande preocupação deles é ficar inventando sisteminhas de proteção contra cópias, achando que os clientes são ladrões em potencial. Daí não dá certo.

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  • 28/03/2011 - 13:49
    Enviado por: João Márcio H. da Silva

    Os principais motivos dessas baixas vendas são os seguintes:

    1- Alto preço dos e-reader. Pagar R$ 700,00 por um aparelho mal acabado da Positivo é dureza.

    2 – Pouca oferta de títulos. Está ligado ao motivo anterior. Por que pagar uma grana por um e-reader se não tem títulos disponíveis?

    3 – Um livro comum posso emprestar para quem eu quiser quantas vezes eu quiser. Como fazer isso com um e-book, QUE LIMITA O NÚMERO DE CÓPIAS, sem ter que emprestar o aparelho junto?

    Tudo isso, aposto, que é de fácil solução. Mas depende muito mais dos empresários do que dos leitores.

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  • 28/03/2011 - 14:58
    Enviado por: Raul Cruz Lima

    Aqui na terrinha, enquanto isso, no segundo semestre de 2010 as grande livrarias enfim entraram no negócio dos livros digitais. Puxadas pela Cultura e pela Saraiva, fizeram uma grande festa: o eBook chegou. Coisa que a Amazon já faz há muito tempo.

    E que é uma boa. Principalmente quando a gente viaja e leva uns 5 quilos de livros para passear– não sei viajar sem levar uns 3 livros que acabo não lendo e que viajam o mundo na minha mala. (Tinha um campeão de milhagens, Obras Completas do Drumond, em papel tipo bíblia, que fez várias viagens, até que perdi em algum aeroporto. O Drumond deve continuar viajando o mundo na mala de outra pessoa.)

    Bem, já que o leitor de livros digitais mais vendido no mundo é o Kindle (da Amazon) e o novo sucesso de vendas é o iPad, seria de supor que as livrarias brasileiras formatassem os livros para eles. Mas não é bem assim. Temos eBooks para todos os leitores digitais (aí listam Sony, Positivo que nem tinha sido lançado, e outros que nunca ouvi falar) menos para iPad e Kindle. Não entendeu? Acho que eles só querem dizer que têm eBooks, não querem mesmo vender para valer. Quantos brasileiros espalhados pelo mundo têm Kindle ou iPad e comprariam um livro da Cultura ou da Saraiva no bom e velho português?”
    Esse é o problema. Se a Sextante só vendeu 100 ebooks do Paulo Coelho, pergunta para a Amazon (com quem ele também fechou contrato, porque não é bobo) quantos ebooks dele ela vendeu?
    A Editoras brasileiras têm que entender que o negócio de livros digitais agora é internacional, tem brasileiros espalhados por todo o mundo que podem ser clientes. Com seus kindles e iPads na mão.
    Mas não acho que eles estão a fim de desenvolver este negócio. Estão aí só para dizer que têm livros digitais, que estão em dia com a tecnologia, estão na moda.
    Enquanto isso até a Presidenta Dilma se declara leitora de iPad e que compra livros na Amazon.

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    • 28/03/2011 - 15:57
      Enviado por: Raul Cruz Lima

      Oi, editoria. Porque vocês editaram meu comentário? Eu dizia que escrevi parte disso acima no começo de janeiro. Sem o pedaço que tiraram, ficou uma coisa velha, datada. Foi só para tirar o endereço do blog que estava no texto? Que coisa pequena. Acho que vocês deviam repensar o que é participação dos leitores num jornal digital. Como as pessoas podem ajudar a tornar o veículo mais dinâmico e ágil.

  • 28/03/2011 - 15:01
    Enviado por: Antonio Ramos

    O livro de papel é muito superior e nunca será superado.

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  • 28/03/2011 - 16:44
    Enviado por: Mauricio Feler Mateus

    Com certeza as editoras estão dando um tiro no pé no negócio de e-books. É a velha estória de oportunismo e querer ganhar dinheiro ‘fácil’. Sugestão para os chineses: além de e-readers baratos que vocês (chineses) fabricam e vendem (na faixa de US$ 85,00 para entregar no Brasil), comecem a produzir e-books para vender através de sites.

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  • 28/03/2011 - 18:31
    Enviado por: Bruno Falcão

    Chega a ser ridicula a forma como as editoras/livrarias daqui do Brasil estão dando atenção ao mercado digital, além da já citada escassez de títulos, os preço estão muito altos. Um livro de 50 reais na versão impressa, sai por no minimo 40 na versão digital. Qual a lógica? A única lógica que vejo é de “vamos superfaturar enquanto é novidade e é ‘chique’ ter kindles e ipads”.

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    • 28/03/2011 - 20:45
      Enviado por: Leitor2

      O empresário daqui possui cérebro pequeno e mão grande. Aliás uma segunda mão grande participa da festa; Carga tributária.

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