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iPad 2 mantém vantagem no preço

Por Agências

FOTOS: Jeff Chiu/AP

Trazendo várias melhorias em relação à primeira versão mas mantendo o mesmo preço, o novo modelo do iPad, que chega às lojas da Apple nos Estados Unidos nesta sexta feira, 11, frustra os esforços da concorrência no sentido de tentar romper o domínio da Apple sobre o mercado emergente dos computadores tablet.

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Concorrentes como a Motorola parecem incapazes de oferecer produtos com o mesmo preço inicial do iPad nos EUA — US$ 499. Os tablets que apresentam recursos semelhantes aos do iPad custam centenas de dólares a mais, enquanto os modelos mais baratos são de qualidade inferior à do produto da Apple, cujo segundo modelo começa a ser vendido pela loja da Apple online a partir da madrugada e a partir das 17 horas (horário local nos Estados Unidos) nas lojas físicas.

Em geral, os primeiros modelos de um novo tipo de produto lançados no mercado costumam ser caros, como os primeiros reprodutores de discos Blu-Ray e as câmeras digitais. É a concorrência que faz com que os preços recuem com o passar do tempo. Com o iPad parece estar ocorrendo um processo inverso, sinalizando problemas para a concorrência.

É raro que os produtos comecem com um preço baixo e se mantenham neste patamar, mas esta aparenta ser exatamente a intenção da Apple. A empresa parece ter optado desde o início por uma estratégia de obter menos lucro com a venda dos iPads em relação às vendas de iPhones e iPods. Trata-se de uma decisão estranha para uma empresa que não é conhecida pelo preço barato de seus produtos.

Menos retorno para os acionistas. A margem de lucro da Apple sobre as vendas do modelo mais simples de iPad, que custa US$ 499, é de aproximadamente 25%, de acordo com estimativa de Toni Sacconaghi, da Bernstein Research. Em comparação, a margem de lucro da empresa sobre as vendas de todos os seus produtos foi de 38,5% no último trimestre, antes de serem descontados os custos operacionais. Sacconaghi e outros analistas estimam que a margem de lucro sobre o preço do iPhone 4 seja de 50% a 60%. (A Apple vende os celulares por aproximadamente US$ 600, apesar de as operadoras oferecerem o aparelho por um preço mais baixo dentro dos planos subsidiados.)

O que mudou:
• 33% mais fino (8,8 mm) e 15% mais leve (603 gramas).
• Novo processador A5 1GHz dual core, mais rápido
• Duas câmeras. Uma frontal (VGA), com videochamada, e outra traseira. Zoom digital de 5x.
• Filma em HD (720p) e 30 fps.
• Novo modelo na cor branca.
• Inclui a nova versão do iOS, a 4.3.
• Capa funciona como suporte.
• Saída para HDMI.
• Giroscópio (sensor de movimento no próprio eixo).
• Preço do modelo antigo cai para R$ 1,4 mil no Brasil.
O que não mudou:
• Mesma tela LCD de 9,7 polegadas com iluminação LED.
• Não usa a tecnologia Retina Display do iPhone 4.
• O tamanho da memória interna.
• O preço. A partir de US$ 499 nos EUA, pela versão 16GB.
Quando chega:
• A partir desta sexta-feira (11/3) nos EUA e a partir de 25/3 na Europa, Canadá, México, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Ainda sem previsão para o Brasil.

A Apple está dizendo aos investidores que esperem margens de lucro cada vez menores, o que significa que a concorrência não deve contar com uma trégua. Há computadores tablet mais baratos do que o iPad, mas eles apresentam desempenho inferior — lentidão generalizada, telas de resolução pior e menos sensíveis ao toque, além de uma seleção de aplicativos menos interessante. A Archos oferece um tablet de dimensões comparáveis às do iPad por US$ 370. Resenhas publicadas no site CNET e na Laptop Magazine dizem que a tela dele perde contraste a não ser que o usuário esteja bem diante do aparelho, que também apresenta problemas na captação dos toques.

Um tablet capaz de se equiparar ao iPad 2 em recursos e qualidade custa muito mais do que o aparelho da Apple. O Xoom, da Motorola, é vendido por US$ 800, ou por US$ 600 se o consumidor aceitar um contrato de dois anos com a Verizon Wireless, por exemplo. Um iPad 2 com a mesma quantidade de memória — 32GB — e compatível com a rede celular da AT&T ou da Verizon é vendido por US$ 729, desvinculado de contratos com operadoras.

O Galaxy Tab, da Samsung, tem metade do tamanho do iPad, mas custa US$ 500. E tal preço só se aplica se o usuário pagar uma taxa de ativação e contratar uma assinatura do serviço de dados da Verizon por um período mínimo de um mês, a um custo de pelo menos US$ 55. O tablet pode ser adquirido por US$ 300, mas isto exige um contrato de dois anos com um serviço de dados, o que corresponde a centenas de dólares em cobranças variadas.

Mercado em crescimento. Cerca de 100 modelos de tablets foram lançados ou estão chegando ao mercado. A Gartner estima que 65 milhões de tablets serão vendidos em todo o mundo este ano, e analistas acreditam que a maioria dos aparelhos será composta por iPads. A Apple comercializou 15 milhões de unidades do iPad original nos nove meses transcorridos desde o seu lançamento.

Os analistas dizem que a Apple conta com algumas vantagens que permitem à empresa obter lucro vendendo seu tablet a um preço que para outra fabricante seria de custo, podendo até representar um prejuízo.

Um terço dos iPads vendidos são comercializados por meio do site e das lojas da Apple. Ao eliminar o intermediário, a empresa consegue conservar uma fatia maior desta margem de lucro reduzida. Além disso, o iPad usa muitos dos chips que estão presentes também no iPhone e no iPod. Isto significa que a Apple pode comprar tais peças por atacado, reduzindo seu custo. Wayne Lam, da firma de pesquisas IHS iSuppli, estima que a Apple compre sozinha de 20% a 25% dos chips de memória flash fabricados em todo o mundo, usados em celulares, iPods, cartões de memória e no iPad.

Lam especula também que a Apple esteja usando seu poder de influência e seus recursos financeiros para garantir o suprimento de outro componente fundamental: as telas sensíveis ao toque, responsáveis por uma considerável parcela do custo do tablet. Em janeiro a Apple disse ter gasto US$ 3,9 bilhões em contratos de longo prazo para garantir pelos próximos dois anos o fornecimento de um “componente de importância estratégica” não especificado. Se a Apple estiver de fato açambarcando uma parte significativa da capacidade de produção, os concorrentes podem enfrentar dificuldades para obter telas a um preço razoável.

A Apple não respondeu imediatamente a uma mensagem pedindo à empresa que comentasse esta informação e os aspectos gerais de sua estratégia de preços. A Motorola foi outra que não se manifestou.

Mesmo com chuva, consumidores já faziam fila na loja da Apple em Nova York nesta quinta-feira. FOTO: Lucas Jackson/REUTERS

A Apple também projeta seus próprios chips de processamento para o iPad e o iPhone, com base em dados técnicos licenciados pela ARM. Para fabricar o Xoom, a Motorola compra o principal chip de processamento da Nvidia, o que significa mais um participante para dividir o lucro.

Android é um dos problemas. Outro fator importante é o software que roda no tablet. De acordo com Lam, o Xoom e outros rivais costumam usar o sistema Android, do Google, que exige mais memória para funcionar, o que leva a um aumento no seu preço. O sistema operacional do iPad não é tão ambicioso em se tratando do funcionamento multitarefa — a capacidade de rodar mais de um programa simultaneamente — , e por isso não exige tanta memória para funcionar satisfatoriamente.

Em resumo, a opção pelo Android obriga os concorrentes do iPad a produzir máquinas mais caras, disse Lam. Eles podem conseguir uma redução no preço dos componentes se trabalharem com o Google no sentido de otimizar o funcionamento do sistema operacional, mas é difícil atender às necessidades de toda uma gama de empresas, fabricantes e aparelhos. Por controlar seu próprio software, a Apple está melhor posicionada para adaptá-lo às suas necessidades individuais.

Para a concorrência, tudo isto representa um cálculo bastante desanimador.

/ PETER SVENSSON (ASSOCIATED PRESS)

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5 Comentários
  • 10/03/2011 - 19:24
    Enviado por: Luiz

    A Apple é uma empresa inteligente, com pessoas inteligentes e produtos inteligentes. Tem muito a vir desta empresa, ainda.

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    • 11/03/2011 - 10:08
      Enviado por: DanielDay

      Vai durmir

  • 11/03/2011 - 01:59
    Enviado por: Michael

    adorei a foto do início da matéria, uma mão mirrada tentando segurar um ipad gigante. para a concorrência de fato o ipad é um peso-pesado.

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  • 11/03/2011 - 06:49
    Enviado por: Tarso Rodrigues

    Particularmente, ainda acho que a Apple é uma empresa inteligente, com pessoas inteligentes, produtos inteligentes e consumidores não tão inteligentes…

    denunciar abuso
  • 11/03/2011 - 11:25
    Enviado por: Raul Cruz Lima

    Não se esqueçam de que o iPad é movido a Apps. E a Apple ganha 30% de tudo que é vendido na Apple Store. Tudo baratinho mas para muita gente. Quanto ela ganha aqui? Lembrem-se da estratégia da Kodak, que vendia câmeras baratas porque seu negócio era vender filmes. Ou da Gillette, que vende as lâminas. Acredito que a grande sacada deles é juntar os dois negócios -a venda dos aparelhos e depois a venda dos Apps. Ninguém mais faz isso. Quem vende os Apps para o sistema Android é a Google, e não os fabricantes de aparelhos. Não é uma grande vantagem?
    http://raulcruzlima.blogspot.com/

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