Câmera e ação
- 19 de junho de 2011|
- 19h00|
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Por Tatiana de Mello Dias
▪▪▪ Discutindo adolescência, internet e copyright, curta brasileiro surgido na faculdade levanta questões que vão bem além da sala de aula
SÃO PAULO – “Se fazer download na internet é um crime, temos uma geração de criminosos”. Esse foi o insight do cineasta Julio Secchin, 23 anos, ao ler Remix, bíblia do cultura livre escrita pelo advogado norte-americano Lawrence Lessig, o criador das licenças Creative Commons.
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Secchin estava terminando a faculdade de cinema e começou a pensar no tema como ficção. Foi quando surgiu a ideia de Copyright Cops (a polícia do copyright), recém-lançado curta open source que mistura Tropa de Elite, adolescentes, downloads ilegais e ervilhas. Ervilhas?

“Acho que a forma com que nós vamos lidar com as escolhas relacionadas à liberdade e ao cerceamento empregados na internet vai ser decisivo para o futuro. Queria levantar essa questão através de um produto de entretenimento, sem parecer uma cartilha política sem graça”, diz Secchin. O curta de seis minutos começa com a música “Genesis”, do grupo francês Justice, um eletrônico nervoso que serve de trilha para a edição rápida e as cenas de explosões que levam ao extremo uma briga que já dura mais de uma década: indústria contra jovens que baixam conteúdo protegido por direitos autorais.
O filme abusa de cenas de ação e cortes rápidos para representar a relação de um adolescente hoje com a web. A a pirataria é representada pelo extremo: e se a polícia invadisse a casa de quem baixa conteúdo ilegalmente na web? “Desenvolvi essa história que assume a perspectiva de um adolescente em formação que mistura na sua cabeça o medo de ser pego pelos Copyright Cops, o equivalente do Bope para downloads ilegais, com uma garota com quem ele está a fim de sair, mas não consegue chamar pela internet, com um zilhão de informações que chegam para ele por segundo. Como é crescer nesse ambiente?”, pergunta o diretor.
O curta foi parar no blog Boing Boing, referência internacional em tecnologia e cultura. Julio Secchin enviou o link na cara dura e mereceu o post – e seu curta classificado como “refinado”. “É desarticulado, mas muito bonito”, escreveu Cory Doctorow, editor do site.
Nada mau para um trabalho de faculdade. O filme passa longe de ser um filme universitário convencional, ainda que tenha sido o TCC de Secchin na PUC-Rio – ele é parte da nova geração de cineastas cariocas e foi diretor de fotografia, editor e produtor do elogiado Apenas o Fim.
Dentro desse contexto, Copyright Cops é uma superprodução que conta com carros explodindo e portas arrombadas por André Ramiro, o ator que interpretou o capitão Mathias no filme Tropa de Elite. “Eu sempre tive uma obsessão técnica, e sabia que só daria certo se a gente convencesse que as coisas estavam sendo destruídas mesmo”. O filme teve até uma equipe só para cuidar dos efeitos especiais.
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Remix. Esse trabalho todo vai além dos seis minutos do curta. Copyright Cops não se autoproclama um “filme open source” em vão: o material bruto está disponível para download e a ideia é que outros cineastas e criadores aproveitem aquilo em outras obras. Tudo é licenciado em Creative Commons. Já fizeram pelo menos quatro novas versões, conta o diretor, incluindo uma nova edição com um “clima diferente” e uma versão funk do filme. “Não é um filme qualquer sobre Copyright Cops e coisas sendo destruídas, é um filme em que você pode pegar tudo que a gente filmou e fazer o que quiser com isso”.
Para o cineasta, saber usar o poder da internet a favor é o que pode ajudar a definir a trajetória de quem, como ele, está entrando no mercado agora. É por isso que ele resolveu abordar o tema copyright não só no roteiro de seu filme, mas na forma inovadora de distribuição. “É preciso que os produtores de conteúdo vejam nessa economia do ‘grátis’ uma oportunidade para lucrar indiretamente, saindo da lógica de custo de acesso. O acesso deve ser disponiblizado pelo produtor, senão alguém vai fazê-lo”, diz Secchin. Por isso, para ele, ter Copyright Cops sendo repostado no YouTube por outras pessoas é lucro. “Somos uma geração que está entrando no mercado e precisa ter uma estratégia para ser notada no meio da multidão. É preciso que as pessoas utilizem o potencial da web para nadar a favor da corrente, enxergando outras formas de receita.”
E essa é a geração de produtores de conteúdo responsável por mudar esse modelo? Nem tanto. Júlio Secchin acha que eles são corresponsáveis pelas mudanças, junto com as mudanças tecnológicas. “A distribuição sempre vai ser em função da tecnologia”, teoriza. “Nossa geração é responsável em fazer bom uso disso, fazendo boas escolhas que favoreçam a mercado, a criatividade e a democratização do acesso à cultura”.
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• Link no papel – 20/06/2011
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