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Caça às ‘baleias’

Por Carla Peralva

Tudo em turco. As mensagens, a timeline, os seus tweets, os retweets. Era como se fosse a conta de outra pessoa, inclusive com outros seguidores. Mas com sua foto, o plano de fundo e o esquema de cor que você escolheu. Esquisito, no mínimo. Mas foi assim que estava o Twitter de Deborah Diniz, estudante de 14 anos, quando ela fez login no serviço na tarde de quarta-feira, 6.

O perfil do analista de sistemas Thiago Paiva, 24 anos, apresentou o mesmo problema durou alguns minutos, mas tudo se resolveu depois de algumas atualizações no navegador. “Não foi o fim do mundo, mas foi bem estranho observar posts sem relação nenhuma comigo, principalmente de idioma”, diz.

Tanto Deborah quanto Thiago enfrentaram outra falha do site no mesmo dia: o retorno da versão do Twitter, que, naquele dia, implantava sua nova homepage e permaneceu instável por pelo menos 48 horas. “Durou pouco tempo, mas me irritou bastante”, conta a estudante.
Todo mundo já passou pelo tédio e pânico típicos de quando o site sai do ar. E já é comum notar que, quando ocorre uma falha maior, o site se torna um muro das lamentações autorreferente.

O Twitter, que completou cinco anos em março, cresce com um ritmo impressionante. Se foram necessários três anos, dois meses e um dia para que o bilionésimo tweet fosse enviado, agora, um bilhão de mensagens são enviadas em apenas uma semana. De um ano para cá, a quantidade de mensagens enviadas por dia triplicou – de 50 para 150 milhões.

Mas a infraestrutura do site aguenta este crescimento todo? Em julho do ano passado, o Twitter anunciou um plano para “evitar baleias”, ícone que o site exibe quando está fora do ar. Um prédio começou a ser construído em Utah apenas para abrigar seus servidores.
A iniciativa, no entanto, “baleiou”. Segundo fontes da Reuters, a instalação apresentou desde goteiras até fornecimento insuficiente de energia. O plano B foi revelado neste mês também pela agência de notícias: levar as máquinas que garantem o funcionamento do serviço para um prédio em Sacramento (Califórnia).

Questionado sobre problemas na manutenção do serviço, o vice-presidente de engenharia do Twitter, Michael Abbott, disse que a empresa investiu mais na melhoria de sua infraestrutura nos últimos seis meses do que fez nos últimos quatro anos e meio.

Mas as falhas e a instabilidade seguem frequentes e incomodam muitos usuários. Patrícia Rocha, gerente de comunicação, conta que usa a rede social profissionalmente e que as pequenas falhas acabam atrapalhando. “O Twitter anda muito difícil para mim, recusando postagens, além de outros bugs. Espero que isso possa ser sanado logo”, diz.

O brasileiro Jonny Ken, desenvolvedor e criador do Migre.me, explica que a primeira coisa a ser tirada do ar quando o Twitter está com algum problema em seus serviços é o site. A API (código de desenvolvimento que permite que aplicativos enviem e recebam mensagens) é o segundo nível a sair do ar. Por fim, o streaming (fluxo de dados que abastece serviços como o Migre.me e o TweetDeck) é abalado.

Essa lógica é seguida para que o ecossistema construído ao redor do Twitter não entre em colapso e apenas parte dos usuários enfrentem instabilidade.


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Mas e se o problema não for uma atualização ou problema interno e, sim, excesso de fluxo de dados? Aí não tem muito jeito, é esperar o congestionamento passar. O Twitter nem sempre consegue prever seus picos de audiência – como foi o caso do terremoto do Japão no mês passado, que gerou picos de publicação e deixou o sistema de busca quase duas vezes mais lento – daí a importância de investir em servidores que suportem um uso acima da média diária.

E adianta xingar muito no Twitter? Não muito. Os termos de uso – que você assinou se possui uma conta – dizem que os serviços podem mudar de forma e de natureza a qualquer momento sem que o usuários seja informado e podem sair do ar temporária ou permanentemente sem que eles consigam avisar aos usuários com antecedência.

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Link no papel – 11/04/2011

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