Zynga: rumo à independência
- 16 de outubro de 2011|
- 18h08|
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Por Filipe Serrano
Empresa faz seu primeiro grande evento e tenta ficar independente do Facebook
O que surgiu como uma pequena produtora de joguinhos para o Facebook virou candidata a próxima estrela do Vale do Silício. Fundada em São Francisco há menos de cinco anos pelo empreendedor de Chicago Mark Pincus, 45 anos, a Zynga desenvolveu um modelo de negócio baseado em plataformas sociais e agora tenta traçar uma via independente, menos presa ao Facebook, no momento em que se prepara para negociar ações na bolsa.
As vendas de sementes, casinhas e outros objetos virtuais ajudaram a Zynga a obter uma receita de US$ 235 milhões nos primeiros três meses deste ano, mais do que o dobro do mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com os dados informados no pedido de abertura de capital à Comissão de Comércio e Valores Mobiliários dos EUA em julho. Em 2010, foram US$ 598 milhões, 391% a mais do que em 2009, e lucro de US$ 90 milhões.
Parte dessa receita vai para o Facebook. A rede social tem um sistema de pagamentos para aplicativos que rodam ali dentro chamado Facebook Credits. Por ele, a rede social recebe 30% das vendas realizadas nos apps de desenvolvedores como a Zynga.
A Zynga não está sozinha em busca de moedas reais – ela diz vender mais de 38 mil produtos virtuais por segundo. A brasileira Vostu virou uma das principais produtoras de games sociais para Orkut e outras redes menos de dois anos depois de criar seu primeiro jogo social. As duas, inclusive, brigam na Justiça norte-americana e brasileira, uma acusando a outra de cópia de ideia.
A Electronic Arts – tradicional produtora de games como Fifa, Need for Speed e Medal of Honor – lançou em agosto uma edição social, no Facebook, de uma de suas franquias de mais sucesso, o The Sims. Com um mês, o jogo já é o segundo mais popular da rede social de acordo com a empresa de análise AppData e tem mais de 66 milhões de usuários, superando hits da Zynga como FarmVille. O mais jogado de todos continua a ser um jogo da produtora californiana, o CityVille, que já passou dos 76 milhões. Ao todo, os games da Zynga são jogados por mais de 263 milhões de pessoas.
A Zynga diz que não está acuada por concorrentes experientes e afirma apostar no seu crescimento, com o objetivo de “conectar pessoas por meio de games”.
A produtora organizou seu primeiro grande evento de lançamento de produtos na semana passada em um prédio de uma zona industrial de São Francisco onde foi inaugurada, há pouco, sua nova sede. Lá trabalham cerca de 1.700 dos mais de 2 mil funcionários da empresa. O palco foi montado na entrada do prédio de seis andares, um antigo centro comercial com fachada de tijolos que, por dentro, tem tubulações à mostra. O cimento predomina nas paredes e pilares, um misto de Sesc Pompeia com Teatro Oficina, em São Paulo.
Pincus, o outro Mark do Vale do Silício, encarnou o personagem CEO-estrela e foi aplaudido diversas vezes pelos funcionários que acompanhavam a apresentação de jogos (leia mais na pág. 2) e da plataforma própria da Zynga. “Vamos mostrar hoje o começo do Zynga Direct”, disse Pincus, que discursou por quase 14 minutos antes de chamar outros colegas ao palco. Com fala pausada e parecendo nervoso em alguns momentos, explicou que a Zynga está trabalhando há dois anos no projeto que busca criar “uma plataforma para que jogadores se relacionem diretamente, seja pelo computador ou por aparelhos móveis, criando uma sociabilidade ao redor dos jogos e não dentro dos jogos”.
Pincus chamou o lançamento de “o começo” da iniciativa, e um dos pedaços é a rede batizada de Project Z, site social da Zynga em que os usuários poderão criar seus perfis conectando suas contas do Facebook e jogar os games da empresa sem passar pela rede social de Mark Zuckerberg.
“É o começo do que vai virar uma plataforma para muitos lançamentos”, disse Pincus, que não respondeu a perguntas nem deu entrevistas depois da apresentação. Pouco foi dito sobre o Project Z além de que os usuários já podem criar suas contas e escolher os nomes dos seus perfis.
John Schappert, diretor de operações, evitou falar que a Zynga está se tentando se distanciar do Facebook e chamou o Project Z de “um ambiente social, exclusivo para games, para jogar com os amigos do Facebook”, disse. “Você pode começar um jogo no Facebook e continuá-lo no Project Z ou vice-versa”.
Além do Project Z, a Zynga apresentou mais jogos para celulares e tablets, além do Mafia Wars 2, que terá versão para o Google+. Apesar de a empresa ter um acordo de exclusividade com o Facebook sobre alguns jogos, o futuro parece estar além dos parceiros.
No fim da apresentação Pincus disse estar comprometido com uma missão “desde que fundou a Zynga”: “ser a maior empresa de games sociais”. “Acreditamos nos games sociais. E acreditamos que essa é a forma que todas as pessoas do mundo vão adotar os games em suas vidas”.
Filipe Serrano viajou a convite da Zynga
—-
Leia mais:
• Link no papel – 17/10/2011
• Para ofuscar erros do começo, Zynga tenta vender uma nova imagem de empresa inovadora
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