App, em si, não vicia
- 24 de abril de 2011|
- 20h00|
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Por Carla Peralva
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James Kendrick, americano, que escreve sobre tecnologia há mais de 20 anos e hoje colabora com o site ZDNet, confessa uma mania: baixar aplicativos para seu iPad. “São ao menos cinco por semana. Não importa se serão úteis, pagos ou se fazem a mesma coisa que outro já faz.”
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Os motivos? Ele diz serem dois. Um: há muito os apps deixaram de ser só um jeito de acessar serviços por um aparelho móvel. “Sinto que estou melhorando meu aparelho, ele ganha uma nova função”. Dois: o prático sistema de compras a preços acessíveis. “É um modelo de sucesso. Você paga tão pouco que não vai deixar de comprar o que quer”.
Mas baixar tantos aplicativos assim é uma compulsão? Kendick admite que sim. E é um problema? “Acredito que não.” Para ele, a sedução causada pelos apps não deve causar “problemas mais sérios”, pois não afeta sua vida. E essa é bem a medida.
Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do grupo de dependência de internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, diz que, de forma bem genérica, a regra para saber se o uso de serviços online está passando dos limites é se a vida virtual está competindo com (e atrapalhando) a real.
O vício em internet, apesar de ainda não ser considerado oficialmente um diagnóstico médico pela Organização Mundial de Saúde, já é tratado como um transtorno de controle de impulsos, a mesma categoria de problemas como o jogo patológico.
No caso de um transtorno confirmado, uma maior exposição ao estímulo viciante pode agravar o quadro. Segundo ele, os apps podem funcionar como uma “cola social”, que permitem que as pessoas se comuniquem virtualmente em tempo integral, proporcionando uma sensação de pertencimento de grupo.
Kimberly Young, fundadora e responsável pelo Centro de Recuperação de Dependência de Internet na Pensilvânia (EUA), diz crer que apps por si só não causam dependência. “Eles servem a um propósito, ajudam em tarefas práticas.” Para ela, o problema está mais ligado ao conteúdo ou à atividade – um jogo, por exemplo – do que ao app em si.
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