Android brasileiro
- 21 de novembro de 2010|
- 19h30|
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Por Murilo Roncolato
Há um brasileiro à frente do desenvolvimento de aplicativos e serviços da plataforma Android, o sistema operacional do Google para smartphones. Hugo Barra, 34 anos, nasceu em Belo Horizonte (MG) apenas três anos depois da criação do primeiro telefone realmente móvel pela Motorola, o Dynatac 8000X, nos EUA. Ele atualmente é diretor de produtos móveis no Google e, a partir da sua experiência na área, acredita que 2011 será o “ano da virada para smartphones” e conexão móvel não só nos países mais ricos, mas também aqui, no Brasil.
Do Brasil, Hugo Barra ainda jovem voou para Boston, a capital de Massachusetts, na costa leste dos EUA, para fazer graduação e pós em computação no MIT, um dos institutos de tecnologia mais importantes do mundo. Lá, reuniu alguns amigos e, juntos, abriram uma empresa “bem fundo de garagem”, a Lobby7, que desenvolvia tecnologias de reconhecimento de voz humana por máquinas.
Passado um tempo de trabalho, uma das maiores empresas do setor, a Nuance Communications, comprou a empresa dos rapazes. Barra virou diretor de produtos, cresceu e assumiu a cadeira de diretor da empresa. Na Nuance foi um dos responsáveis pela produção do primeiro celular com o sistema operacional Android e motor de reconhecimento de voz.
Em 2009, o brasileiro Mário Queiroz, que na época era o responsável pelos produtos no Google, sabendo do trabalho de Barra o convidou para fazer parte da equipe no escritório de Londres – o maior do Google. Tempos depois, Queiroz deixou o setor para se dedicar à Google TV, e seu amigo mineiro assumiu a sua cadeira, passando a ser também o responsável pelos projetos relacionados ao Android (e seus 500 engenheiros que trabalham dedicados à plataforma), aplicativos e todos os produtos do Google adaptados para a plataforma móvel (Google Mobile, YouTube, Gmail).
Nesse período, o brasileiro participou de dezenas de projetos. Em um deles, o Google Buzz, inclusive gerou acusações de invasão de privacidade pelos usuários, por tornava exposta a lista de contatos com os quais o usuário havia se relacionado recentemente. Barra trabalhou em um mecanismo de geolocalização que exibia em tempo real no Buzz o endereço usuário, mas rebateu a ideia de violação de privacidade dizendo que só dependeria do usuário, aceitar ou não o serviço. “Quem quiser, coloca.”
Quando o assunto é Android, Barra fica animado e diz, orgulhoso, que o crescimento da plataforma se deve essencialmente ao tipo de ecossistema que criaram. Nesse meio, ecossistema é um ambiente no qual todos os elementos se relacionam em harmonia, neste caso ele se refere aos desenvolvedores (que criam novos programas ou aplicativos para o Google), a empresa, os suportes e ferramentas para que tudo isso dê certo.
Aberto. O Android é uma plataforma aberta, o que quer dizer que qualquer um tem acesso às linhas de códigos que o formam e podem assim modificá-lo, criar coisas novas em cima, e – o que é mais interessante – ganhar dinheiro com isso. “Você pode colocar o Android numa geladeira, num carro, num tablet. Hoje, se você observa o mercado, a opção por uma plataforma aberta é uma necessidade clara.”
Segundo os últimos dados sobre o mercado de smartphones do instituto de pesquisa comScore, a plataforma Android foi a única a crescer (6,5%) nos seis meses anteriores a setembro deste ano. “Eu não tenho a menor dúvida de que esses resultados se devem ao ecossistema que criamos.” Hoje são 22 empresas fabricando aparelhos com Android. Há, pela última contagem de Barra, 96 aparelhos no mercado com o sistema operacional deles. Em termos de aplicativos e interesse de desenvolvedores, o Android Market (loja para comprar ou baixar aplicativos) já possui mais de 100 mil apps no acervo. Comparando, a rival Apple, popular pelo iPhone, tem mais de 250 mil aplicativos na App Store.
Recentemente, Barra veio ao Brasil anunciar o lançamento do sistema de pesquisa e de navegação via GPS para smartphones usando apenas a voz. A tecnologia já funcionava nos EUA e em países da Europa, mas na América Latina, o Brasil foi o primeiro. O motor de reconhecimento em inglês demorou quatro anos para ser construído, e mais um criando um sistema de generalização, sendo assim possível adaptá-lo para outros idiomas. No Brasil, o trabalho durou de quatro a seis meses, da coleta de vozes de pessoas de diferentes idades e regiões a testes interativos.
O mineiro se empolga ainda com os projetos que estão por vir para o Brasil e que ele está ansioso para lançar. Entre eles uma ampliação do Google Translate, o Voice Actions e o Google Goggles (leia abaixo).
Virada. “Do ponto de vista do Google, acho que 2011 vai ser o ano da virada para smartphones”, profetiza. Para ele, o preço dos celulares tende a cair muito até o ano que vem. Nesse cenário, o custo do plano de dados também passará a ser bem menor do que é hoje. “Vender um smartphone e não negociar um plano de dados não compensa, comercialmente falando. Isso vai mudar.”
Para Barra, as perspectivas se referem não só ao Brasil, mas a outros países em crescimento, como Rússia. Em um estágio um pouco mais avançado, estão países do sudeste asiático, como China, Índia, Indonésia e Filipinas que possuem níveis muito elevados de acesso à internet feito por celulares em comparação àqueles feitos por laptops e desktops. “Nesses países, muitas vezes, a única forma de uma pessoa acessar a internet é por um aparelho móvel, porque o fio de conexão pode não chegar à sua casa, mas o sinal da empresa de telefonia sempre chega”, explica Barra.
Na Índia, país com uma população cinco vezes maior do que a do Brasil, há muitas cidades sem eletricidade. Mesmo nesses locais, as pessoas têm celular e a maior dificuldade é carregá-lo – nesse caso, apela-se para barraquinhas nas quais ambulante cobram uma taxa para que o cliente carregue a bateria do celular usando uma bateria de carro. “A telefonia vai fazer que uma quantidade gigantesca de pessoas que não têm acesso à internet passe a ter”, opina.
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Leia mais:
• Link no papel – 22/11/2010
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19/12/2010 - 18:38 Enviado por: Jose Mario
Vocês viram? Tem uma app brasileira chamada celuLOC competindo com os caras lá fora: http://readwriteweb.com.br/2010/12/17/empresa-brasileira-desenvolve-servico-de-localizacao-e-seguranca-para-celulares-android/
denunciar abuso
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