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Sábado, 25 de Outubro de 2014

04 de setembro de 2014 17h13

‘Agora’ é o sucessor do mercado online de drogas Silk Road

Nova página não indexada de venda de drogas, acessada por usuários anônimos da rede Tor na chamada 'dark net' ou 'deep web', ganha popularidade

Por Murilo Roncolato

Imagem de tela da Agora, além de drogas como cocaína e metanfetamina, site de e-commerce vende armas, joias e eletrônicos

SÃO PAULO – O principal mercado online de drogas, armas e demais itens ilegais pode perder o reinado. A Silk Road 2.0 – que assumiu o lugar da Silk Road original derrubada pelo FBI em outubro passado –, em cinco meses, passou a ter menos itens à venda que o novo concorrente chamado Agora.

De acordo com relatório recente da organização Digital Citizens Alliance, que analisa páginas de comércio de itens ilegais na internet entre abril e setembro deste ano, a Agora (nome faz referência ao espaço público na antiga Grécia, usado para política e comércio) passou a vender de 9,1 mil itens para 16,1 mil (alta de 76,2%); superando a Silk Road 2.0, que passou de 17,1 mil para 15,9 mil (queda de 7,3%).

Ao analisar especificamente a venda de drogas, a Silk Road 2.0 ainda se mantém à frente, mas esse quadro não deve durar. Do total de drogas listadas em suas páginas, a Silk Road 2.0 passou a vender de 13,6 mil para 12,3 mil (queda de 9,5%). Já o Agora, saltou de 7,4 mil para 12 mil (alta de 62,8%).

Tais mercados operam na chamada “deep web” (rede profunda) – ou, levando-se em conta suas práticas, de “dark net”. Usa-se essa denominação para ilustrar a parcela dos conteúdos online que não são indexados (não podem ser encontrados por motores de busca, como o Google), acessadas mais usualmente através da rede Tor, que permite navegação anônima (veja infográfico abaixo).

Além da Agora, o relatório destaca também a Evolution Marketplace como uma beneficiária da perda de influência da Silk Road 2.0. A página contou com crescimentos de 176% (no caso de drogas) e 148% (itens em geral), os maiores em comparação com as demais.

Entre as explicações para a queda da Silk Road 2.0, a Digital Citizens Alliance aponta os frequentes ataques de negação de serviço DDoS que a página tem sofrido, nos quais ela recebe excessivas tentativas de acesso o que acaba congestionando o servidor, derrubando-o e, assim, tornando a página inacessível. Além disso, em fevereiro, a rede foi hackeada e sofreu uma perda de US$ 2,7 milhões em bitcoins.

Além disso, só nestes últimos meses, observou-se o fim de alguns mercados, mas o nascimento de outros oito no lugar, levando o total de páginas de comércio ilegal a saltar de 11 para 19. A organização responsável pela análise diz que dois mercados chamados Cloud 9 (com 2,2 mil itens listados) e Hydra Marketplace (1,5 mil) devem ser observados de perto.

Clique aqui para a leitura do relatório de abril (mais completo) e aqui para o relatório mais recente, que atualiza a situação dos mercados.