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A solução dos músicos

Por Carla Peralva

Em casa. Julián e a mulher Sandra Ximenes entre os instrumentos do Projeto Axial. FOTO: MARCIO FERNANDES/AE

É muito fácil publicar na internet. Um músico, por exemplo, pode liberar seu trabalho para download e deixar que os fãs digam quanto querem pagar pelo álbum, pode não cobrar, pode taxar cada música, pode usar sites 2.0 como YouTube, MySpace e Last.fm. Opções não faltam.

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Mas e quando nada disso satisfaz? Foi o que aconteceu com Felipe Julián, baixista do Projeto Axial, banda que ainda conta com sua mulher Sandra Ximenes (vocal e teclado) e Leonardo Muniz (sax), quando decidiu criar um novo jeito de distribuir música online. Julián já usa a internet para a divulgação de seu trabalho há tempos e, habituado aos eletrônicos – “também toco computador”, brinca –, resolveu arquitetar um programa, desenhar uma interface e arranjar um amigo programador que topasse entrar no projeto por um preço camarada. Agora, os dois notebooks e o tablet que se misturavam aos demais instrumentos da banda no segundo andar da casa do casal servem também para acompanhar como anda sua nova obra: o Bagagem.

Gratuito, o Bagagem é a plataforma que o Projeto Axial criou para lançar seu último álbum, Simbiose, e obras inéditas de músicos parceiros. Uma vez baixado no computador, o software (leia ao lado) funciona como player e aplicativo de download para as músicas já cadastradas. Até agora, os álbuns do Axial e de Chico Corrêa já estão no ar. Os próximos lançamentos são de Juçara Marçal, Kiko Dinucci e do grupo Embolex. O software pode ser baixado no site do grupo www.axialvirtual.com.

Felipe conta que desenvolveu essa solução para resolver falhas que percebia enquanto músico e tentar sanar os problemas enfrentados pelos usuários. Do lado do músico, está o excesso de controle que os sites publicadores exercem sobre a criação e a dificuldade de enviar gratuitamente pela internet um produto coeso. Do lado dos usuários, “percebi que muitos sentem falta do objeto CD, que, uma vez comprado, é a obra tal como foi concebida e organizada pela banda, com a ordem das músicas, os desenhos do encarte, as informações de cada faixa”.

No Bagagem, cada faixa vem com um vídeo ou uma ilustração escolhida pelo artista. “Essa é a geração YouTube. Para ela, a visualização da música é importante. Aproveitei que estava lançando um aplicativo, onde posso acrescentar funções, para colocar algo a mais que faça sentido com a música. Não é um trecho de show ou um videoclipe, é uma outra coisa, nova”, explica.

Mais do que um player ou um lançador de músicas, Bagagem é também o nome do coletivo de artistas que se articula em torno do software e da proposta. Os músicos que vão lançar álbuns pelo aplicativo funcionam como “uma cooperativa de artistas”, nas palavras de Felipe. Para entrar, é preciso se comprometer a ajudar o projeto, divulgá-lo, lançar músicas pelo programa, trabalhar por sua melhoria. “Eu acredito na autogestão da carreira musical e os coletivos são uma forma de se organizar”, diz.

E esse projeto pode gerar renda no futuro? Felipe escolhe bem as palavras: “Indiretamente, por meio da construção de um público que frequente shows e, talvez, pela captação de recursos através de parcerias ou patrocínios”. Ele não cogita vender músicas. “Realmente acredito e estou trabalhando em um modelo de distribuição gratuita.”

Ainda com a ideia de coletivos em mente, Felipe, que também é professor universitário, quer promover o encontro entre músicos e pessoas que lidam com software livre pois crê que daí podem surgir boas colaborações. “O que eu gostaria com esse encontro é que a classe musical se politizasse e se animasse a criar novos modelos de distribuição de música menos dependentes de intermediários.”

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Leia mais:
Link no papel – 18/04/2011

1 Comentário
  • 18/04/2011 - 06:49
    Enviado por: Erich Vallim Vicente

    Muito interessante a ideia do Bagagem. Parabéns aos músicos idealizadores. Como integrante de banda e adepto a fazer downloado gratuito de músicas, sempre me deparei com esse dilema de pegar algo que não foi concebido pelo artista, que, no caso, são músicas como fragmentos de uma obra acabada (o disco). Legal, mesmo! Sucesso ao Felipe Julián e a todos que estão neste barco! Abraço!

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