A sobrevida do cartão de visitas
- 10 de outubro de 2010|
- 18h49|
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Por Agências
O papel vem sendo substituído por alternativas digitais com rapidez. Mas tem um instrumento nada virtual, cujas origens remontam à Era Vitoriana, que segue firme. E mais: está em alta.
A cadeia de suprimentos para escritório Staples declarou que a demanda de cartões de visitas subiu vertiginosamente – cresceu dois dígitos em três anos. A Vistaprint, empresa de impressão online, vende mais cartões de visitas do que qualquer outro produto. A Office Depot também registrou vendas em crescimento.
“Há uma coisa genial com o cartão de visitas: ele desempenha uma única função muito bem”, diz Ted Striphas, autor de The Late Age of Print (A Era Tardia da Impressão, Columbia University Press) e professor na Universidade de Indiana.
Quase toda a semana surge um aplicativo para celular com o objetivo de eliminar esses pequenos retângulos de papel. Um deles é o Bump, para iPhone, em que basta tocar um aparelho no outro para a troca de informações de contato. Facebook e LinkedIn também ajudam as pessoas a organizar contatos.
Mas o papel tem algo mais íntimo e imediato. As pessoas que se dedicam a criar alternativas a eles “tentam resolver um problema que ninguém quer que seja resolvido”, diz Peter Corbett, diretor-executivo da iStrategyLabs, empresa de marketing digital sediada em Washington.
Peter, um desses viciados em iPhone, não parece um defensor de tecnologias antiquadas como o cartão de papel. Mas o público alvo do cartão de visitas não é formado por executivos da área de tecnologia. Os cartões são usados por mães para combinar as datas de reunião das crianças para brincar, por solteiros, que os distribuem em idas a bares, por desempregados em busca de um trabalho.
Outros produtos de papel vêm sendo substituídos porque a versão digital é melhor. Kindles e iPads permitem que se carregue por toda a parte milhares de livros. Mas os cartões de visitas são tão ágeis quanto seus concorrentes digitais – você entrega o cartão e o seu novo conhecido sabe quem você é e como contatá-lo. E eles ainda têm algo a mais. “Mesmo hoje, as pessoas adoram ver seu nome impresso”, diz Rob Schlacter, vice-presidente de serviços comerciais e de qualidade da Staples.
Quando as pessoas trocam cartões, transferem mais do que dados de contato, passam também impressões e histórias. O cartão de visitas de Peter Corbett é preto fosco e não dá para escrever nele. Quando ele dá seu cartão para alguém, no geral a pessoa diz: “Ei, não consigo escrever aqui”. É a deixa para ele dizer que, quando trabalhou no Japão, percebeu que era falta de educação escrever alguma coisa num cartão de visitas.
“O cliente fica sabendo um pouco mais a meu respeito”, diz ele. “Acho que hoje as pessoas são mais visuais. Posso não me lembrar exatamente o nome de alguém, mas acabo me recordando do cartão que ela me deu, tinha uma árvore verde e fundo azul. Então, procuro e encontro exatamente aquele, com a árvore verde. Daí é só ligar. Isso não é possível com um aplicativo”.
O Bump oferece uma nova forma de interação social – o choque entre telefones. Mas a maneira como está sendo usado indica que há algo estranho. Segundo uma porta-voz da companhia que desenvolveu o aplicativo, o tráfego – são 20 milhões de usuários – cai no meio da semana e aumenta nos fins da semana, sugerindo que o seu uso, na maior parte, não tem fins comerciais.
O irônico da sobrevivência do cartão de visitas é que ela, na verdade, só foi possível graças à tecnologia. Muitos empresários que ainda valorizam a troca de cartões escaneiam detalhes do cartão de visitas e transferem para seu arquivo de contatos no computador. Existem até aplicativos dos smartphones que escaneiam os cartões e extraem informações. “Não sou inimigo do cartão de visitas”, disse Patrick Questembert, desenvolvedor do ScanBizCartds para o iPhone. “Ele continuará existindo ainda um longo tempo”.
Os avanços no campo da impressão digital e baratearam a impressão de cartões de visita profissionais. A Vistaprint oferece cartões de visita grátis em troca de um anúncio no seu verso. Megan Tracy Benson, dona de casa, aceitou a oferta e agora vive distribuindo cartões para as amigas no playground. “Eu escrevia os endereços em pedaços de papel que sempre perdia”.

/MICHAEL S. ROSENWALD (WASHINGTON POST)
/TRADUÇÃO: TEREZINHA MARTINO
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11/10/2010 - 14:14 Enviado por: Farmácia de manipulação
Creio que os “velhos” cartões nunca poderão ser dispensados, eu por exemplo sempre ando com alguns da empresa na carteira, alguém sempre pede.
denunciar abuso
Parabens pela materia.
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