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A reforma dos direitos autorais na Inglaterra

Por Tatiana de Mello Dias

Assim como o Brasil e outros países do mundo, o Reino Unido está estudando uma reforma na sua lei de direitos autorais. As leis de copyright por lá têm 300 anos — dá para se imaginar o quão obsoletas estavam.

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São três as mudanças-chave. A primeira é legalizar a interoperabilidade (copiar CDs para iPod, por exemplo). A segunda é a criação de um mecanismo para que licenças de copyright possam ser compras e vendidas, simplificando o uso de obras.

O Reino Unido permitirá licenças mais flexíveis e mecanismos de limitações e exceções, como o que autoriza acesso a obras órfãs (aquelas em que não é possível localizar o autor). Na atual legislação, muitas obras ficam sem ser acessadas porque não foi possível localizar o autor — e quem publica ou exibe algo sem essa autorização está sujeito à penalidades.

A lei também poderia incluir — se tiver o apoio da indústria cultural — um licenciamento coletivo para a web, que fucionaria nos moldes da rádio.

E a terceira é a inclusão do princípio do ‘fair use’, ou uso justo, da legislação norte-americana, que permite que pequenos trechos de obras possam ser usados sem que haja infração de direitos autorais em determinadas situações. Paródias, por exemplo, serão mais bem aceitas — hoje vídeos no YouTube com paródias são removidos por causa das restrições da atual legislação de copyright.

O governo diz que a atual legislação impede a inovação e atrapalham processos industriais e serviços baseados na internet. “Nos últimos anos, o Reino Unido falhou em fazer as mudanças necessárias para modernizar a lei de copyright, para o qual pagamos cada vez mais à medida em que caminhamos para a terceira década de internet comercial”, analisa o professor de economia digital Ian Hargreaves, que é o autor da proposta de reforma em entrevista à agência Reuters.

“A recomendação para a revisão servirá para aumentar o potencial econômico das indústrias criativas do Reino Unido, e para garantir que o surgimento de negócios de alta tecnologia, especialmente os pequenos, em outros setores, não sejam impedidos pelas nossas leis.”

A revisão foi encomendada no ano passado pelo primeiro ministro David Cameron, que disse na época: “os fundadores do Google disseram que nunca poderiam ter começado a empresa deles no Reino Unido”.

O Reino Unido permitirá licenças mais flexíveis e mecanismos de limitações e exceções, como o que permite acesso à obras órfãs (aquelas em que não é possível localizar o autor). Na atual legislação, muitas obras ficam sem ser acessadas porque não foi possível localizar o autor — e quem publica ou exibe algo sem essa autorização está sujeito à penalidades.

“A mudança poderá tornar mais fácil para empresas e indivíduos legetimarem acesso e pagarem para usar material protegido”, diz Katja Hall, diretor da Confederação da Indústria Britânica.

Ainda é cedo para saber se a proposta de Hargreaves poderá virar lei – mas a recepção, até agora, tem sido favorável.

/ com informações da Reuters

4 Comentários
  • 18/05/2011 - 21:29
    Enviado por: Pedro Paranaguá

    Pequena observação: o “fair use” é flexível e inclusive cópia integral pode ser considerada legal, dependendo de cada caso. Portanto seria tecnicamente mais preciso não afirmar que fair use “permite que pequenos trechos de obras possam ser usados sem que haja infração de direitos autorais”. Ademais, mesmo cópias para fins comerciais podem ser consideradas “fair use”, dependendo do caso em questão. Portanto, os quatro fatores – do “fair use” – devem ser levados em conta, bem como a jurisprudência.

    No mais, as matérias de Tatiana de Mello Dias são excelentes!

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  • 19/05/2011 - 09:06
    Enviado por: Guilherme

    O parágrafo “O Reino Unido permitirá licenças mais flexíveis (…)” é mencionado duas vezes ao longo do texto. Sobre a situação em si, acho que a Inglaterra tem propostas bem mais interessantes e condizentes com as tecnologias do que o Brasil. Lamentável ver o Brasil nadando contra a maré…

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  • 19/05/2011 - 11:38
    Enviado por: Silvio Nogueira

    Enquanto isso no Brasil…

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  • 19/05/2011 - 17:05
    Enviado por: MARCELO LOPES

    Eu completo a frase do leitor Silvio.Enquanto isso no Brasil O ECAD…

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