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A intranet do Irã

Por Carla Peralva

Há tempos, o governo iraniano tenta controlar o conteúdo que circula pela internet no país. Em diversas ações de bloqueio a redes sociais, interrupção no envio e no recebimento de arquivos, diminuição da velocidade de carregamento de dados em toda a rede nacional, a administração de Mahmoud Ahmadinejad vem se aprimorando na censura online.

Mas sempre há uma lan house que consegue burlar a restrição de acesso a sites estrangeiros, um blogueiro que escreve em uma página hospedada no exterior e uma página no Facebook que organiza manifestações populares.
Qual seria uma solução definitiva, então? Desconectar totalmente o país da rede internacional. Segundo uma reportagem do jornal The Wall Street Journal, o Irã já possui o sistema e o equipamento capazes de criar uma grande rede nacional desconectada da malha mundial para isolar os mais de 20 milhões de iranianos que acessam a internet do país.

Com uma espécie de intranet totalmente criada e controlada pelo governo, ficaria muito mais fácil vigiar o fluxo de informações que circula pela internet. As únicas instituições que poderiam se conectar à rede mundial seriam departamentos governamentais, órgãos religiosos, veículos de propaganda voltados para o mercado externo, bancos, multinacionais e projetos como o Wiki-fiqh, uma enciclopédia criada por religiosos para divulgar os conceitos e as práticas islâmicas na rede.

Sob o comando de Reza Bagheri, líder do Ministério de Telecomunicações, o Irã já estaria pronto para colocar seu projeto em prática. A ideia é que a rede estatal comece a rodar paralelamente à internacional até que se torne, em breve, o sistema de conexão oficial do país.

Um vez implementado o projeto, ainda de acordo com a reportagem do WSJ, outros países islâmicos poderiam se valer do ambiente online criado, gerando uma “rede islâmica genuína”, conforme informações de observadores internacionais consultados pelo jornal norte-americano.


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