A grande mudança para a nuvem
- 2 de dezembro de 2010|
- 9h00|
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Por Fernando Martines
Imagine gastar todo dinheiro que você ganha em projetos pessoais de seu interesse, sem ter que despender um centavo com serviços básicos? Não, não se trata do retrato de um país que emprega bem os impostos que coleta. É na verdade o cenário projetado pelo jornalista e escritor norte-americano Nicholas Carr para as empresas que passarem a utilizar de forma intensa a computação em nuvem. Carr, referência no tema após ter lançado o livro A Grande Mudança – Reconectando o Mundo, De Thomas Edison ao Google (Editora Landscape), abriu nesta quarta-feira, 1, o Info Summit, primeira edição do evento que foca nas novidades tecnológicas no mundo corporativo.
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No começo, o assunto parecia árido, feito apenas para executivos engravatados e CEOs de plantão. Mas o palestrante tornou tudo mais leve com sua explanação simples e inteligente do tema. Afinal, se a empresas do mundo passarem por grandes mudanças, o mundo e consequentemente minha vida também passarão, não? Carr primeiro mostra os dados: em média, as empresas gastam metade do seu orçamento para armazenar dados e manter funcionando programas vitais, sempre em muitos (e caros) servidores internos. Ora, se as companhias utilizassem a nuvem (modo infinitamente mais barato) para fazer os mesmos serviços, poderiam usar esse dinheiro para desenvolver novas tecnologias, produtos e serviços (ou dar maiores bônus de fim de ano aos executivos).
É uma medida burra então manter servidores e equipes técnicas, comprar softwares e hardwares? “Não quando você está gastando com programas e uma infra-estrutura que ofereçam vantagens a sua empresa, que façam com que ela fique muito à frente das outras, tenha algo exclusivo. Assim o dinheiro é bem gasto. O problema é quando se gasta dinheiro para criar e manter serviços iguais aos de todas as outras empresas. Elas poderiam economizar. Esse gasto individual poderia ser evitado se todas as empresas usassem o serviço vindo da mesma fonte”, palestrou Carr. O gasto com Tecnologia da Informação (T.I) subiu de 5% em 1968 para 45% nos anos 2000.
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E para quem pensa que a computação em nuvem é um fenômeno completamente novo, Nicholas Carr afirma: “é a nova expressão de um antigo padrão que sempre se repete”. Como assim? “Serviços básicos sempre no começo ficaram nas mãos das empresas, mas, com o tempo, passam por uma centralização, permitindo que as empresas invistam em outras áreas”. Melhor um exemplo para explicar: Burden, um imigrante da Escócia, construiu em sua fábrica de aço no ano de 1850 a maior roda d’água para produzir energia dos Estados Unidos (no telão, uma foto da majestosa construção), o que o colocou na liderança de seu ramo. Em 1920, é tirada uma nova foto (novo slide). Tudo abandonado, com mato crescendo para todos os lados. Estaria o negócio de Burden falido? Não, continuava de vento em popa. A diferença é que no meio tempo surgiram as grandes usinas de energia elétrica. As empresas não precisavam mais construir e manter suas própria fonte de energia. Agora, um modelo central distribuía o serviço a todos, o que saía muito mais barato. Voltando a 2010. As empresas cada vez mais perceberão que é desnecessário manter enormes e custosos servidores e tudo que envolve essa área. Está (quase) tudo na nuvem.
Claro, não é sair colocando todos os seus dados nas mãos de terceiros. Novo slide. Na tela, uma lista dos medos (“Justificáveis”, disse Carr) que impedem um mergulho na nuvem. O principal, claro, colocar dados confidenciais e/ou fundamentais nas mãos de outra empresa. E se os servidores pegarem fogo? E se a empresa que cuida dele falir? E se ela, de má fé, consultar o que não deve? São problemas reais e graves. Só serão esquecidas quando a prática for amplamente disseminada, os problemas e soluções já conhecidos e a prática de usar a nuvem virarem algo corriqueiro. “Hoje parece óbvio a centralização da produção de energia, mas na época de Burden não era. Havia um receio de deixar isso na mão de outra empresa, pois eletricidade é fundamental para qualquer produção. A mesma coisa ocorre hoje com o setor de T.I, há um receio de repassar esses dados”.
Para finalizar, Carr afirma que a computação em nuvem veio para ficar por um motivo: nós, consumidores, adotamos esse modelo. Ao usar Facebook, Orkut, YouTube, Gmail e todos esses serviços que magicamente não precisamos instalar em nossos computadores, já fizemos uma opção. E isso vai fluir para o lado das empresas, garante Carr. “A revolução da nuvem já foi feita, em nossa casa. Agora, são as empresas que estão migrando”.
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