A biblioteca na era digital
- 18 de abril de 2010|
- 17h33|
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Por Tatiana de Mello Dias
A Biblioteca Estadual da Baviera (Alemanha) digitalizará um milhão de livros em parceria com o Google. O diretor Klaus Cenowa diz que o acervo deve estar onde as pessoas estão. Leia entrevista com Cenowa.
Quando começou a digitalização da biblioteca?
Em 1997. Desde o início, o objetivo era disponibilizar via internet os acervos históricos, únicos e valiosos. As obras digitalizadas estão disponíveis para qualquer um gratuitamente na web. Podem ser impressas ou baixadas para uso pessoal ou científico.
No total, quantas obras já foram digitalizadas?
Até agora foram digitalizadas cerca de 60 mil obras. Além delas, há cerca de 200 mil livros que estão sendo digitalizados através da parceria público-privada com o Google. No total, devem ser escaneados, no próximo ano, um milhão de livros em parceria com o Google.
Por que tantas bibliotecas se opuseram à iniciativa do Google de digitalizar acervos?
Há muito medo em relação a um possível monopólio e um desconforto em relação ao banco de dados cada vez maior do Google. Eu não quero avaliar se esses medos são justos. Nós trabalhamos em excelente parceria com o Google. Sem ele, teria sido impossível digitalizar 1 milhão de livros – cerca de 250 milhões de páginas – em tão pouco tempo.
Qual é a importância disso?
A biblioteca tem tesouros únicos. Esse patrimônio cultural deve ser acessível a todas as pessoas. E a internet nos oferece essa possibilidade. A digitalização significa também uma democratização do acesso ao conhecimento e à cultura.
E como funciona a questão de direitos autorais?
Quase todas as obras estão em domínio público. No entanto, há uma parceria com algumas grandes editoras científicas. Após o pagamento de uma taxa, obras protegidas são digitalizadas e podem ser acessadas de graça pelo consumidor final.
Como funciona esse processo de digitalização?
Não há um único processo de digitalização. Manuscritos únicos são escaneados e digitalizados com a chamada mesa fotográfica de Graz. Para outros materiais utilizamos robôs scanners, que conseguem digitalizar até mil páginas por hora. Também há scanners especiais para mapas e scanners 3D. O escaneamento é a parte mais simples de todo o processo de digitalização, que engloba da logística no depósito ao armazenamento digital permanente.
Quais são os principais desafios das bibliotecas hoje?
As bibliotecas devem oferecer seus serviços e acervos onde quer que o usuário esteja na rede – isto é, no Google, no Facebook, no Yahoo, no WorldCat – e também em ambientes de estudo e pesquisa especializados. Esta diversidade não pode levar a uma perda de identidade. As bibliotecas devem se redefinir como local de troca cultural, de comunicação e de encontro – além de salas de leitura e depósitos.
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19/04/2010 - 18:58 Enviado por: Andre Françoso
E tem gente que diz que os leitores eletrônicos não vão vingar! Não sei qual é o impacto ecológico da obtenção e manufatura dos aparelhinhos e-paper, mas deve ser menor que o que a indústria da celulose imprime ao planeta. Uma Alexandria mundial está se tornando realidade e os empresários tentando boicotar, como sempre, a evolução afim de manter suas gordas contas bancárias. Cadê a risível indústria brasileira para elaborar um concorrente ao Kindle e ao Nook? Até quando o atraso será inerente ao Brasil? Abaixo megastores capitalistas e força à iniciativa revolucionária verdadeira que hoje se manifesta com intensidade no suporte digital.
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20/04/2010 - 00:14 Enviado por: Cida Medeiros
Bom saber que finalmente pessoas conscientes e com ampla visão estão gerando tantas oportunidades para quem quiser desfrutar. A digitalização de obras públicas é de grande valor, sendo um patrimonio da humanidade e deve estar cada vez mais acessivel à todos que buscam o saber. O conhecimento abre a mente e amplia horizontes. Eu fico muito feliz em saber dessa parceria do Google com a Biblioteca da Alemanha. Muito bom!
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20/04/2010 - 13:20 Enviado por: Gabriela
Legal o exemplo da biblioteca alemã. Aproveito a discussão para contar que de 26 a 29 de abril especialistas em digitalização de acervo de diversas partes do mundo vêm a São Paulo discutir a questão, trocar experiências e pensar junto a representantes do governo brasileiro e da sociedade civil diretrizes para política pública nacional. Quem se interessar, pode encontrar mais informações sobre o evento e o assunto em: http://www.acervosdigitais.blog.br/ Obrigada e abs,
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