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‘4G foi positivo, mas luta continua’, diz ministro

Por Murilo Roncolato

Em entrevista ao ‘Link’, o ministro das Comunicações se mostra otimista e prevê redução de preço do 3G

SÃO PAULO – Apesar da arrecadação abaixo do esperado, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, avaliou como positivo o saldo do leilão de faixas de frequência destinadas à rede 4G. Em entrevista ao ‘Link’, o ministro disse estar “muito satisfeito” com o resultado, mas ponderou que “a luta continua”.

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FOTO: Ayrton Vignola/AE

“Para o que não foi vendido nessa primeira etapa, a gente vai fazer um novo leilão, talvez em seis meses”, prevê Bernardo, referindo-se aos 96 dos 150 lotes disponíveis e não adquiridos no leilão realizado na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no início da semana. Bernardo previa uma “disputa muito dura” no leilão; afirmou inclusive que as operadoras “sairiam no tapa” pelos lotes leiloados. “As empresas catimbaram o que puderam, mas no fim foram disputar as faixas”, desabafa.

O governo previa arrecadação de R$ 3,8 bilhões e o resultado final somou R$ 2,9 bilhões. “Foi um bilhão a menos porque não venderam todas. A gente pode refazer essa licitação com reavaliação de preço”, sugeriu. Bernardo previa duas ameaças ao leilão: a  crise na Europa (onde estão baseadas a italiana Tim e a espanhola Telefonica/Vivo) e as obrigações impostas pelo edital às vencedoras.

As companhias que levaram as quatro principais faixas assumiram, automaticamente, compromissos com a zona rural (usando a faixa de 450 Mhz). Além disso, operadoras terão a responsabilidade de garantir 4G em todos os municípios com mais de 30 mil habitantes até 2017, totalizar a cobertura de 3G gradativamente até 2019 e reservar cotas de aquisição para equipamentos fabricados no Brasil.

“O Brasil tem a vantagem de ser mais flexível com o cumprimento do contrato. Acho que assim abrimos a porta para essa tecnologia nova entrar praticamente na mesma época que os países do primeiro mundo”, acredita Bernardo. Ele ainda responde a uma das críticas feitas ao leilão, que ironiza a implantação de uma nova tecnologia móvel, enquanto o País não possui uma cobertura completa e eficaz da rede 3G.

3G chegou tarde

“Na verdade, foi O 3G que entrou atrasado no Brasil, tanto que tivemos que colocar obrigações para a universalização da cobertura nesse leilão. Mas, no fim, vamos ficar com uma tecnologia absolutamente atual nos próximos anos”, referindo-se ao 4G, que deve entrar em operação nas capitais-sede da Copa das Confederações no primeiro semestre de 2013.

O membro do governo acredita que o 3G, que, segundo ele, “vai ser usado ainda por vários anos no Brasil”, será beneficiado da implantação do 4G. “Além de diminuir o tráfego nas redes 3G, que já estão saturadas, melhorando sua qualidade, a migração de clientes de maior poder aquisitivo para o 4G pode reduzir o preço do 3G”, aposta.

Preço

Para o ministro, com o tempo e com o aumento da competição o preço da rede 4G e dos aparelhos – fabricados especificamente para atender a tecnologia LTE, do 4G – deve cair. E adiantou medidas de desoneração que podem contribuir para a queda.

“Estamos quase acertados no governo, tanto com a presidenta Dilma quanto com o Ministério da Fazenda, de reduzir o preço do smartphone”, anunciou. “Vamos incluí-lo na Lei do Bem. A decisão já foi tomada, está tudo conversado.”

Paulo Bernardo já vê como certo ainda medidas de desoneração para equipamentos e materiais de infraestrutura (como torres e dutos), o que deve causar uma queda de 30% no custo total de implantação para as empresas; e na aprovação, na Anatel, da regulamentação sobre competição que prevê o compartilhamento de infraestrutura entre as operadoras. “Está tudo ligado: Plano Nacional de Banda Larga, 3G, 4G, internet rural. A ideia criar medidas para melhorar a condição da internet no País.”

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