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4Chan certinho

Por Redação Link


A equipe do Canvas (a partir da esquerda): Michael Rooney (desenvolvedor); Christopher Poole (fundador); Dave Mauro (designer) e Timothy Fitz (chefe de TI). FOTO: Erich Slegel/NYT

* Por Jenna Wortham (The New York Times)

Para muitos empreendedores, administrar um site frequentemente descrito como ameaça à sociedade não é exatamente algo que melhore o currículo. Mas Christopher Poole, 23 anos, criador do 4chan, nunca renegou sua criação e conseguiu transformar a grande popularidade do site, que, segundo ele, tem 12 milhões de visitas por mês, numa plataforma de lançamento para uma carreira bem sucedida como palestrante, assessor em um fundo de investimentos, o Lerer Ventures, e fundador de um novo site.

Poole conseguiu financiamento de capitalistas de risco respeitados como Ron Conway, um dos primeiros a investir no Google, Kenneth Lerer, um dos fundadores do Huffington Post, e Joshua Schachter, criador do Delicious, serviço que armazena e classifica seus links favoritos, comprado pelo Yahoo. A Andreessen Horowitz, de Marc Andreessen e Ben Horowitz, também pôs dinheiro. Horowitz disse que o Canvas, novo site de Poole, foi “das mais fáceis decisões de investimento” que já tomou.

Anunciado oficialmente no festival South by Southwest deste ano, o site permite que o usuário poste imagens e acompanhe ela sendo alterada e remixada por outras pessoas. “É puro entretenimento”, diz Poole. “Não acho que essa ideia de que as pessoas passam o tempo todo na internet é totalmente verdadeira, mas isso é um hobby para muita gente”. No momento, o site está restrito a imagens, mas Poole deseja adicionar vídeo e áudio.

De um lado, o fluxo do Canvas assemelha-se ao do 4chan. Um tópico recente que ficou muito popular mostrava um cachorrinho de pelo marrom coberto de neve. Então imagens foram sendo acrescentadas à original. Alugém introduziu personagens de Guerra nas Estrelas, outra pessoa fez piada falando em chamar Charlie Sheen para ajudar o cão a limpar a neve, referência aos problemas que o ator enfrenta com drogas. Poole compara essa interação a assistir um esquete cômico improvisado ou à excitação de esperar a noite de estreia de um filme cult na companhia de centenas de outros fãs entusiasmados.

“É uma experiência compartilhada, saber que você e várias outras pessoas estão experimentando isso e colaborando para a criação de alguma coisa no mesmo momento”, diz. “Essa natureza efêmera é especial e nunca; aquela experiência nunca será repetida da mesma maneira”.

“Isso é algo em que o 4chan é muito bom”, acrescentou. “O site é apenas uma estrutura de imagens e texto. Não há regras, mas uma cultura inteira, com vocabulário e linguagem próprios, que se desenvolve em torno dela”.

Para June Cohen, produtora executiva de mídia TED, “goste dele ou o deteste, o 4chan é uma força cultural importante”. TED é a prestigiada conferência anual que acontece em Long Beach, Califórnia. Poole foi convidado a dar uma palestra lá em 2010. “É um site enorme e muitos memes são formados ali, é muito difícil ignorá-lo”, diz Cohen.

O Canvas é de alguma maneira similar ao 4chan. Os membros da comunidade online não precisam usar suas reais identidades para participar, diferentemente de Facebooks e Twitters da vida, que baseiam seus modelos de negócios no conhecimento de quem é cada usuário e estabelecendo uma identidade fixa na rede.

Mas Poole espera que o Canvas crie uma cultura social online única e se apressa em dizer que não quer que ele seja uma cópia do 4chan. “Não estamos criando um 4chan 2.0. É um empreendimento separado”.

O desafio para ele agora é manter os dois sites como entidades separadas, evitar que a falta de obrigatoriedade de identificação do usuário se transforme em mau comportamento e tentar impedir um intercâmbio de bandalheiras, típico de seu primeiro empreendimento.

Parece que está funcionando. Durante as primeiras semanas em que o site foi testado particularmente, a companhia teve apenas que remover do Canvas algumas imagens ofensivas que são comuns no 4chan.
Prodígio secreto. Poole criou o 4chan em 2003, aos 15 anos, nas férias de verão. Usou como modelo um fórum de animação japonês chamado 2chan.

Nos anos seguintes, era identificado apenas pelo seu apelido online: moot. Ele ficou conhecido publicamente como fundador do 4chan há poucos anos. Antes disso, operava o seu site em segredo, no seu quarto. Nem seus pais não sabiam de nada. “Mesmo na vida real, eu era anônimo”, diz. O site explodiu e se consolidou na cultura da internet, para o melhor e o pior. É difícil negar o enorme poder e influência do 4chan.

O 4chan é reconhecido como o lugar de onde saiu um dos memes mais conhecidos, os Lolcats, imagens de gatos com legendas engraçadas escritas com erros propositais. Em 2009, quatro membros do fórum concentraram esforços para eleger Poole como a pessoa mais influente do ano na lista da revista Time, o que lhe deu direito a uma entrada num evento prestigiado que incluiu John Legend e Diane Sawyer.

Mas o site também está na origem de muita confusão. Membros insultaram a família de um adolescente que se suicidou. Outros lançaram rumores de que Steve Jobs tinha sofrido um ataque cardíaco, o que provocou uma queda brusca das ações da Apple. Mais recentemente, quatro usuários do site empreenderam um ataque online que paralisou o PayPal, Visa e Mastercard depois que foram cortadas as doações feitas através desses serviços para o WikiLeaks.

No entanto, o poder de atração do Canvas fascinou os capitalistas de risco que aplicaram US$ 625 mil na criação da empresa. Segundo os investidores, é um novo tipo de site que pode ser o prenúncio de um futuro diferente para os serviços e comportamentos na rede. “Nosso investimento é em Chris”, diz Horowitz. “Nenhum outro site foi criado com tantas ideias novas e incendiárias como o 4chan”.

“Não sabemos o que vai acontecer”, acrescentou Horowitz, sobre o Canvas. “Mas se ele conseguir desenvolvê-lo num ambiente melhor, estamos dispostos a pagar para ver”. Apesar de todo o tráfego no 4chan, o site não é lucrativo. Poucas empresas fora do setor de serviços adulto estão interessadas em anunciar ali. Poole diz que o site gera o suficiente para cobrir os gastos com servidores e largura de banda necessários para operar”. “Há dois anos eu fazia piada da ideia de conseguir investidores para o 4chan. E agora aqui estamos nós com o Canvas. Mas achamos de fato que aqui existe aqui uma semente de algo grande”.

Tradução: Terezinha Martino

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Leia mais:

Link no papel – 21/03/2011
Tecnologia é o novo rock

1 Comentário
  • 21/03/2011 - 15:27
    Enviado por: noko

    Quatro anos de 4chan me fazem ter certeza de que, se aquela atrocidade que é o canvas der certo, não será com a user base daquele site. /b/ e /soc/ provavelmente tentarão destruir o novo projeto do moot, o resto das boards vai ignorá-lo. A única coisa que o moot pode fazer a respeito é tentar convencer a manada hipster do facebook de que o site dele é cool. De qualquer modo, é bem engraçado ver um bando de investidores deslumbrados perder meio milhão de dólares.

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