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‘Seu rosto virou segredo comercial’

Por Tatiana de Mello Dias

Entrevista com Max Schrems, fundador da Europe vs Facebook

LOGIN: Max Schrems, fundador da Europe vs Facebook

O que o levou à criação da Europe versus Facebook?
Eu estava estudando na Califórnia e havia rapazes do Facebook na minha classe. O que eles entendiam sobre as leis de privacidade na Europa não era o que nós, europeus, entendemos sobre a nossa lei. Então eu escrevi um estudo sobre isso. Mas, conversando com amigos, percebi que isso não seria suficiente: deveríamos mostrar as nossas descobertas para a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda e reclamar ao Facebook lá.

Quais são os maiores problemas de como o Facebook coleta e armazena os dados?
Há pouca transparência. Eu estudei os termos de uso por meses e, ainda hoje, continuo sem saber direito o que eles fazem com os meus dados – é tudo muito vago e obscuro. Também é muito problemático que muitos dos dados removidos por nós da rede não sejam deletados pelo Facebook.

Os usuários têm informação sobre a quantidade de dados armazenada pelo Facebook?
Não. E agora eles bloqueiam nossos pedidos de dados dizendo que dados pessoais são muito difíceis de enviar, são sua propriedade intelectual ou segredo comercial. Isso acontece, por exemplo, para os dados de reconhecimento de rostos. Alguns jornais austríacos resumiram: “nossos rostos agora são proprietários?”.

Como é a legislação europeia a esse respeito?
Há uma diretriz. E as leis nacionais a seguem. Nós temos uma lei geral de privacidade. Nos EUA isso é fragmentado para dados de saúde ou crédito. Lá, há um enorme lobby contra leis de privacidade. Agora, empresas americanas (como o Facebook) estão começando esse lobby na Europa.

Como o usuário brasileiro pode se proteger?
Todos os usuários fora dos EUA e Canadá têm um contrato com o Facebook na Irlanda. Seus dados são protegidos por leis europeias.

Você teme o rápido crescimento do Facebook?
Eu acho que eles não estão crescendo mais tão rápido, ao menos não na Europa e nos EUA. Acho que muitas pessoas se enjoaram da mentalidade “eu posto, portanto eu sou”. As mudanças que estão em curso também não estão ajudando na confiança dos usuários. O maior problema é que não há uma alternativa global que não seja o Google+, tão problemático quanto o Facebook.

O Google+ e as outras redes sociais têm as mesmas práticas?
Nós não fizemos uma análise profunda sobre o Google+. Eu sou cético, porque eles já têm todos os dados de buscas do Google. Se você conecta isso a todas as coisas que o Facebook está coletando, você terá mais dados do que a CIA ou a KGB jamais tiveram sobre um cidadão comum. O que nós precisamos é de um padrão aberto para as redes sociais, então poderia ser mais de duas redes. Isso é como se só houvesse um provedor de e-mail no mundo e você não pudesse mandar e-mail para outro provedor. Esse provedor único certamente iria usar seu poder de maneira indevida.

Quais serviços online são mais prejudiciais para a privacidade dos usuários?
Eu acho que cada serviço individualmente está ok. O problema é quando eles se conectam uns com os outros. O Facebook está normalmente falando com um blog, Flickr, YouTube e Skype combinados. Cada serviço individual tem dados limitados, mas se você conecta tudo você tem um perfil muito mais intenso.

Como os usuários podem se proteger?
Neste momento nós esperamos que a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda nos proteja. A única coisa que um usuário pode fazer é desabilitar a “plataforma”, porque ela permite que todos os amigos exportem seus dados para outras empresas. Sugerimos que eles apenas os compartilhem com “amigos”. Eu poderia também pensar antes de postar e muitas vezes uma confraternização com os amigos é a melhor resposta para essas formas de amizade digitalizadas demais.

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Leia mais:
Link no papel – 03/10/2011
• Ele sabe mais do que você pensa
Personal Nerd – Como o Facebook rastreia os usuários

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