¡Encontré!
- 18 de julho de 2010|
- 20h27|
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Por Fernando Martines
“Olá, meu nome é David. Mas você também pode me chamar de Mauricio. Em breve, quero que meu nome seja Mauricio David Romero Bordón. Legalmente, nasci no dia 15 de maio de 1987 em Córdoba, na Argentina. Como você já deve ter percebido pela confusão de nomes e pelo ‘legalmente’, minha história não é convencional. Ela termina com 25 mil pessoas me ajudando a buscar minha mãe pelo Facebook. Mas vamos ao começo.
Sou filho adotado. Meus pais de coração são Sara Bordón e Hugo Romero, mas pode chamá-los de Sarita e Chiche. Apesar do dogma em torno do tema, adoção nunca foi tabu na minha vida. Lembro claramente do dia em que meus pais me contaram a verdade. Eu tinha cinco anos e estava no jardim da infância. A professora pediu que levásssemos fotos nossas e de nossas famílias. Quando cheguei em casa, perguntei a mamãe como eu havia nascido e se ela tinha fotos da gravidez. Meus pais então me contaram que não eram meus pais de verdade. Recordo que entendi tudo, como se fosse adulto. Perguntei por minha mãe e disseram que ela estava morta.
Prematuro: Maurício nasceu após sete meses de gestação
(Fotos: arquivo pessoal)
Mas eles voltariam atrás. Todo domingo visitávamos parentes mortos no cemitério. Eu levava uma flor e colocava diante de uma imagem de Jesus Cristo. Era para minha mãe, que não pode me ver crescer. Até o dia, eu tinha seis ou sete anos, em que meus pais disseram que não sabiam se minha mãe estava viva ou morta. Uma senhora havia chegado na casa deles comigo no colo pedindo que cuidassem de mim e me amassem.
O tempo passou e em 2001 nossa família viveu uma situação muito difícil. Papai estava com câncer e precisava fazer uma operação muito arriscada e cara. Vendemos quase tudo para pagar, inclusive a sorveteria, que era o negócio da família. Graças a Deus e à medicina, meu pai se curou e hoje vive normalmente.
Superado o problema de saúde, veio o financeiro. Sem sorveteria, precisávamos de uma fonte de renda. Mas era época do governo De La Rúa e a Argentina sofria uma de suas piores crises econômicas. Foi então que encontramos um clube a seis quadras de casa. Ali, as pessoas faziam o escambo: trocavam roupas por comida, comida por algum tipo de material, etc. No caminho até lá, eu via uma casa que me agradava muito, mas que estava abandonada. Até que um dia meus pais me disseram que nos meus primeiros meses de vida eu morava naquela casa.
Eu sentia que meu sangue reconhecia aquele lugar. Corria o ano de 2001 e eu tinha 14 anos. Sarita e Chiche enfim contaram tudo que sabiam: eu cheguei com dois bilhetes. Eles informavam que meu nome é Mauricio Barrios e que nasci no dia 11 de janeiro de 1987, prematuro. Por causa disso, fiquei um mês internado. Meus pais de coração quiseram fazer o processo legal de adoção, mas isso não foi possível e eles tiveram de achar outro meio. Por isso me registraram como David em 15 de maio de 1987.
Quando completei 21 anos comecei a busca. Tinha mais esperanças de encontrar irmãos, já que sou filho único. Tentei encontrar informações no hospital onde nasci, mas não consegui nada. Eu não tinha o principal: o nome de minha mãe biológica.
Em Córdoba: Maurício promove passeatas para atrair atenção àqueles que querem saber a identidade biológica
Todos juntos
Foi então que tive a ideia de criar uma página no Facebook contando minha história e pedindo informações a quem pudesse me ajudar. Nomeei a página de ‘Busco A Mi Mamá’. Isso foi no começo de março de 2010. Em três dias, cerca de três mil pessoas faziam parte desse grupo. Em uma semana, eram dez mil. Vinte dias depois já eram 25 mil pessoas.
No meio da multidão, alguém me mandou uma pista pelo Facebook no dia 9 de abril: Iris, amiga de minha mãe, morava em Villa del Totoral (80 quilômetros de Córdoba). No dia seguinte fui para lá com dois amigos. Encontramos Iris e Stella Maris, mulher que ajudava a cuidar de mim no hospital. Mas elas não sabiam se minha mãe estava viva.
No dia 17, fui novamente para Villa del Totoral, dessa vez com meus pais. Seguimos pistas e fomos parar em San Pedro Norte, a 300 quilômetros de Córdoba. Não precisei de muita coisa: perguntei aqui e ali e logo cheguei à casa dos meus avós maternos. Foi muito emocionante ver meus traços naquelas pessoas, mas não disse que era neto deles com medo de que sofressem um baque – eles são muito velhinhos. Deixei meu telefone com primos de minha mãe. Dei uma volta na cidade e chorei ao visitar sua casa.
Voltei a Villa del Totoral, para encontrar meus pais, que haviam ficado lá. Enquanto eu falava com eles meu celular tocou. Era Patrícia, irmã de minha mãe. Ela disse que ficou sabendo da minha ida à cidade, disse que havia contado para minha mãe e quem em breve ligaria novamente com ela na linha. Enquanto esperávamos a ligação, demos as mãos e rezamos um Pai Nosso. Ao terminar a oração, o celular tocou. Lembro desse diálogo palavra por palavra:
Eu: ‘Alô’.
Mãe: (Silêncio)
Eu: ‘Quem está falando?’
Mãe: ‘Filho querido, sou eu, sua mãe. Não me odeie, me perdoe. Nunca me esqueci de você.’
Mauricio: ‘Fique tranquila, estou bem e sei que você também está. Não posso odiar você, nem guardar rancor. Você me deu a vida, não abortou, estou muito agradecido que você me manteve em seu ventre por sete meses. Graças a você, meus pais puderam seus pais.’
Assim, tive o final feliz com que sempre sonhei. Depois de 23 anos, após mover montanhas, conseguimos nos reunir”.
Fundação: Após encontrar a mãe, Maurício fundou a Hijos del Corazón
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19/07/2010 - 13:26 Enviado por: João
Muito emocionante!!! Laços afetivos nunca são desvinculados por mais distantes que estejam um do outro.
denunciar abuso -
19/07/2010 - 14:15 Enviado por: Luiz
Parabéns, se todos tivessem esse dom de perdoar, o mundo seria diferente.
denunciar abuso -
18/09/2010 - 10:24 Enviado por: sueli medeiros
Olá , Mauricio.
denunciar abuso
Fiquei emocionadissima com sua tragetoria de vida, e como Deus realmente nos ajuda em todos os momentos, colocando pessoas certas nos momentos certos em nossas vidas.
Gostaria de sua ajuda, não sou uma filha á procura de sua mamá, sou uma subrinha a procura de alguém que tenha conhecido minha tia brasileira. Ele viveu uma historia de amor com um argentino chamado Rodrigo Martins Hergana, se conheceram no Rio de Janeiro e ele a levou pra este país mui belo. Nós tínhamos fotos , cartas dela enviadas a nós, mais eu era muito pequena.
Segundo uma tia minha, eles moraram na Treze de Maio e depois em Cordoba, isso nos anos 80.Ficaria muito feliz se pudesse conhecer algúem que conviveu com minha tia e seu esposo.Sempre tive um sonho de conhecer o seu Pais, e hoje em dia quero muito mais , se Deus quiser me presentear com isso , ir a Argentina e conhecer amigos de minha tia Ilta da Victoria.
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