A movimentação do prefeito Fernando Haddad (PT), que pela manhã admitiu que pode rever o aumento na passagem de ônibus, causou apreensão entre integrantes do governo de Geraldo Alckmin (PSDB).
Tucano e petista pretendiam manter o discurso afinado a respeito do aumento nas tarifas de ônibus, trem e metrô. A ideia era manter a posição conjunta de que, do ponto de vista orçamentário, não era possível um recuo. Alckmin conversou por telefone com Haddad hoje à tarde e ouviu do prefeito, de novo, que não haveria como recuar do aumento de R$ 0,20. Integrantes das duas equipes também voltaram a conversar e, mais uma vez, houve a confirmação de que nada mudaria. Nas conversas, os dois lados ponderaram que, se os governos cedessem agora, ficariam reféns de novas manifestações.
Mas, no final da tarde, Haddad se encontrou com a presidente Dilma Rousseff, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o marqueteiro do governo e do PT, João Santana. O motivo do encontro foi buscar uma saída para a questão da tarifa do transporte, minimizando, assim, reflexos negativos dos protestos nas imagens de Dilma e Haddad.
A expectativa agora no Palácio dos Bandeirantes é a de que será anunciado algum recuo por Haddad, com o respaldo do governo federal. O que deixaria os tucanos com o abacaxi do aumento da tarifa dos trens e metrô. E isso os tucanos querem evitar, principalmente em véspera de ano eleitoral. Se não for possível dividir o ônus de uma medida impopular, a saída será dividir o bônus de um recuo.
A Prefeitura de São Paulo, administrada pelo PT, e o governo do Estado, do PSDB, estreitaram as pontes hoje para tentar buscar uma solução para a crise criada com as manifestações sobre o aumento da tarifa de ônibus. Por orientação do prefeito Fernando Haddad (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário municipal de Governo, Antonio Donato, e o estadual da Casa Civil, Edson Aparecido, conversaram por telefone para buscar uma saída conjunta que passe por um armísticio com o Movimento Passe Livre, que convocou as manifestações de ontem.
Os secretários falaram pela manhã sobre a possibilidade de o Ministério Público Estadual intermediar uma negociação com o movimento - hoje à tarde a Promotoria de Habitação e Urbanismo fez uma reunião com integrantes do Passe Livre e propôs um cessar-fogo em troca da suspensão temporária do aumento da tarifa. Para os secretários, o MP deve atuar como interlocutor dos governos e firmar acordo para que eventuais novas paralisações não atrapalhem o trânsito nem deem espaço para cenas de violência entre a Polícia Militar e os jovens. Não está em pauta, entretanto, reverter o aumento da passagem, que passará de R$ 3 a R$ 3,20.
Alckmin e Haddad estão em Paris, onde participam de eventos sobre a candidatura da cidade de São Paulo para sediar a Expo 2020. Desde que o petista assumiu o cargo, no começo do ano, mantém contato próximo com Alckmin. Segundo interlocutores de ambos os lados, os elogios são mútuos, a ponto de tucanos dizerem que a relação hoje com a Prefeitura é melhor que no governo de Gilberto Kassab (PSD), que era aliado do PSDB.
A aproximação tem uma razão política. Para os tucanos, é bom manter a porta aberta com o PT no Estado, apostando principalmente no eleitor que, em 2014, pode votar em Dilma Rousseff e em Alckmin, ambos candidatos à reeleição – seria uma aposta na chapa informal “Dilmin”, Dilma e Alckmin, a exemplo do “Lulécio”, Lula e Aécio Neves, que ocorreu na eleição de 2006 em Minas. Do lado petista, as parcerias com o governo do Estado ajudariam Haddad a fazer uma boa administração e se reeleger em 2016.
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O prefeito Fernando Haddad (PT) telefonou ontem para o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para convidá-lo a participar de uma reunião entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a comissão técnica da Expo 2020 – a cidade de São Paulo é candidata a sediar a Feira Mundial daqui a sete anos.
O encontro dos três, que vêm trocando elogios públicos, será na quarta-feira, no Palácio do Planalto.
Com Bruno Boghossian
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai inaugurar em março o escritório de representação do governo paulista em Brasília. O gabinete será coordenado pelo economista Silvano Gianni, que foi secretário-executivo da Casa Civil no governo Fernando Henrique Cardoso e dirigiu o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
O escritório paulista na capital federal está fechado desde 2010. Com a reativação do gabinete, Alckmin destaca uma equipe para acompanhar de perto a tramitação de projetos que podem reduzir a arrecadação de recursos pelo Estado – como a redistribuição dos royalties do petróleo e a revisão da partilha do ICMS. O time comandado por Gianni será responsável pela articulação entre o Palácio dos Bandeirantes e as bancadas de deputados e senadores de São Paulo.
O governo já alugou um conjunto de salas no edifício comercial do Brasília Shopping. Alckmin pretende inaugurar o escritório no dia 13 de março, quando estará na capital para um encontro de governadores com o novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB).
Ontem, o governador se reuniu com a bancada de deputados paulistas para discutir os projetos de interesse de São Paulo. O prefeito petista Fernando Haddad participou do encontro com outros dois parlamentares petistas.
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Diego Zanchetta
O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Teixeira (PV), chamou para as principais diretorias da pasta seus aliados que trabalharam no governo de Gilberto Kassab (PSD). Nenhum deles tem experiência em gestão ambiental dentro de órgãos públicos ou em empresas.
Para diretor de Parques e Áreas verdes, Teixeira chamou o ex-subprefeito de São Miguel Paulista e secretário-adjunto da Assistência Social, Milton Roberto Persoli, que ajudou o vereador e hoje secretário a formar reduto eleitoral na região do Jardim Pantanal, no extremo leste de São Paulo. Engenheiro da CET, onde conheceu Teixeira, o novo diretor de parques é pós-graduado na USP em Trânsito e Transporte.
Persoli também foi subprefeito da Freguesia do Ó e do Ipiranga na gestão Kassab. Ele entrou na Prefeitura em 2005, indicado pelo então prefeito José Serra para chefiar uma assessoria especial dentro da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.
Para a Diretoria de Planejamento Ambiental, Teixeira chamou Evando Reis, coordenador da Defesa Civil da Subprefeitura de São Miguel Paulista no governo Kassab. Reis é filiado ao DEM e já foi candidato a vereador.
Para chefiar o setor que decide as compensações ambientais dos grandes empreendimentos, Teixeira chamou seu advogado, Lucas Phelippe dos Santos. A diretoria de Finanças da pasta vai ficar com Jairo Galera, funcionário da Subprefeitura do Itaim Paulista no governo anterior. A chefe da comunicação e eventos vai ser a ex-chefe de gabinete de Teixeira no Legislativo, Liliana Pereira Piermarini Azambuja.
As indicações de Teixeira para as diretorias, só com aliados pessoais, mostram que o PV não deve estar tão alinhado com o governo Haddad na Câmara Municipal. As diretorias loteadas com aliados decidem coisas fundamentais na cidade, como a compensação ambiental das obras e de novos prédios. Procurado ontem pela reportagem para comentar a indicação de aliados, Ricardo Teixeira não retornou às ligações.
A assessoria de Haddad informou que “o secretário municipal de Verde e Meio Ambiente tem autonomia para compor sua equipe e responsabilidade pelo cumprimento de metas estabelecidas para seu setor.”
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Com Diego Zanchetta
A família Tatto voltou a ganhar força na Prefeitura de São Paulo com a eleição de Fernando Haddad (PT). O deputado federal Jilmar Tatto, líder do PT na Câmara dos Deputados, foi indicado secretário de Transportes do novo governo. Arselino Tatto, outro irmão, será o líder do governo na Câmara Municipal. Ele chegou a ser cotado para a presidir a Casa, mas o posto ficará com o vereador José Américo (PT).
Há ainda mais dois irmãos, o deputado Enio Tatto, que continuará na Assembleia atuando em sintonia com a gestão municipal, e Jair Tatto, que foi eleito para o seu primeiro mandato e engordará a base governista de Haddad na Câmara Municipal, que já é formada por 11 petistas.
A família, que tem sua força eleitoral na zona sul paulistana e pertence à tendência PTLM (Partido dos Trabalhadores de Lutas e de Massas), não tinha tanta influência desde o governo de Marta Suplicy (2001-2004), quando Arselino foi presidente da Câmara e Jilmar secretário de Transportes.
Jilmar chegou a se inscrever para disputar as prévias que escolheriam o candidato do PT à Prefeitura neste ano. Acabou negociando uma composição a favor da candidatura de Haddad.
Em tempo: o líder do PT na Câmara Municipal será o vereador Alfredinho.
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Prestes a embarcar na base aliada do governo federal, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) brincou com os “adversários” tucanos que estavam em Paris, onde foi apresentado o projeto de candidatura de São Paulo à Expo 2020. No hotel da comitiva brasileira, anteontem, Kassab estava ao lado do prefeito eleito Fernando Haddad (PT) e de outros integrantes da Prefeitura, quando se aproximou Edson Aparecido, secretário estadual de Desenvolvimento Metropolitano do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem o prefeito é desafeto.
Ao ver Aparecido, Kassab disparou, em tom de brincadeira: “Cuidado. Aqui você (do PSDB) é minoria”. A aproximação de Kassab com o PT paulistano, minutos depois de encerrada a eleição municipal, foi alvo de críticas de tucanos, inclusive de aliados do ex-candidato José Serra, politicamente ligado ao prefeito até a disputa municipal deste ano.
A comitiva brasileira, formada ainda pelo ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) e pelo secretário paulista Sidney Beraldo (Casa Civil), ficou impressionada com o empenho de Dubai (Emirados Árabes), concorrente de São Paulo, em levar a Expo 2020, considerada o terceiro maior evento mundial depois da Copa e das Olimpíadas. A cidade fez hoje uma apresentação encerrada por Bill Gates e promoveu ontem um jantar para 2 mil pessoas na Ópera de Paris. A candidatura de São Paulo teve atuação mais discreta, com um coquetel na Embaixada Brasileira anteontem.
Apesar do empenho de Dubai, os brasileiros acham que ainda há espaço para São Paulo. Apostam no fato de que nunca uma cidade da América do Sul foi escolhida para sediar a Expo. Também destacam o projeto de infraestrutura e desenvolvimento de Pirituba, onde seria realizada a feira. Em abril de 2013, haverá nova apresentação, quando a capital paulista pode receber maior apoio do governo federal, já que o petista Haddad será o prefeito paulistano.
Apenas em novembro do ano que vem será conhecido o nome da cidade vencedora, que deverá receber cerca de 30 milhões de visitantes durante os seis meses que sediará a Expo 2020. Além de Dubai, São Paulo concorre com Izmir (Turquia), Ekaterinburgo (Rússia) e Ayutthaya (Tailândia).
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Com Bruno Boghossian e Fernando Gallo
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deixou o debate na Band, ontem à noite, antes do término. Ao sair do local, passou por um grupo de jornalistas. “Meu sonho era ter um debate entre os jornalistas. A gente ficaria assistindo daqui da plateia e avaliando quem responde melhor”, afirmou. O tucano também disse que sentia falta de Levy Fidelix (PRTB) no encontro – no 1º turno, o candidato do PRTB se destacou pelas ironias e ataques aos adversários.
Ao lado do governador, o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, comentou a indicação para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que será apoiada por Alckmin. “Os deputados ainda precisam aprovar”, dizia, cauteloso. Mesmo assim comemorou: “É menos trabalho, com salário maior”.
Alckmin anotava em um papelzinho números que Haddad falava sobre investimentos, obras e serviços do governo do Estado e que considerava duvidoso. “É para checar depois”, explicou. Foram para a lista comentários sobre segurança pública e construção de casas populares.
Na plateia, Monica Moura, mulher do marqueteiro do PT, João Santana, elogiava o desempenho de Haddad. Ela recebia pelo celular mensagens da responsável na campanha por conduzir as pesquisas qualitativas em grupo de eleitores. “Haddad está seguro. Serra atacando mesmo entre os petistas”, estava escrito em uma das mensagens que Monica recebeu. Numa cadeira dentro do palco, de onde acompanhava o desempenho do cliente, Santana chegou a bater palmas para protestar: nos últimos segundos do quarto bloco, Serra ultrapassou o tempo em uma resposta na qual criticava o Enem, mas a emissora não cortou o áudio.
O presidente do PPS, Roberto Freire, ironizou declaração de Haddad sobre a eleição em Osasco. O petista citou o tucano Celso Giglio que teve a candidatura impugnada em razão da Lei da Ficha Limpa. “Só faltou dizer que o Giglio pode ter sido cassado, mas o candidato do PT vai parar na cadeia”, declarou sobre João Paulo Cunha, que desistiu da candidatura na cidade, após ser condenado no processo do mensalão.
No final do debate, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), ironizou: “Estou preocupado. Acho que Serra quer ser prefeito de Osasco”. Era uma resposta às acusações do tucano sobre um terreno abandonado na cidade, onde seria construída uma universidade federal.
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, passou por Emídio, que o puxou pelo braço e disparou: “Vou mudar meu nome para Emídio de Souza Tatto”. O petista referia-se à família do aliado, que emplacou dois integrantes na Câmara Municipal na eleição deste ano – agora a dinastia política dos Tatto é composta por dois vereadores, um deputado estadual e um federal. O parlamentar rebateu: “Não precisa, mas depois me fala como fazer para ganhar uma eleição tão rápido”. O candidato de Emídio, Jorge Lapas, foi eleito prefeito numa campanha de cerca de 15 dias, após a desistência de João Paulo Cunha.
Os petistas perceberam a ausência do candidato derrotado do PMDB, Gabriel Chalita, no encontro da Band. O coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, ficou tenso ao perceber que a equipe poderia ter esquecido de enviar convites para o aliado. Mas o vereador José Américo, responsável pelos convites, tranquilizou. “Nós mandamos para Chalita e para a Marianne Pinotti. Foram todos convidados pela equipe da primeira-dama”", afirmou sobre a mulher do candidato, Ana Estela.
José Américo brincou com o jornalista Fábio Portela, responsável pela comunicação da campanha de Serra, sobre o acordo firmado para derrubar os debates do segundo turno. Os candidatos tinham pedidos de oito emissoras, mas se juntaram para limitar os confrontos para quatro redes de TV. “Foi o maior acordo que já conseguimos fazer”, afirmou Américo.
Em lados opostos na plateia da Band, os deputados Paulo Teixeira (PT) e Jutahy Júnior (PSDB) se encontram no final do debate. O petista foi irônico. “Veio representar a bancada federal?”, questionou sobre a ausência de nomes do PSDB nacional. “A situação pelo jeito tá resolvida na Bahia”, completou sobre a candidatura de ACM Neto, apoiada por Jutahy.
Além da presidente Dilma Rousseff, que participará de comício de Fernando Haddad (PT) no sábado, a ministra Marta Suplicy (Cultura) também desembarca em São Paulo no próximo fim de semana para fazer campanha para o candidato do PT. A petista cumprirá uma agenda própria, sem a presença de Haddad. Fará mini-comícios, segundo integrantes da campanha, no extremo sul da cidade, região onde tem o seu melhor desempenho eleitoral. A previsão é que Marta visite Capela do Socorro e Grajaú.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem participado de agendas com o candidato tucano, José Serra, na capital paulista, aproveitará o sábado para fazer campanha para candidatos do PSDB pelo interior. Estão previstas visitas a Ribeirão Preto, onde o PSDB lançou Duarte Nogueira, e a Franca, onde o candidato tucano é Alexandre Augusto Ferreira. Pré-candidato à reeleição em 2014, Alckmin tem se envolvido diretamente nas costuras de alianças no segundo turno pelo Estado.
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A equipe do tucano José Serra faz hoje a primeira reunião da coordenação da campanha com integrantes dos demais partidos que se aliaram ao PSDB no segundo turno. Às 10 horas, no comitê de campanha, os ex-candidatos à Prefeitura de São Paulo Paulinho da Força (PDT) e Soninha Francine (PPS), além do presidente do PTB paulista, Campos Machado, discutirão os rumos e a participação na campanha.
Depois, às 13 horas, haverá encontro de Serra com prefeitos eleitos por partidos aliados em todo o Estado. A ideia é mostrar força e unidade em torno do tucano. Participam do evento o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD).
Haddad também fará evento político nesta semana. Na quarta-feira, às 13 horas, no Sindicato dos Eletricitários, o petista receberá apoio de parte dos integrantes da Força Sindical, cujo presidente é Paulinho, que está com Serra.
A decisão do pedetista de apoiar o PSDB causou insatisfação em setores da entidade ligados ao governo federal, que disseram não ter sido ouvidos pelo presidente. O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, estará no encontro de apoio ao petista. Além dele, participará o ministro Brizola Neto (Trabalho), que também é do PDT.
Assim que acabou o primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff conversou com ministros sobre o apoio ao candidato petista em São Paulo.
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