Julia Duailibi - Estadao.com.br
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Principal articulador da candidatura do senador Aécio Neves a presidente da República pelo PSDB em 2014, o deputado Sérgio Guerra (PE), à direita na foto, minimiza o pouco entusiasmo com que líderes paulistas, como o governador Geraldo Alckmin, tratam publicamente a candidatura do mineiro. “Ele (Alckmin) considera Aécio um excelente candidato a presidente”, afirmou o tucano, para quem há apoio dos “paulistas” ao presidenciável.

Guerra também afirma que o partido errou ao não defender o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e diz não acreditar que o ex-governador José Serra sairá do PSDB. O deputado deixa hoje o cargo de presidente do PSDB, que passará a ser ocupado por Aécio, num primeiro movimento para preparar sua candidatura ao Palácio do Planalto. Guerra deverá ocupar a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos e pesquisas ligado ao partido.

Leia abaixo a entrevista, que teve trechos publicados na edição impressa do Estado.

Aécio será eleito presidente do PSDB. Esse é o primeiro passo para a sua candidatura presidencial. O que muda no partido com um presidente candidato?
Para o partido, a eleição dele é um estímulo a sua reorganização e a sua mobilização. Um líder que é seguramente um grande nome brasileiro, que passa a desenvolver a experiência e liderança no PSDB e na sociedade, por todo País. O PSDB vai torná-lo mais conhecido do povo, da população, e do próprio partido.

Mas definir um candidato a presidente com antecipação não fragiliza o partido e desgasta o candidato?
O PSDB deve identificar ao longo deste ano o seu candidato a presidente. E, me parece cada dia cada vez mais evidente, o senador Aécio Neves deverá ser esse candidato. Essa convicção só ajuda o partido e só ajuda o candidato. Isso não tem nada a ver com campanha. Neste instante os nomes citados para presidente da República já são conhecidos. Não estamos, elegendo Aécio presidente do PSDB, alternando uma situação. Os candidatos que o Brasil já conhece são Aécio, Dilma, Marina e outros.

O próprio Aécio resistia a se tornar presidente do PSDB por ponderar que havia um risco de desgaste, inclusive com potenciais aliados.
Aécio não gosta de assumir responsabilidades sem que esteja preparado sob todos os aspectos. Ele agora tem clareza sobre o trabalho que irá fazer na presidência do partido.

Alckmin diz que é cedo para definir candidaturas e que há outros nomes no PSDB. De certa forma, coloca um freio na consolidação do nome de Aécio como candidato a presidente da República pelo partido. 
Se o PSDB tem outros nomes além de Aécio, melhor para o partido. Melhor ainda se desenvolvermos no partido essa discussão.

Serra é um desses candidatos?
Na minha opinião pessoal, neste instante, acho que não. Não consigo ver o Serra novamente candidato a presidente da República.

Por quê?
Por uma razão objetiva: assim como o nome dele era óbvio há dois anos , o nome mais provável para a próxima eleição é Aécio. Isso não quer dizer que o Serra não possa vir a ser presidente da República. Eu votei nele uma vez e votaria de novo.

Aécio atualmente trabalha para atrair o apoio do PSDB paulista. Há resistência em São Paulo a sua candidatura?
Essa eleição provavelmente não verá candidatos paulistas a presidente da República. Essa é uma eleição que será disputada sem que um candidato paulista relevante se coloque. Assim como Aécio tem necessidades de andar pelo Brasil, vencer o desconhecimento e estabelecer uma visão cada vez mais múltipla do País, mais ainda terá que fazer ele em relação a São Paulo, em razão da importância política econômica e social.

Mas há resistência a ele?
Não conheço. Não identifico resistência a Aécio em São Paulo nem em nenhum lugar. Aliás, essa é uma das características positivas de sua candidatura.

Alckmin não dá declarações contundentes de apoio a Aécio e até tentou desmarcar evento em São Paulo em março, no qual o senador foi aclamado presidenciável do partido.Caso o PSDB não vença a eleição em 2014, em 2018 haverá uma disputa entre Alckmin e Aécio pela indicação para disputar a Presidência.
O governador Geraldo Alckmin defende uma estratégia de campanha. Mas ele considera Aécio um excelente candidato a presidente.

O partido não consegue construir a unidade em razão de projetos pessoais das suas lideranças?
Com toda franqueza, não vejo isso no PSDB. E acho que outros partidos têm mais esse problema que nós. Há divergências importantes no PSB. Marina, que foi uma candidata importante, saiu do partido dela (o PV). Os conflitos no PT são mais do que famosos. E, às vezes, resolvidos de forma sangrenta. O PSDB tem muita democracia e terá cada vez mais.

O partido nunca fez uma prévia para escolher o candidato a presidente.
O PSDB escolherá o candidato a presidente com a participação de todos os seus membros. Os membros do PSDB na sua imensa maioria defenderam a candidatura de Serra para presidente, da mesma forma que percebo tendência para a defesa da candidatura de Aécio. Não é questão de dois ou três iluminados. É a questão do partido inteiro.

No passado recente, a candidatura de Alckmin a presidente foi definida num jantar com quatro caciques…
Não será assim. Já não é assim.

Para tucanos, Serra blefa com a história de sair do partido para conseguir mais espaço na direção do PSDB?
Acho que o Serra é alguém profundamente preocupado com o PSDB. Tem profundo prestígio nacional e a opinião dele deve ser ouvida pelo partido o tempo todo. Não acho que o Serra pense em sair do partido.

Por que ele não mergulha no projeto do Aécio, se é o que o partido quer, segundo o sr.?
O projeto de Aécio está sendo desenvolvido, não está pronto. Para que ele fique pronto, tenha começo, ele precisa do Serra. Isso é na hora do Serra falar. Acho que Serra dará apoio. Acredito nisso.

FHC disse que partido precisava se aproximar do povo.
O PSDB precisa se identificar com população brasileira, com as novas formas sociais que se apresentam, e precisa estar mais próximo do eleitorado mais pobre, de menor renda. Precisa enfrentar o PT nas áreas mais populares. Isso implica em um discurso justo que dê continuidade ao que fizemos no passado. Precisamos ter propostas para melhorar as condições sociais do povo brasileiro, como fazemos nos governos estaduais.

Mas a população avalia mal os governos do ex-presidente FHC.
A gestão do FHC tem avaliação crescente na população. É evidente que muito que fizemos, especialmente no campo social, foi apropriado pelos governos que nos sucederam. Nós não defendemos nosso legado como deveríamos, essa é uma velha conversa.

Foi um erro?
Foi um grande erro não termos defendido por muito tempo o legado do período de FHC. O PSDB só é o PSDB fazendo como deve a defesa do seu legado.

E por que não o fez?
Porque havia taxas de aprovação que eram negativas e conjunturais.

Isso mudou?
Acho que, com toda clareza, o PSDB se orgulha hoje do seu legado e assumiu isso com todas as letras.

Aécio será um candidato melhor que Alckmin, em 2006, e Serra, em 2002 e 2010?
Alckmin foi um candidato excepcional. Serra fez um grande trabalho. Mas acho que um candidato que tenha sido governador de um Estado como Minas e que tenha a capacidade de liderança que Aécio tem é ajustado para a campanha que se vai fazer de agora para frente.

Aécio terá dificuldade de fazer alianças e conseguir um tempo de TV competitivo para enfrentar a máquina do governo?
Isso tem aspectos positivos e negativos. O aspecto mais positivo é que candidaturas múltiplas entendem um cenário plebiscitário. Os partidos terão dificuldades de fazer alianças, porque serão disputados por pelo menos outros quatro candidatos. Mas o PT terá seguramente um grande problema tendo que enfrentar, por exemplo, Aécio em Minas e no Sudeste e Eduardo Campos em Pernambuco e no Nordeste. Múltiplas candidaturas nos garantem desde já o segundo turno. Mais candidatos, menos alianças. Mas mais possibilidade de segundo turno.

O DEM apoiará o PSDB?
É muito cedo para dizer, falar de alianças sólidas. O Democratas é um aliado tradicional do PSDB e é provável que continue.

A candidatura de Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, ajuda o PSDB a forçar o 2º turno?
Acho que é boa para o País porque, entre outras coisas, é um candidato que tem ideias e projetos, ajuda a democracia e garante uma discussão mais aberta. Nos limpa do discurso de sempre, que nós somos da elite e eles são do povo. Porque a população já não aceita mais isso. População quer várias alternativas, sabe que a vida é mais complexa, o mundo é mais complicado e que há várias propostas para o Brasil. Não é uma questão de ser contra ou a favor, mas de ter um projeto.

O PSDB negociou uma aliança entre Campos e Aécio já para o 1º turno?
Não porque o PSDB terá antes que desenvolver um trabalho interno de consolidação da candidatura de Aécio e somente no segundo momento é que ele vai cuidar de alianças de uma maneira especial. E, neste caso, o PSB também tem o mesmo desafio que nós, o de desenvolver o candidato e colocá-lo para discutir alianças. Esse é o momento de desenvolver o candidato. Não faz sentido um outro partido, que tem também a ideia de desenvolver um outro projeto presidencial, de cogitar as alianças.

Eduardo Campos vai buscar o eleitorado governista?
Eduardo fará críticas ao governo atual em muitos aspectos e desenvolverá o seu discurso a partir daí. Ele fala de continuar, por isso o discurso dele é de fazer mais.

Lembra o do Serra, candidato da oposição em 2010, que dizia “O Brasil pode mais”.
Inegavelmente lembra o nosso discurso…

O que o sr. acha de uma chapa puro sangue do PSDB em 2014?
Não deve ser o objetivo. Para Aécio, é indispensável que tenha o apoio real e integral do PSDB. Isso não quer dizer que ele não possa e não deva fazer articulação com uma chapa combinada com outros partidos. Mas a prioridade de um candidato do nosso partido é começar a consolidar o PSDB, que por si só já tem uma grande força.

Qual balanço o sr. faz da sua gestão?
O partido de oposição no Brasil é um projeto extremamente difícil. O governo e o PT jogam muito duro. E, muitas vezes, de forma pouco republicana. Resistimos à pressão e somos um partido que governa mais da metade do Brasil. Acho que isso aconteceu porque o partido não teve donos, porque disputou eleições de forma convincente, com Geraldo e Serra, e porque é crescentemente democrático. Ajudei nisso. Acho que o tempo em que fui presidente foi sempre para favorecer a ideia de mudar e renovar o PSDB.

 

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O presidente do PSDB paulista, deputado Duarte Nogueira, divulgou uma nota hoje na qual rebate as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para quem não existe político “irretocável“. “O ex-presidente disse que ‘político ético, de comportamento irretocável, não existe’. Por esta afirmação, relembro Mario Covas (‘asseguro, sem vacilação, que é possível conciliar política e ética, política e honra, política e mudança’)”, disse o tucano.

“Em pouco mais de uma semana, o ex-presidente Lula tenta dar sinais de lucidez com sinal trocado. Há cerca de dez dias, ele disse que o PT precisava recuperar princípios e valores. Só é possível achar aquilo que se perde, e não o que se abandona. E o PT abandonou seus princípios e valores”, completou.

Nogueira também criticou os ataques de Lula à imprensa,  que seriam, segundo ele, uma demonstração de que o ex-presidente e o PT  ”não conseguem conviver com o contraditório”.

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O vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) entregou hoje uma carta ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), na qual pede exoneração da presidência do Conselho Gestor das Parcerias Público-Privadas, função que ocupava desde 2011.

Ele também informou que abrirá mão dos vencimentos que recebe como vice-governador e que optará pela remuneração de ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, cargo para o qual será nomeado nesta quinta-feira. O salário bruto de vice-governador é de R$ 19.629. Já o de ministro é R$ 26.723,13.

Afif assumirá um ministério de Dilma Rousseff (PT), mas não renunciará ao cargo de vice de Geraldo Alckmin (PSDB).

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O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP), indicou o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) para relatar o projeto de lei que regulamenta a atividade das profissionais do sexo. O parecer da proposta, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-SP), será votada no plenário da comissão.

É a segunda relatoria de projeto polêmico que Feliciano entrega para integrantes da bancada evangélica. O presidente da comissão já havia indicado o deputado Anderson Ferreira (PR-PE) para relatar o projeto chamado de “cura gay”, que propõe a supressão de parte de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que condena terapias de reversão da homossexualidade. O projeto havia recebido parecer favorável de Ferreira e seria votado hoje na comissão. O presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), pediu a Feliciano que adiasse a votação. 

Tanto Pastor Eurico (PSB-PE) quanto Anderson Ferreira foram indicados para as respectivas relatorias no final de março. A nomeação não foi publicada na página da comissão, onde constam as informações sobre as relatorias.

 

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O vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), convidado pela presidente Dilma Rousseff para ser ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, abrirá mão de um dos salários a que terá direito, já que não renunciará à vice-governadoria.

Como Afif trabalhará em Brasília e não deve assumir o governo do Estado quando Geraldo Alckmin viajar – o vice pretende viajar também, fazendo com que assuma o governo do Estado o próximo na linha de sucessão, o presidente da Assembleia, Samuel Moreira (PSDB) -, a tendência é que ele opte pelo salário em Brasília.

O salário bruto no governo paulista é de R$ 19.629. Já o salário de ministro é mais atrativo: R$ 26.723,13.

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O convite para o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD) ocupar o Ministério da Micro e Pequena Empresa é a concretização da aliança do PT com o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab e ex-adversário dos petistas em São Paulo. Aliança que já existe no Congresso e que ficará ainda mais visível na eleição do ano que vem, a despeito das declarações de líderes do PSD, entre eles do próprio Kassab, de que o partido manterá independência em relação ao governo.

O PSD afirma que a indicação de Afif não significa a entrada do partido na base governista e que a nomeação é da cota pessoal da presidente Dilma Rousseff. Na realidade, líderes da legenda admitem nos bastidores que o partido não se sentiu contemplado com o ministério dado à legenda, considerado pequeno. O foco era a pasta das Cidades ou do Transportes.

A ida de Afif para o governo petista é um constrangimento para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que já não mantinha boa relação com vice desde 2011, quando o demitiu da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Na época, o tucano resolveu tirar o vice do posto de secretário como retaliação pelo fato de Afif ter decidido trocar o DEM, partido aliado, pelo PSD, partido de Kassab, adversário de Alckmin que tem pretensões políticas em 2014, quando o governador disputará a reeleição. Além de ter o vice atuando no governo do PT, maior adversário do tucano, há a questão da hierarquia. O vice-governador não responde ao presidente da República, mas o ministro, sim. E aí, perguntam os tucanos?

Os tucanos sabiam que a nomeação sairia nos próximos dias e até chegaram a trabalhar com a hipótese de Dilma fazer o convite hoje, durante a cerimônia de posse do novo presidente da Associação Comercial de São Paulo, Rogério Amato. A orientação agora no Palácio dos Bandeirantes é não comprar briga. Embora a situação de Afif seja questionada do ponto de vista jurídico, Alckmin não pretende se desgastar por causa da decisão do vice, que deve manter o cargo em São Paulo. Os dois acabaram de ter uma conversa, considerada “amigável”. O Palácio dos Bandeirantes soltará duas notas, uma de Afif e outra de Alckmin, para comentar a situação. Publicamente, serão só elogios.

Uma das soluções técnicas apontadas para Afif, que consultou juristas sobre a situação de acumular a vice e o ministério, seria também viajar quando Alckmin tiver de deixar o País, situação em que seria obrigado a assumir o governo do Estado. Alckmin chegou a ouvir de aliados que, se quisesse dar o troco em Afif, poderia viajar no dia em que o vice assumir o ministério. Sem cumprir com a obrigação constitucional em São Paulo, o vice poderia ser submetido a um processo de impeachment pela Assembleia.

Na teoria, tudo bem. Mas na prática a história é diferente. Por hora, Alckmin não vai comprar essa briga. A ideia é deixar que Afif e o seu partido, o PSD, se desgastem sozinhos com a situação considerada “esdrúxula” pelo governo estadual.

 

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A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Clara Goldman, criticou a decisão do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de colocar na pauta de votação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, na semana que vem, o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, conhecido como “projeto de cura gay”. De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), a proposta pretende suprimir parte de uma resolução do CFP de 1999, que pretende coibir as chamadas “terapias de reversão”, que propõem a cura da homossexualidade.

“Existem grupos que dizem que a orientação sexual pode ser revertida. Mas funcionam ao arrepio da resolução. No momento em que parte da resolução cair, não haverá mais obstáculos éticos e técnicos para o avanço dessas terapias e das propostas de cura da homossexualidade”, afirmou Goldman.

Leia abaixo a entrevista.

Como a sra. viu a decisão de Feliciano de colocar o PDL 234/11 para votação na semana que vem?

Na verdade, havia uma expectativa de que a comissão, no exercício de sua missão no Parlamento, desse uma outra configuração a essa pauta. Estamos acompanhando um processo histórico de ameaça à democracia brasileira num momento em que o Parlamento exorbita suas funções para entrar na seara das questões ligadas ao exercício profissional. Essa resolução tem mais de dez anos. A única situação em que se justificaria um projeto dessa natureza seria se houvesse prejuízo à sociedade. E essa resolução é reconhecida nacional e internacionalmente. É absolutamente incompreensível que esse projeto, além de ter um parecer favorável, seja colocado em votação. É um tipo de projeto que deveria ter sido arquivado há muito tempo.

Por que?

É um projeto de interesse dos grupos conservadores. Fica clara a urgência de colocar em pauta. Essa resolução é um marco. O Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a questão da homossexualidade como doença. A grande questão é que essa resolução representa um obstáculo concreto ao avanço das terapias de reversão. A Organização Panamericana de Saúde diz que as supostas terapias de reversão carecem de justificativa científica e são eticamente inaceitáveis. Carecem, inclusive, de justificativa médica.  E recomenda que sociedade denuncie as iniciativas às autoridades competentes e que essas iniciativas sejam eventualmente punidas, porque além de violarem direitos humanos não têm nenhuma sustentação do ponto de vista ético e médico. Existe um grande equívoco dos argumentos.

O projeto de Campos diz que “o Conselho Federal de Psicologia, ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional, por intermédio do questionado ato normativo, extrapolou o seu poder regulamentar”.

Há um interesse de que essas terapias possam ser liberadas e possam avançar no sentido de práticas profissionais. Em nenhum momento, a resolução limita o exercício profissional. Pelo contrário, ela qualifica ao dizer que qualquer trabalho com grupos LGBT tem que estar pautado no respeito aos direitos humanos. Então, não podemos inaugurar qualquer projeto terapêutico propondo a cura. Derrubando essa resolução nós estaremos abrindo um grande mercado de terapias que visam colocar, inclusive, a população LGBT em situação de constrangimento, de vergonha. Porque, na verdade, esse projeto é homofóbico. Não lida com a questão da livre orientação sexual como um direito humano.

A sra. acha que a alteração da resolução aumentaria a oferta desse tipo de tratamento?

A intenção é essa, até porque já existem instituições que fazem isso e que precisam ser denunciadas. Existem grupos que dizem que a orientação sexual pode ser revertida. Mas funcionam ao arrepio da resolução. No momento em que parte da resolução cair, não haverá mais obstáculos éticos e técnicos para o avanço dessas terapias e das propostas de cura da homossexualidade. Essa resolução não foi construída da noite para o dia ou por uma ou duas pessoas. Ela faz parte de uma construção de um projeto nacional. Essa questão foi abordada nos congressos, a sociedade participou, então ela não interdita de forma alguma o atendimento. As pessoas homossexuais continuarão atendidas pelos psicólogos, que continuarão defendendo a promoção dos direitos humanos, mas não vamos legitimar a terapia da reversão.

Então, o que está por trás de voltar a homossexualidade como condição de doença? A homofobia, a violência contra as pessoas LGBT são fatos concretos. Precisamos fazer o enfrentamento da homofobia na perspectiva social, defendendo os direitos da livre orientação. É nesse sentido que esse PDL vai na contramão dos direitos humanos. Embutido em tudo isso há a livre crença de que a orientação sexual deve ser mudada. E aparece um monte de bobagens. Aonde nós chegamos? Agora são os homossexuais. Não sei contra quem os fundamentalistas vão se voltar no próximo mês. Quem vai barrar essa escalada?

Quais medidas o CFP pretende tomar? 

Existem as medias práticas e as políticas. Estamos adotando o caminho do diálogo. De explicitar que o que nós defendemos é um exercício profissional ético e comprometido com os direitos humanos. Nós precisamos fazer o enfrentamento de muitos retrocessos sociais. O Brasil fez a Conferência LGBT, mais de um encontro, e o Parlamento está discutindo a terapia de reversão. Acho que o governo tem de se posicionar de uma maneira mais efetiva. Por trás desse projeto, existe a intenção de criminalizar movimentos sociais e o preconceito sobre a orientação sexual. A gente vai ouvir um dia: quem mandou ele ser gay, tinha terapia para mudar, ele não quis.

Esse é um projeto indutor e provocador de violência, desqualificador dos avanços e homofóbico. Nós precisamos que o Estado brasileiro se pronuncie de uma maneira mais efetiva.

 

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O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP), colocou na pauta a votação do chamado projeto de “cura gay”. A proposta do tucano João Campos (PSDB-GO), que pretende suspender norma do Conselho Federal de Psicologia que proibia os profissionais da área de tentarem alterar a orientação sexual do paciente ou atribuir caráter patológico à opção sexual, já recebeu parecer favorável do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), indicado por Feliciano para a relatoria. O presidente da comissão, o autor do projeto e o relator são pastores evangélicos.

O Projeto de Decreto Legislativo de Campos será apreciado pelo plenário da Casa na próxima reunião da comissão, no dia 8. Depois, segue para a Comissão de Seguridade Social e Família e, em seguida, para a Comissão de Constituição e Justiça.

 

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A disputa entre os grupos do senador Aécio Neves (MG) e do ex-governador José Serra (SP) alcançou a eleição para a Juventude do partido, que também ocorrerá no dia 18 de maio, quando será escolhida a nova direção do PSDB – e quando Aécio deverá ser eleito presidente do partido e o deputado Sergio Guerra (PE), que ocupa o cargo hoje, presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Ontem, a Juventude do PSDB de Piauí soltou um manifesto “reivindicando eleições” para a escolha do novo presidente da Juventude. “O voto expressa a vontade da base”, disse o manifesto. O grupo defende o nome de Wesley Goggi (ES), ligado a Serra. Aécio, no entanto, quer na presidência da Juventude o prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, de 28 anos, o mais jovem prefeito do partido.

Na semana passada, a direção nacional do partido indicou o secretário-geral da sigla, deputado Rodrigo de Castro (MG), aliado de Aécio, para acompanhar a eleição na Juventude, que tradicionalmente se dá pela criação de uma chapa de consenso. A ação foi vista como uma tentava de controlar a eleição e garantir a eleição de Leite.

 

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Em São Paulo para participar das comemorações do 1º de Maio, o senador Aécio Neves terá encontro com integrantes do PSDB-SP. A reunião será no hotel Unique pela manhã, quando o presidenciável tucano receberá dos paulistas documentos elaborados pelo grupo durante o congresso estadual do partido, realizado nos últimos dois meses.

Em um dos encontros do congresso, Aécio foi convidado pelo presidente do PSDB-SP, Pedro Tobias, para dar uma palestra, o que criou uma polêmica interna. José Serra não foi ao encontro, e o governador Geraldo Alckmin tentou desmarcar o evento para evitar problemas com o grupo serrista.

Líderes do PSDB no Estado já defendem abertamente a candidatura de Aécio à Presidência da República pelo PSDB.

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    Julia Duailibi

    Julia Duailibi é repórter de política do Estadão. Já trabalhou na TV Bandeirantes, Folha de S. Paulo e revista Veja. É formada em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero e em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas.

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