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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
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Ziraldo, estrela da Bienal

Categoria: Literatura

Nos mais de 30 anos em que frequenta a Bienal do Livro de São Paulo, o escritor Ziraldo já presenciou os mais diversos modismos editoriais: esoterismo, autoajuda, padres-escritores, romances históricos, séries de vampiros, anjos e crianças que têm de lidar com o fato de não serem nada populares na escola. Viu Paulo Coelho, Lair Ribeiro, Dan Brown, Stephenie Meyer e padre Marcelo Rossi chegarem ao topo das listas de mais vendidos, e, em alguns casos, sumirem. E não saiu de moda.
Ziraldo, 8 milhões de livros vendidos em 32 anos, é o que o mercado editorial chama de autor long-seller. A concorrência, é certo, aumentou nesses anos, e se hoje ele não vende mais as quantidades que vendia no lançamento de “O Menino Maluquinho”, em 1980, quando novas impressões iam da gráfica para a feira, suas sessões de autógrafos continuam sendo das mais concorridas da Bienal. Em 2010, assinou 1820 livros no estande da Melhoramentos.
Na edição que começa amanhã e segue até dia 19, a tradição deverá ser mantida. Estão programados sete encontros com o escritor no estande de duas editoras. Ele lança “O Grande Livro das Tias”, que reúne três obras já lançadas sobre “o maior amigo do homem enquanto menino”: “Tantas Tias”,”Tia Nota Dez” e “Tia, Te Amo”. Autografa também “Os Meninos de Marte”, quinto volume da série “Os Meninos do Espaço”, que Ziraldo criou para enganar a morte. Inventou de escrever 10 títulos para a série e tem saído um por ano. “Já garanti mais cinco, até os 85 eu vou”, brinca ele, que completa 80 anos em 14 de outubro.
Outros dois volumes dessa obra já estão na cabeça do escritor: do menino de Vênus e de Saturno. “Eu não sabia que Saturno era um planeta tão confuso e complicado, mas já entendi.” Na Bienal, vai autografar ainda o aplicativo para iPad “As Grandes Histórias do Menino Maluquinho – Ele é o Cara”, lançado pela Globo em 2012.
Ziraldo está trabalhando em outros tantos projetos. Quer montar uma exposição no Rio com desenhos de “mulheres bonitas” e não para de escrever e ilustrar. Para o aniversário, a Globo, que concentra os títulos em HQ, lança “Os Zeróis”, com desenhos dele inspirados em comics americanos e quadros de Picasso e Dalí. Estão previstos, ainda, novos álbuns para Julieta e Menino Maluquinho.
Ele está empenhado em terminar de ilustrar “O Reizinho do Castelo Perdido”, que faz parte do projeto que já lançou um livro, “O Maior Anão do Mundo”, escrito por Ziraldo e ilustrado por Mauricio de Sousa, e prevê a inversão dos papéis agora. “O Mauricio demorou a me mandar a história e tem muito súdito, castelo. Eu tenho muita preguiça de desenhar castelo, mas está ficando bonitinho. Uma mão de obra danada.”
Incansável, Ziraldo diz que “trabalha feito um condenado”, mas que gosta do que faz. “Tudo o que eu sonho em fazer, ao invés de sonhar, eu vou logo fazendo. O tempo que você gasta sonhando você gasta fazendo.”
Diz que tem prazer em cuidar do texto, e que escrever “é a coisa mais difícil do mundo”. “Dominar a palavra é a grande arte. É a arte da palavra que aproxima o homem de Deus.”
Ziraldo ficou fascinado pela escrita “depois de velho”, quando começou a escrever para crianças e conta que nada do que tinha feito até “O Menino Maluquinho” – nem o Pasquim – teve tanta resposta. Continuou aceitando encomendas de infantis. “Não se mexe em time que está ganhando.”
Como só escrever livro não garante que ele chegue ao leitor – em seu caso as vendas para o governo ajudam –, Ziraldo participa de eventos literários. “Isso me enriquece muito. É impressionante, forte e assustadora a resposta do público.” Foi num deles que se viu tendo de responder por que seus livros só retratavam meninos e tratou de mudar a direção da obra.
O escritor faz turnês por escolas por acreditar que ajuda a formar um País melhor. “Tive uma infância getulista, essa coisa de ser bom cidadão.” Para ele, um bom futuro passa por uma boa educação e só pode ser educado quem domina a leitura. “A única maneira de abrir a cabeça é lendo, não vendo TV. È hora de botar livro na mão da criança, não internet. Estudar é muito importante, mas ler é mais importante que estudar.”
Nas andanças, viu mudanças de comportamento nos pequenos leitores, mas não na essência. “A criança é encantada do mesmo jeito, sofre do mesmo jeito.” Viu que há uma maior preocupação de escolas e pais com a leitura, logo, mais crianças lendo livros.
Ziraldo preferia não ter sido lembrado dos 80 anos. “É impressionante a vida que eu vivi do ponto de vista moral e técnico. Venho de um mundo mecânico. Agora você move o mundo com um chip. Esses meninos vão atravessar o século, e eles não podem atravessá-lo despreparados. Vamos botar livro na mão deles. É isso o que me faz viajar pelo Brasil.”
E a festa de aniversário? “Quando fiz 70 anos, ganhei uma festa no Copacabana Palace. Não vou fazer outra assim, mas o povo de Caratinga, minha cidade, já ligou para saber quantos cabritos vamos assar.”

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