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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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‘Ziggy Stardust’ é remasterizado 40 anos depois

Categoria: Música

PEDRO ANTUNES

 

O alien roqueiro Ziggy Stardust teve uma vida curta, mas nem por isso deixou de ser revolucionário. De 6 de junho de 1972, quando foi lançado o álbum conceitual The Rise And Fall of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (Ascensão e Queda de Ziggy Stardust e as Aranhas de Marte, em tradução livre), até seu suicídio no palco do Hammersmith Odeon de Londres, em 3 de julho do ano seguinte, ele foi a persona adotada pelo inglês David Bowie aos 25 anos, uma figura andrógina que elevou o músico, um artista já prestigiado, ao patamar de gênio por sua criação. Para comemorar os 40 anos de lançamento do disco, considerado o ápice do glam rock, a gravadora EMI decidiu criar uma edição comemorativa, remasterizada, que chega agora ao Brasil.

Ziggy não só revolucionou, como transcendeu o espaço musical; com sua mensagem, atitude e seu modo de vestir, tornou-se único. Um futuro terrível batia à porta do mundo no início dos anos 70 e Ziggy vinha nos avisar sobre a destruição que viria. A mensagem do alienígena veio em forma de 11 canções conceituais, que flertavam com sonoridades que são seguidas até hoje. O nome do personagem, segundo Bowie, tem inspiração em Iggy Pop, cujos hábitos coincidem com os de Ziggy Stardust.

O disco, apesar de um clássico, eleito um dos melhores de todos os tempos pelas revistas Rolling Stone e Q, entre outras, não é devidamente reconhecido por aqui. O carioca Seu Jorge gravou algumas canções do álbum, em português, para a trilha sonora do filme A Vida Marinha com Steve Zissou, de 2004, que foi elogiado pelo próprio Bowie. Há também uma versão da canção Starman feita em 1989 pelo grupo gaúcho Nenhum de Nós, traduzida para Astronauta de Mármore (“Sempre estar lá / E ver ele voltar / Não era mais o mesmo / Mas estava em seu lugar”, lembra?).

Transgressor, Bowie havia acabado de assumir sua homossexualidade quando lançou Ziggy Stardust, um personagem criado para viver o extremo do rock’n’roll, com toda a libertinagem e vícios que levaram sua sanidade. “Todas as facas parecem dilacerar seu cérebro”, grita ele na apoteótica Rock’n’Roll Suicide, que fecha o álbum e, em 1973, um dos últimos versos cantador por Bowie como Ziggy.

Produzido pelo músico inglês com Ken Scott (de Beatles, Elton John, Pink Floyd, entre outros), o álbum marca o auge da parceria entre Bowie e o multi-instrumentista Mick Ronson, que rendeu outros oito álbuns. Juntos, assinam os arranjos de clássicos do rock (puro, sem subgêneros).

A capa original, replicada neste relançamento, pede que todas faixas sejam “tocadas no volume máximo”. Altamente recomendável, por Ziggy e Bowie.

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