Whitney, romantismo até a última gota
- 12 de fevereiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Celebridades
PEDRO ANTUNES
De corpo magro e rosto delicado, Whitney Houston chocava ao abrir a boca e soltar a voz. Nem muito aguda, nem muito grave, cristalina e doce. Dona de uma capacidade fora do comum de transitar entre tons altos e baixos, a cantora tinha entre suas grandes qualidades um diafragma bem treinado, capaz de segurar longuÃssimas frases sem mostrar esforço. Quando cantava, caÃam os queixos, os corações feridos choravam.
Whitney resgatou o gospel, reanimou um soul combalido, transformou o R&B. Era efervescente. DifÃcil cansar de ouvir I Will Always Love You, balada triste de Dolly Parton, trilha de O Guarda-Costas (1992). Vendeu 200 milhões de discos vendidos e ganhou seis prêmios Grammy.
Se cantoras negras estão espalhadas pelas rádios e paradas de sucesso, tudo teve inÃcio com Whitney. Michael Jackson abriu as portas para a música black, no começo da década de 80, mas foi com ela que a voz feminina ganhou impulso. Nem Mariah Carey, nem Celine Dion, nem Barbra Streisand. De meados dos anos 80 até os anos 90, Whitney Houston era dona do mundo. Virou diva e rainha do pop e soul. Seu apelido, A Voz, dizia tudo.
Delicada, romântica, brega (claro, todo romance é brega). Tudo intensamente. Whitney soube cantar para o mundo todo com a angústia e urgência dos apaixonados. Fazia chorar e rir. Mas sofreu com a indústria. Foi sugada até onde foi possÃvel, até as vendas de discos despencarem. Como uma estrela, ela teve seu ápice de luz, antes de conhecer o fundo do poço. Os anos 2000 foram cruéis. Foi colocada de lado para que novas vozes, claramente influenciadas por ela (Christina Aguilera, Kelly Clarkson, Alicia Keys, Beyoncé, Leona Lewis), ecoassem. Eram mais jovens, mais bonitas. E menos talentosas. Whitney tentou ser dançante, mas fracassou.
Casamentos fracassados e as drogas fizeram de Whitney uma estrela caÃda. Um fim trágico e melancólico. I Look to You, seu ultimo disco, trazia uma artista decrépita, voz rouca, grave. Um disco sem alma, facilmente esquecÃvel. A memória dela, no entanto, faz voltar para 1992. E I Will Always Love You, por sua vez, ficará para sempre. Assim, brega e romântica, como Whitney merece.
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