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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Uma viagem pelo cinema da Índia

Categoria: Cinema

Cena do filme O Sonho Bollywoodiano (Foto: Divulgação)

FELIPE BRANCO CRUZ

O Sonho Bollywoodiano, que estreou nesta sexta-feira, em 23 salas de todo o País, é a primeira coprodução cinematográfica indo-brasileira.

Dirigido e produzido pela paulista Beatriz Seigner, de 26 anos, o longa envereda pelo ainda desconhecido universo do cinema indiano, país que produz quase 900 longas e mais de mil curtas por ano (no Brasil, a produção não chega a 100 filmes por ano).

O filme apresenta o país sob a ótica de três atrizes brasileiras que viajam para a Índia em busca de emprego na gigantesca indústria cinematográfica local, a Bollywood.

Para os indianos, a presença da diretora também quebrou paradigmas, já que se tratava de uma mulher dirigindo – algo pouco usual na Índia – e fazendo um filme completamente diferente dos padrões daquele país.

Por lá, as produções são multicoloridas, repletas de cenas de ações e com, pelo menos, seis danças coreografadas com músicas de quatro minutos cada.

“A indústria fonográfica é diretamente ligada ao cinema. Tudo é feito em conjunto”, diz a diretora estreante. Já o longa brasileiro foi diferente: foi feito com apenas uma câmera, pouca luz e locações simples.

Beatriz conhece a Índia desde os 18 anos, quando foi para lá fazer um curso de cinema e morou durante seis meses. Nos anos seguintes, ela voltou ao país algumas vezes para fazer pesquisas cinematográficas, até que teve a ideia de escrever um roteiro sobre três atrizes brasileiras que decidem tentar a vida por lá.

Sem patrocínio, Beatriz fez um empréstimo de US$ 20 mil (R$ 31,4 mil) para viajar ao país e permanecer ali durante 12 semanas, tempo suficiente para as filmagens e produção. “Fui primeiro, fiquei quatro semanas. As atrizes chegaram depois e filmamos durante as oito semanas seguintes”, conta.

Para a pós-produção foram necessários outros US$ 20 mil. “O banco falou que, para minha idade, só liberava empréstimo para comprar um carro. Aceitei. Não iria dirigir um carro, mas iria dirigir um filme, então deu tudo certo”, brinca. “Espero recuperar tudo com a bilheteria”.

A equipe brasileira era composta apenas por ela e as três atrizes profissionais, Paula Braun e Lorena Lobato (que atuaram em O Cheiro do Ralo) e Nataly Cabanas. O restante foi contratado na Índia a partir de um contato com o produtor Ram Prasad Devineni.

“Ele é um dos grandes produtores da Índia. O tio avô dele ilustra os selos dos correios de lá, dada a importância dele para o cinema nacional”, explica. Para pagar todo mundo, Beatriz diz que algumas pessoas entraram como sócias nessa empreitada e irão ganhar parte da bilheteria. Outros atores receberam como cachê aproximadamente 2 mil rúpias por dia (cerca de R$ 71).

Duas estrelas do cinema indiano integram o elenco. A primeira é Geetha Satish, premiada por suas atuações em produções feitas no sul do país. A outra é o garoto de 12 anos, Kaushi Satish. “Esse menino foi um achado. Ficava impressionada com a capacidade dele. Ele saía do nosso set e ia para outro e depois para outro. Ele estava fazendo vários filmes ao mesmo tempo”, lembra a diretora.

O Sonho Bollywoodiano mostra três atrizes chegando ao país à procura de um papel nos filmes locais. Segundo a diretora, há uma demanda muito grande de atores para as produções, já que boa parte do elenco participa apenas para dançar. “Alguns não precisam nem falar a língua local, porque todos os filmes são dublados depois”, explica.

No longa de Beatriz, os enquadramentos, as fotografias e a maneira dinâmica com que a câmera acompanha as três atrizes dão à produção um aspecto de documentário e um resultado quase experimental. Há referências à cultura indiana e belas imagens das paisagens locais.

No entanto, foca lugares menos óbvios e tem locações em favelas, trens lotados e regiões rurais. Uma Índia bem diferente da mostrada no cinema ocidental. “Viajamos todo o país e filmamos em dez cidades. Fomos de trem”, lembra. Entre as locações estão as cidades de Bombaim, Varasi e Chennai, no sul do país. Uma viagem e tanto.

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