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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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A São Paulo colorida e verde de Giovanna Nucci

Categoria: Arte, Exposição, Fotografia

GENTE DA CIDADE: Giovanna Nucci, 48 anos, fotógrafa

 

(Foto: Karina Alves e Vitor Reis/Divulgação)

Por Marcela Rodrigues Silva

 Aos 12 anos, a catarinense Giovanna Nucci fotografava as amiguinhas. Ela cresceu, tentou Arquitetura no vestibular, optou por Letras e acabou tornando-se estilista. Dona de uma marca de moda praia, casada e com três filhos, viu sua história tomar novos rumos quando, nos anos 90, trocou Santa Catarina por São Paulo. A mudança, inicialmente motivada por um novo negócio do marido, a colocou diante da oportunidade de se aventurar na “profissão artística” com que sonhava na infância: fotografia.

Para tanto, Giovanna recomeçou praticamente do zero. Estudou, fez seu nome no mercado e, hoje, aos 48 anos, com hábitos paulistanos e até sem o sotaque sulista, comemora o recém-lançado São Paulo – Cada um Conta sua História. O livro é fruto de mais de dois mil quilômetros de caminhadas pela cidade ao longo de 5 anos. Por 245 páginas, as mais de 150 fotos traduzem sua São Paulo “colorida e verde”. Orgulha-se também dos espaços em branco (como em um scrapbook), que permitem ao leitor traçar uma história própria, tal como ela começou a fazer há 17 anos.

Por que trocou Santa Catarina por São Paulo. Opção ou obrigação?
Há 17 anos, meu marido recebeu uma proposta para trabalhar aqui. A família toda veio junto: nós dois e meus três filhos, hoje com 17, 24 e 28 anos. Todo mundo ama São Paulo!

Por que largou a carreira de estilista?
Aos 18 anos, criei minha marca de moda praia, que levava meu nome e era referência em Santa Catarina. Eu vendi a marca quando decidi ir para São Paulo, porque vi que era a oportunidade de seguir a profissão artística com que eu tanto sonhava.

A fotografia?
Desde a infância, eu amo fotografia. Aos 12 anos, eu fazia book das minhas amigas. Depois, como estilista, adorava me meter na produção dos catálogos.

E como fez essa transição?
Quando cheguei a São Paulo, fui fazer faculdade de Fotografia no Senac, com especialização em Arte e Cultura. Também fiz cursos de Antropologia e Filosofia da Fotografia. Há muitos anos que a fotografia entrou numa imagem de massa. Queria algo mais sensível.


 

Não quis ser fotógrafa de moda?

Foi o que fiz no início, que foi mais duro. Fiz muitos trabalhos de moda, ensaios e eventos. Depois é que fui conseguindo entrar na área de artes.

E como surgiu a ideia do livro?
Era um projeto acadêmico, mas meus professores disseram que São Paulo já havia sido muito fotografada, que eu poderia focar no Sul mesmo. Concordava, mas sabia que eu tinha um olhar particular. A minha São Paulo era colorida e verde. Claro que eu não tinha a pretensão de criar um novo olhar, mas acho que uma pessoa de fora, que gosta da cidade, percebe o algo mais que o olhar viciado de quem já é daqui não vê.

O que te faz gostar dessa cidade?
Tenho paixão por ela e seus mistérios. Adoro o contraste do velho e do novo, os edifícios espelhados, o charme da Vila Madalena, os viadutos, o centro, a vida cultural e gastronômica…

E há algo de que não goste aqui?
Da falta de segurança. Já fui assaltada uma vez por um motoqueiro.

O livro demorou seis anos para ser concluído. As fotos tiradas ao longo desse tempo mostram sua maturidade?
Com certeza. Já tinha fotos de antes desse período e ao longo dele. Difícil foi escolher as 150 de milhares.

Vai parar por aí?
No ano que vem, faremos uma exposição com algumas fotos do livro. Também já estou trabalhando para lançar Rio – Cada um Conta sua História.

 

SERVIÇO:

lIVRO SÃO PAULO – CADA UM CONTA SUA HISTÓRIA / ED. DECOR BOOKS

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