Um deus da guitarra está entre nós
- 11 de outubro de 2011 |
- 23h30 |
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Categoria: Música
FELIPE BRANCO CRUZ
Poucos merecem a alcunha de deus da guitarra. Eric Clapton, de 66 anos, é um desses. Hoje, às 21h, no estádio do Morumbi, o guitarrista inglês provará, sem precisar provar nada para ninguém, por que seu nome está marcado no panteão dos gênios do instrumento, ao lado de Jimi Hendrix (1942-1970), George Harrison (1943-2001) e Stevie Ray Vaughan (1954-1990). Os três, aliás, foram grandes amigos de Clapton.
Embora seja conhecido da grande maioria do público por seus sucessos pop, como Tears In Heaven, Change The World e Blue Eyes Blue, Clapton não deve apresentar nenhuma dessas músicas hoje. A praia do guitarrista sempre foi o blues e seu repertório deve se manter no gênero. O show, aliás, faz parte da turnê de divulgação de seu último álbum, Clapton (2010), só com blues.
No repertório, porém, o público poderá esperar por I Shot The Sheriff, de Bob Marley, Crossroads e Badge, do, Cream, além da obra-prima Layla, composta por Clapton na época em que integrava a banda Derek and the Dominos. Deste álbum, ele deve apresentar também Key to the Highway. E, é claro, Cocaine, sucesso de sua carreira solo.
Se o show de hoje for semelhante ao que fez na segunda-feira, no Rio de Janeiro, Clapton deverá passar boa parte do show sentado, levantando-se apenas em alguns momentos. E assim como no HSBC Arena, o estádio do Morumbi terá parte de seu gramado loteado com cadeiras, com uma parcela do público também assistindo ao show sentado.
O cenário deve ser simples, sem frescura, nem telões de alta definição ou efeitos especiais. Apenas Clapton e seu instrumento. O músico deve se dirigir ao público raramente. As palavras podem não passar de um “boa noite”. A linguagem virá da guitarra e do violão. E essa certamente todo mundo vai entender. Nada disso deverá esfriar o público, que provavelmente acompanhará o ídolo, imitando seus solos em guitarras imaginárias.
No show de hoje, Clapton será acompanhado dos músicos Steve Gadd (bateria), Willie Weeks (baixo), Chris Stanton (teclado), e das cantoras Michelle John e Sharon White. A apresentação será aberta por Gary Clark Junior, de 27 anos, que faz um som inspirado no próprio Clapton, com mistura de soul, blues e rock. Clark Junior está sendo considerado pela crítica internacional como um dos melhores guitarristas da nova geração, sendo chamado de “o salvador do blues”.
A maneira como toca também já foi comparada a Hendrix e Vaughan. O jovem começou a tocar ainda criança, aos 12 anos, e já se apresentou com B. B. King, Buddy Guy, Steve Winwood, Sheryl Crow, Jeff Beck e ZZ Top.
Um passado trágico
A genialidade de Clapton veio acompanhada de mais de 20 anos marcados por percalços e tragédias em sua vida pessoal. Como conta em Eric Clapton, A Autobiografia (2007, Editora Planeta do Brasil), o guitarrista enfrentou graves problemas com álcool e drogas e brigas com os ex-integrantes de suas bandas em meados dos anos 70. Dentre as passagens funestas, está o assassinato da mãe do baterista Jim Gordon. Num surto psicótico, Gordon a atacou a marretadas.
Outro capítulo, já nos anos 90, narra o acidente de helicóptero que vitimou o guitarrista Steve Ray Vaughan, que estava em turnê com Clapton. Em 1991, Conor, filho de 4 anos do músico com a modelo Lori Del Santo, morreu após cair da janela de um prédio. Foi nessa época triste que Clapton comporia Tears in Heaven e Circus Left Town, que se tornariam clássicos (mas não serão tocadas hoje).
Talvez a mais trágica passagem na vida de Clapton tenha sido seu amor por Pattie Boyd-Harrison, mulher de seu melhor amigo, o guitarrista dos Beatles George Harrison. Clapton sofria por amar a mulher do amigo. No fim das contas, Pattie acabou se separando de Harrison para ficar com Clapton.
Foi com Layla, aliás, que ele a teria conquistado. E amizade entre os dois, apesar disso, sobreviveu. A vida de Clapton só voltaria a entrar nos eixos a partir de 1993, quando lançou o MTV Unplugged. E, quando se casou, mais tarde, em 99, com Melia McEnery.
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