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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Um amor proibido sob a lona do circo

Categoria: Cinema

Robert Pattinson e Reese Witherspoon, em cena do filme (Foto: Divulgação)

MAIARA CAMARGO

Filho de imigrantes poloneses, Jacob Jankowski parecia ter o futuro certo. Prestes a se formar, o estudante da faculdade de veterinária de Cornell já estava de olho numa de suas colegas de classe e dava indícios de que passaria a vida por lá, ao lado da família.

Entretanto, a trágica notícia da morte de seus pais num acidente de carro põe fim a todo tipo de certeza. Inspirado no livro homônimo de Sara Gruen, Água para Elefantes, filme que estreia hoje, acompanha o rumo inesperado que a vida de Jacob, papel de Robert Pattinson, toma depois que ele fica órfão.

Com direção de Francis Lawrence, de Eu Sou a Lenda, a produção aposta num elenco estrelado que, além de Pattinson, ator adorado pelos milhares de fãs da saga Crepúsculo, conta com os ganhadores do Oscar, Reese Witherspoon (melhor atriz por Johnny e June) e Christoph Waltz (melhor coadjuvante por Bastardos Inglórios).

O trio se envolve num triângulo amoroso, grande foco do filme, que faz do circo seu cenário. Interpretando a versão idosa de Jacob, Hal Holbrook completa o elenco. Ele é o narrado do filme, que se passa num longo flashback.

Ao se ver diante de um circo, o velho Jacob, que agora vive num lar para a terceira idade, fica admirado. Resgatado da chuva pelos atendentes do local, conquista a atenção do proprietário ao revelar que por anos acompanhou a trajetória de trupes circenses.

Vida no circo

É na juventude, quando se vê sem nenhum parente vivo, que Jacob descobre que o pai estava afundando em dívidas e que sua casa será tomada pelo banco. Nada incomum para o início dos anos 1930, período da Grande Depressão econômica nos EUA.

Sem ter para onde ir, o jovem salta para dentro de um trem, o trem do Circo Benzini Brothers, cujo dono é August, um homem que, apesar de se mostrar refinado, trata com dureza animais e pessoas, chegando a atirar do veículo os trabalhadores que não estão rendendo o esperado.

Por sorte, logo que entra no vagão, Jacob faz amizade com um polonês, que convence o resto do grupo a deixá-lo ficar até a próxima parada. Entram em cena belas imagens da montagem circense e da apresentação dos artistas. Uma, em especial, atrai os olhares de Jacob: Marlena, a encantadora de cavalos, atração principal do Benzini e mulher de August.

Considerado um intruso na companhia, Jacob consegue ficar ao dizer para August que é um veterinário. Com o emprego ganho, se aproxima de Marlena. A relação entre eles fica ainda mais forte com a aquisição da elefanta Rosie, tentativa desesperada de August de evitar a falência do circo.

Rosie (na vida real, Tai) é o grande trunfo do filme. Numa das melhores cenas da trama, August resolve dar uma lição na grandalhona que recusa a obedecer ordens. Em outra, ela mostra seus dotes e por fim, é capaz de se meter numa briga para salvar Marlena.

Elenco

Na pele do marido ciumento e agressivo, Waltz, por sua vez, é o melhor humano do elenco. Ainda que seu papel lembre em alguns momentos o extremismo do coronel nazista de Bastardos Inglórios, ele consegue imprimir traços de humanidade no personagem. Um desses momentos é logo depois de August perder o controle com Rosie.

O romance de Marlena e Jacob desperta alguma simpatia, mas é prejudicado pela falta de química entre os protagonistas. Reese mantém seu nível de atuação, mas Pattinson parece ainda não ter conseguido provar a que veio.

Além da falta de entrosamento dos protagonistas, pontos que renderiam boas discussões, como o tratamento desumano dado aos artistas e animais do circo, a delicada situação da economia do país e os sentimentos do protagonista não são aproveitados.

Ao final, Água para Elefantes funciona como um filme romântico com belas imagens e um pano de fundo interessante. Bem produzido, consegue emocionar, mas poderia ir além se tivesse optado por outros caminhos.

Veja o trailer do filme:

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