TV paga ganha reforço de cinco canais
- 11 de fevereiro de 2012 |
- 23h00 |
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Por Aline Nunes
Avançar sem hesitar além dos números baixos do controle remoto, romper a fronteira dos canais abertos, e acompanhar seriados gringos em suas temporadas mais recentes, zapear entre produções estrangeiras e assistir a campeonatos de futebol europeus. Tudo isso é praxe na rotina de 42 milhões de telespectadores brasileiros, acostumados ao amplo leque da TV por assinatura, convertidos ao entretenimento de fora e avessos ao chororô das novelas, carro-chefe da produção nacional.
Pensando nesse batalhão de dedinhos ansiosos com o controle remoto em punho, o mercado tratou de expandir seu catálogo com cinco novos canais: Off, FoxSports, HBO Signature, Comedy Central e Gloob – este, previsto para o primeiro semestre.
As novidades, além de ilustrarem um segmento lucrativo e em amplo crescimento, aponta um caminho para a TV paga: segmentar. Há um canal especializado em esporte, outro em comédia, um dedicado a crianças, um só de reprises e outro de aventura. “A tendência é segmentar mais. Ja já terá um canal só para as senhoras aposentadas”, diz Júlio Wainer, especialista em televisão, diretor da TV PUC São Paulo. “Hoje todos vislumbram ter TV a cabo”.
Pesquisas feitas pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) reforçam a tese de Wainer. Em 2011 o número de domicílios assinantes desse tipo de serviço cresceu 30,45% em relação ao ano anterior, totalizando 12,7 milhões de residências assinantes – o que equivale, segundo a ABTA, a 42 milhões de telespectadores. O público, de fato, é vasto, e vem deixando de representar só a elite. Segundo pesquisa do Ibope Media, em relação à faixa etária, 29,5% dos telespectadores têm 50 anos ou mais; o segundo maior grupo, 22% têm entre 35 e 49 anos. Do total desse contingente, nota-se o crescimento da classe C nessa divisão, hoje de 18%.
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Dedicado a humorísticos, o Comedy Central (Sky) em é uma dessas novidades, e tem Danilo Gentili como um de seus figurões. Para ele, que segue com seu programa Agora é Tarde, na Band, a investida se justifica, diz ele, por oferecer uma plataforma mais refinada. “Os canais abertos tentaram fazer um stand-up em quadros de programas. Ficou uma bosta. Aqui, a única preocupação é fazer comédia”, diz ele, que se diz fã do canal instalado em mais de 22 países, e onde seguirá esse formato.
No caso do OFF, o canal de aventura, a explicação da gerente de marketing Cristiane Stuart para a entrada no mercado a cabo é a falta de uma emissora “radical” na programação nacional. “Quem curte aventura, mesmo que não pratique, é atraído pelos programas, que trazem lindas imagens”, diz. E, assim como o Comedy Central, o OFF, da Globosat, também correu atrás de um rosto familiar do público. No caso, o da carioca Raquel Iendrick para comandar o Snow Camp. Ela já apresenta o Sem Destino, no Multishow.
Nesse bolo, a Fox Sports, que estreou fazendo barulho – é a única emissora com o direito de passar todos os jogos da Taça Libertadores – trouxe uma ex-global para o time, a atriz Tammy Di Calafiori (Passione; 2010). A programação ainda está sendo montada e, entre exibições de futebol, automobilismo e ciclismo, aposta até em documentários/tributos, como Bruce Lee Live. No entanto, a emissora ainda aguarda negociação com as grandes da assinatura, Net e Sky, que detêm 70% do mercado (veja mais ao lado).
Na contramão, a HBO criou mais um canal, uma espécie de seu próprio Canal Viva – que exibe conteúdos antigos da Globo –, o HBO Signature. Além de filmes antigos,passa séries ‘quase’ inéditas, como Sopranos (1999 –2007) e as primeiras temporadas das premiadas Game Of Thrones e Boardwalk Empire, de Martin Scorsese. “Estas produções inovadoras definem uma experiência de televisão única, agregando valor ao pacote premium da HBO”, diz Gustavo Grossmann, vice-presidente do canal.
Para Júlio Wainer, a TV a cabo cada vez mais se concretiza como um objeto de luxo da família. Mas, ele lembra, ainda depende das contas da casa. “Se a família precisa recorrer a uma retração econômica, a televisão a cabo é a primeira coisa a ser cortada”, diz ele.
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