MPB sem os grilhões dos grandes festivais
- 21 de maio de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: Música
Ouça a música Trovoa, do disco Metá Metá
PEDRO ANTUNES
A nova MPB está livre dos grilhões dos grandes festivais dos anos 60 e 70. Não que eles ignorem ou menosprezem a obra de Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil. Longe disso. Mas a liberdade dos anos 2000 abriu um imenso leque de possibilidades. Novas influências foram descobertas e temas de música africana, incorporados. O compositor e violonista Kiko Dinucci, 33 anos, a cantora Juçara Marçal, 49, e o saxofonista e compositor Thiago França, 30, são três filhos desse novo ciclo da música popular brasileira.
Juntos, eles encontram no disco Metá Metá, lançado digitalmente na última terça-feira, uma maneira de extravasar esse âmbito criativo, uma necessidade gritante de expor seus sentimentos, sejam eles versados ou apenas instrumentais. O trio apresenta hoje, às 18h, no Sesc Pinheiros, o repertório do álbum, que inclui desde canções de ídolos, como Siba, Lincoln Antonio, Jonathan Silva e Mauricio Pereira, até criações do próprio Dinucci.
“Sempre que vejo vídeos daqueles grandes festivais, me vem à cabeça uma imagem do Che Guevara (guerrilheiro argentino, um dos líderes da Revolução Cubana), mirando o horizonte. O cantor dos festivais está lá, pensando: ‘vou cantar e vou mudar o mundo’”, diz o violonista e compositor. “É claro que sinto uma ligação com Gilberto Gil, Edu Lobo e todos os outros. Mas não é algo tão forte, pulsante, em mim. Não somos heróis. Fazemos o nosso som e acabou”.
Não que Metá Metá não tenha músicas que possam ser classificadas como uma MPB clássica de festivais. As letras, algumas de poesia ímpar, poderiam muito bem disputar com as composições dos grandes das décadas passadas, tal o seu lirismo. Mas o que diferencia o som desse trio são os arranjos melódicos, em grande parte gravados em voz (Juçara), violão (Dinucci) e sax (Thiago).
A bela canção Samuel, uma composição surgida de uma parceria de Dinucci com Rodrigo Campos, apresenta, em versos rápidos, a história de garotos que vêm da periferia e descobrem a grandiosidade da Avenida Paulista. “Imaginamos esses moleques pegando o metrô descobrindo São Paulo. Não é uma homenagem à cidade, mas uma história com ela de fundo. E é algo que eu e o Rodrigo passamos”, explica Dinucci, nascido em Guarulhos, enquanto Rodrigo é de São Mateus, zona leste. A faixa seguinte, Vias de Fato (Kiko Dinucci/ Douglas Germano/ Edu Batata), ganha uma força incrível no refrão, com as vozes de Juçara e Dinucci em coro.
Ao todo, as dez canções do disco foram gravadas ao vivo em, no máximo, dois ou três takes. “Somos adeptos da teoria de que quando se faz muitas versões, não se melhora, só piora”, diz Dinucci. A bateria de Samba Ossalê e a percussão de Sergio Machado, presentes em quatro músicas, foram gravadas de maneira analógica, acrescentando um sabor vintage ao som do trio.
Inconscientemente, garantem os três, a escolha da sequência das músicas acabou dividindo o disco ao meio. As primeiras quatro, ou “lado A” do álbum, são as interpretações dos ídolos (e amigos): Vale do Jucá (Siba), Umbigada (Lincoln Antonio), Papel Sulfite (Jonathan Silva) e Trovoa (Mauricio Pereira). E então vêm as poderosas Samuel e Vias de Fato, seguidas por outras composições de Kiko, sozinho ou com a colaboração de colegas.
“Foi algo que não esperávamos. Parece uma primeira parte só com o trio e depois entramos com as nossas músicas”, avalia Juçara. Kiko vai além: “Pode ser que esse tido “lado B” seja, na verdade, um novo movimento. Um novo álbum que invadiu esse. Um prenúncio do que está por vir”.
‘Metá Metá’
Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França
Circus/Desmonta
Grátis, no site: www.kikodinucci.com.br
DIVIRTA-SE
Metá Metá.
Show. Hoje, às 18h.
Sesc Pinheiros. Teatro Paulo Autran. R. Paes Leme, 195.
Telefone: 3095-9400.
R$ 5 a R$ 20.
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