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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Magal: “Artista não tem sexo”

Categoria: Entrevistas

Gilberto Amêndola

Aos 58 anos, Sidney Magal continua intenso. Quem quiser ver uma performance explosiva do artista, não pode perder o show do latino cigano, hoje, às 23h, no Rey Castro Cuban Bar, na Vila Olímpia (R. Ministro Jesuíno Cardoso, 181; 3842-5279) ou ainda esperar o lançamento do seu próximo CD e DVD, Coração Latino, previsto para maio. Agora, quem quiser conhecer as ideias deste artista único e absolutamente livre pode começar lendo a entrevista a seguir.

Qual foi o seu primeiro contato com a música?
Muitas pessoas da minha família eram ligadas à música. Minha mãe, dona Sonia, foi cantora da Rádio Nacional e já cantava em espanhol. Ela era muito talentosa, mas teve a carreira podada porque meu pai, seu Darci, tinha ciúme. Ela me dava todo apoio. Dizia: “Seu pai conseguiu me proibir de cantar. Mas não vai proibir vocêâ€. Depois, teve o primo da minha mãe, meu familiar mais famoso: o Vinicius de Moraes.

Não consigo imaginar ninguém artisticamente mais diferente do Magal do que o Vinicius…
Eu me lembro de uma época, no começo da minha carreira, em que eu queria gravar umas coisas dele. Cheguei no Vinicius e disse: “Tô sabendo que você está compondo umas coisas legais, mais dançantes, tipo A Tonga da Mironga do Kabuletêâ€. Daí, ele me disse: “Deixa eu te dar um conselho. Você é bonito, garotão. Esse não é o meu caso. Eu sou poeta. Você tem de ir fundo na música popular. As mulheres vão enlouquecer. Se você ficar na bossa nova, vai ter prestígio, mas não será a mesma coisa. Você tem de usar as características que temâ€.

Você enfrentou muito preconceito por ser tão espalhafatoso?
Minha mãe me defendia. Quando alguém me chamava de veado, por causa da música, ela virava uma fera e retrucava: ‘Veado por quê? Você já comeu ele?â€. Quando me chamavam de bicha, eu dizia: ‘Sou um artista. E artista não tem sexo’. O artista tem direito a tudo. Em cima do palco, sou bi, sou transexual, sou o que o público quiser. Sidney Magal é um personagem. Sidney Magalhães (seu nome real) sabe quem ele é.

Essa questão da sexualidade sempre aparece nas suas entrevistas. Isso é chato?
O que eu falo é que nossa essência é bissexual, que a atração física é independente de sexo. Você sente atração pelo ser humano. Até hoje, ainda me perguntam se eu tive algum caso homossexual.

E…
Mesmo que eu tivesse tido, eu não me sinto no direito, agora, tendo a família que tenho, com três filhos maravilhosos, de ficar falando do meu passado e levantando dúvidas na cabeça deles. Agora, seria possível? Seria. Eu me apaixonaria por uma pessoa do mesmo sexo, sim, e viveria com ela.

O Brasil é um país machista?
Muito. Os latinos são muito machistas. O Nordeste é um dos lugares mais machistas que existem. No carnaval da Bahia, se um gay der uma cantada num cara no banheiro, ele leva porrada. Nem todas as pessoas estão preparadas para aceitar as coisas. Não julgo sexualidade. Julgo atitudes.

Você já foi agredido por causa dessa questão sexual?
Fui. Uma vez no interior de São Paulo, em São João da Boa Vista, um cidadão jogou um copo na minha cara. Tive um enorme corte no supercílio. E sabe o motivo da agressão? Ele estava bêbado e gritava: ‘E aí, veado!!!’.

Você está casado há quantos anos? Sua mulher não tem ciúme do “Magal amante latino�
Estou há 30 anos com a Magali. Tenho filhos de 30 (Gabriela), 27 (Natália) e 21 anos (Rodrigo). Ela teve sangue frio e maturidade para segurar a onda. Ela é uma tremenda companheira. Teve ciúme normal, mas sempre soube separar. A família é super unida. Moramos todos juntos. Meus filhos me apoiam incondicionalmente. Eles enfrentaram aquela barra pesada de escola, sabe? Dos amigos dizendo: ‘Você é filho do Magal, aquele que rebola’. Filho de artista tem que ter muita paciência e compreensão.

Em momentos de baixa na carreira, você teve depressão?
Essa é uma palavra que desconheço. Tenho muito bom humor. Sou casado há 30 anos. Ser casado é ter humor. Se levar o casamento a sério, ele vai por água abaixo. Se você levar a carreira a sério, ela também vai por água abaixo. No mais, sei que não sou eterno e que o sucesso não é eterno. O sucesso nunca me fez falta. Quando eu estiver velho, gordo e careca, eu paro numa boa. Não vou ficar dançando Me Chama Que Eu Vou com duas enfermeiras do lado.

Sua energia no palco é impressionante…
Sim, tenho 58 anos e sou muito vigoroso. Enquanto tiver essa energia, vou continuar. Claro que engordei, não uso mais sapato de salto alto ou calças tão apertadas. Mas continuo repleto de energia.

Você aceitaria participar de uma propaganda de Viagra?
Lógico. Não tenho preconceito. E sou realista. Estou perto do momento de tomar esse remédio (risos). O garanhão que dá dez por noite é o Magal. Não o Magalhães. Ele não existe. Sou um cara normal.

Já se envolveu com drogas ou teve problema com álcool?
Gosto de beber em churrasco, festas e carnaval. Gosto de ficar alegre. Mas é uma coisa social. Mas sempre fui medroso com drogas. Frequentei festas em que rolava cocaína e maconha, mas nunca me deixei levar. Já experimentei maconha, mas não gostei. Fujo das drogas. Prefiro cerveja, que dá barriga, mas não vai me matar.

Você é ligado em política?
Já fui convidado pelo partido do Ciro Gomes (PPS, na época. Hoje, Ciro é filiado ao PSB) para me candidatar a vereador. A novela Da Cor do Pecado (2004) me salvou. Comecei a ficar inebriado com a ideia de ser um político querido. Cheguei a me filiar. Mas eu sabia que não tinha competência para isso. Quando a Globo me chamou para a novela, entrei em xeque. Se entrasse para a política, não poderia fazer a novela. Optei pela carreira artística. Mas passei três dias pensando. E confesso qual era a dúvida: como político, eu podia ter 3 mandatos de 4 anos e sobreviver financeiramente por 12 anos. O artista tem dúvidas: ‘Será que vou continuar ganhando dinheiro daqui a 5, 10 anos?’. Hoje, política é emprego. Mas não aceitei. E nunca mais quero saber desse papo de política.

O que você acha dos artistas que viram políticos?
A Marina Silva (PV) disse que as pessoas do Brasil deveriam se fazer uma pergunta: ‘Se você entrasse para a política, você roubaria ou não? Se a resposta for não, é porque também existem muitos políticos que não roubam’. Achei essa afirmação dela perigosa. Tenho certeza de que 90% dos brasileiros, se virassem políticos, iriam fazer a mesma coisa que os políticos fazem. Você precisa julgar o artista nesse contexto. Olha a Rita Cadillac, que se candidatou a vereadora. Eu falei pra ela: ‘Você não nasceu pra isso, não tem cabeça pra isso’. E o Tiririca? Vai ser uma marionete. Não tenho dúvida.

Agnaldo Timóteo?
É um grande cantor. Não um grande político. Uma pessoa espalhafatosa e radical não pode ser um grande político. Gretchen se candidatar? Pelo amor de Deus! Gretchen, não faz isso!.

Você tem herdeiros artísticos?
Não. O que é Luan Santana? Poderia ser um Magal? Não. Não tem masculinidade. E o filho do Fábio Jr., o Fiuk? Não. Quem pensa em música latina, pensa em Magal.

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