O tempo de Zé Ramalho
- 25 de julho de 2012 |
- 23h21 |
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Categoria: Música
PEDRO ANTUNES
“O que não te mata, não te destrói, te fortaleceâ€, e assim, citando o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o paraibano Zé Ramalho leva sua vida. Guerreiro do sertão e alquimista das palavras, o músico nascido em Brejo do Cruz chega aos 62 anos calejado, conhecedor da vida. Sinais, novo disco de inéditas, lançado pelo selo próprio, Avôhai Music, é a representação musical de sua maturidade.
Cheio de psicodelia, blues e os encantos da musicalidade nordestina, o álbum traz Zé Ramalho em forma, após uma incursão por obras alheias. Enquanto resolvia um imbróglio com a gravadora EMI, que o proibiu de gravar seus sucessos, se envolveu nos projetos Zé Ramalho Canta Bob Dylan (2008), Luiz Gonzaga (2009), Jackson do Pandeiro (2010) e Beatles (2011). Sinais sucede Parceria dos Viajantes, lançado há cinco anos.
“Cada disco é uma sensação diferenteâ€, explica ele ao JT por e-mail – Zé evita entrevistas. “A sensação de apresentar músicas inéditas é de grande expectativa, devido à grande responsabilidade que um artista como eu tem, depois de 35 anos de carreira, ao apresentar tudo o que aprendeu neste mais novo capÃtulo.â€
Neste perÃodo parado, Zé Ramalho nunca parou de compor. Mas a maturidade trouxe também a dádiva da paciência. Ele curte cada verso, cada harmonia. “Não tenho mais ansiedade em finalizar uma canção. Deixo-a aguardando a inspiração maiorâ€, pontua.
“Tudo foi pensado com calma.†No contexto, as 12 músicas têm uma variedade enorme de gêneros (rock, folk, forró). Na calma nasceu Sinais. A percepção da ação do tempo, implacável, é escancarada logo na primeira estrofe de Indo Com o Tempo, faixa de abertura: “O tempo vai passando / E, com ele, eu vou / O tempo vai passando / E, com ele, eu vou / Não deixo para trás / Nada do que eu souâ€, canta Zé Ramalho, enquanto o guitarrista de blues Jesse Robinson destila melancolia na chorosa guitarra. A música, diz o autor, “abre o portal das considerações poético-musicais a respeito desse tema.â€
Apesar dos cinco anos entre Parceria dos Viajantes e Sinais, as canções foram compostas nos últimos dois. No processo de criação de Ramalho não há sobras, tudo é previamente planejado. Ele chamou Robertinho do Recife, parceiro há 15 anos, para os arranjos e juntos assinam a produção.
Como um guia, Zé Ramalho nos introduz ao tempo com magnitude. Seu vozeirão sombrio abre caminho para as palavras cantadas (ou ditas), proféticas, psicodélicas e caóticas. Indo Com o Tempo, Sinais, Lembranças do Primeiro e Olhar Alquimista fecham o primeiro terço do disco de forma grandiosa.
A sequência ganha raios de luz, com teclados alegres, como em Justiça Cega. É a união do sax tenor com a sanfona, o cangaço e a cidade, luz e escuridão, futuro, presente e passado. Tudo num só Zé Ramalho.
Branca de Neve chega em temporada relâmpago
- 25 de junho de 2012 |
- 23h05 |
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Categoria: Musical
FELIPE BRANCO CRUZ
Só neste ano, a história de Branca de Neve foi adaptada duas vezes para o cinema. Em ambas versões, elementos tradicionais do conto dos irmãos Grimm foram completamente alterados, a ponto de as crianças não reconhecerem o clássico.
No sábado e domingo, o palco do Credicard Hall receberá o musical Branca de Neve e Os Sete Anões, apresentando a história original, da forma como as crianças (e também os adultos) sempre a conheceram. “Não queremos que seu filho ou filha não reconheça a história no palcoâ€, afirma o produtor italiano Billy Bond, que mora há 30 anos no Brasil e é responsável pela adaptação do musical.
Apesar de se fixar no enredo clássico, o espetáculo não abrirá mão da tecnologia. Efeitos especiais, gelo seco, telões em 3D, explosões, aromas, chuva e neve artificiais serão usados para transportar a plateia para o universo mágico dos contos de fadas.
“Não é preciso muita coisa para captar a imaginação das crianças. Com esses efeitos, queremos conquistar também os adultos.†Toda essa infraestrutura conta ainda com o reforço de mais de 50 profissionais, 180 figurinos, 35 trocas de cenários e 18 toneladas de equipamentos.
O enredo já é conhecido. Uma rainha machuca o dedo e três gotas de sangue pingam na neve, fazendo-a pensar que, quando tivesse uma filha, ela seria “alva como a neve, rubra como o sangue e negra como o ébano da janelaâ€.
A filha nasce com a exata descrição, mas a mãe morre no parto. O rei, então, casa-se novamente, mas com uma mulher muito má e dona de um espelho da verdade. Quando o espelho diz a ela que não é a mais bela e, sim, Branca de Neve, a Rainha Má ordena que a jovem seja morta.
No palco, Branca de Neve, a Bruxa Má, o PrÃncipe, o Rei e os sete anões vão atuar, cantar e dançar. “Nas transições de um cenário para o outro, exibiremos, no telão, vÃdeos em 3D produzidos especialmente para a peça. E, durante as encenações, efeitos especiais como explosões, ventanias, chuva e neve vão tomar conta do teatroâ€, explica Bond. “Vocês já viram nevar em São Paulo? Pois no sábado e no domingo vai nevarâ€, completa.
Esses elementos sensoriais, lembra o produtor, são chamados de 4D, por despertar outros sentidos no espectador além da visão e da audição. Bond, não entanto, não revela a forma como será apresentado o grupo dos sete anões.
Ontem, ele conversou com a imprensa e apresentou parte do elenco para os jornalistas. Mas nem os anões, nem a Bruxa Má estavam presentes. “São segredos que só quem for ao teatro poderá verâ€, diz ele, fazendo suspense.
Em contrapartida, o que se sabe é que tanto os figurinos quanto os cenários são caprichados e devem ajudar o espectador a entrar no clima encantado da história. “São velhos truques de mágicas e de teatro que sempre funcionamâ€, garante.
A organização espera receber cerca de 10 mil pessoas, somando os três espetáculos que serão realizados no final de semana. “É um público que demorarÃamos meses para atingir se ocupássemos um local menorâ€, justifica o produtor. No sábado, haverá duas apresentações, à s 16h e à s 19h, e, no domingo, somente à s 16h. Cada sessão terá lotação máxima de 3,8 mil lugares.
“Depois daquela feijoada de sábado, o papai poderá trazer o filho para a peça. Tenho certeza que ele também vai gostar e não vai querer dormir no teatroâ€, brinca Bond.
Cuidado, os Addams vêm aÃ
- 2 de março de 2012 |
- 0h03 |
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Categoria: Musical
MAIARA CAMARGO
Criadas pelo cartunista Charles Addams (1912-1988), as excêntricas figuras da famÃlia que leva o nome de seu inventor surgiram em 1932, na revista The New Yorker. Com modos que contrariavam totalmente o padrão ideal da famÃlia americana e um humor negro bem peculiar, os personagem viraram série de TV, filmes, desenho animado e, em 2010, um musical.
Confirmando a entrada de vez do Brasil no mercado de grandes produções, o espetáculo chega hoje a São Paulo. Depois dos EUA, o Brasil é o primeiro paÃs a receber a obra, que segue para Austrália e Inglaterra. Com Marisa Orth (que se reveza com Sara Sarres) e Daniel Boaventura nos papéis do casal MortÃcia e Gomez, a montagem que estreia por aqui não é exatamente a mesma que esteve em cartaz na Broadway, em Nova York, lembrando que a produção recebeu uma série de crÃticas negativas.
O americano Jerry Zaks, dono de quatro prêmios Tony (considerado o Oscar do teatro) e diretor da peça, conta que houve uma revisão no espetáculo. “Toda a equipe voltou ao trabalho. Entraram novas músicas, a história também foi melhoradaâ€, diz. O produtor Stuart Oken reforça o discurso. “A produção cruzou os EUA e depois do Brasil vai viajar pelo mundo.â€
A trama gira em torno do namoro da filha do casal, a adolescente Wandinha. A esguia Laura Lobo interpreta a personagem, sem as caracterÃsticas trancinhas, mas com feições assustadoras. Wandinha e Lucas (Beto Sargentelli) se conhecem no Central Park, quando a garota caçava pássaros com arco e flecha. Uma delas cai aos pés do rapaz. Apaixonados, planejam um jantar com as duas famÃlias para o anúncio do noivado.
O fato é que a famÃlia de Lucas, que parece ter saÃdo de um comercial de margarina (a atriz de musicais Paula Capovilla, que fez Evita, interpreta a mãe), não combina com a mistura de horror e sadismo dos Addams. Além dos pais, Wandinha tenta desesperadamente controlar o irmão Feioso (Gustavo Daneluz e Nicholas Torres), o tio Fester (Claudio Galvan), a avó (Iná de Carvalho) e o mordomo Tropeço (Rogério Guedes). Entre tantas figuras célebres, a única ausência na peça é mãozinha, a mão que vive com a famÃlia.
Para o diretor, além do carisma e da popularidade dos personagens, conta pontos o enredo, universal. “São duas famÃlias estranhas que descobrem que têm mais em comum do que imaginam. Fala de tolerânciaâ€, diz Zaks. Marisa Orth concorda. “Acho oportuno fazer FamÃlia Addams hoje. Eles têm orgulho das suas sujeiras, suas violências, sua sexualidade. Não escondem o parente feio ou o cachorro sarnento da visita.â€
Assinada por Cláudio Botelho, a versão nacional traz algumas alterações pontuais, de referências locais. Em uma cena, por exemplo, MortÃcia e Gomez relembram seu primeiro encontro, quando assistiam ao filme Morte e Vida Severina. E mesmo nesse fino humor politicamente incorreto, Michel Teló teve lugar. E os Addams ganharam seu momento Ai se Eu te Pego.
As marcas de uma época
- 11 de janeiro de 2012 |
- 23h20 |
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Categoria: Teatro
MAIARA CAMARGO
Paz e amor. A célebre máxima hippie dos anos 60 promete invadir a cidade a partir de amanhã, com a estreia do musical Hair. Mais uma megaprodução da consagrada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, o espetáculo chega por aqui após uma temporada de sucesso no Rio, atraindo mais de 100 mil espectadores. A versão paulistana da peça foi renovada no quesito elenco.
Do total de 30 atores, 16 foram trocados, incluindo personagens centrais. Um dos destaques é a entrada de Kiara Sasso, uma das maiores estrelas nacionais do gênero, que substitui LetÃcia Colin no papel da grávida Jeanie.
O desejo de montar a peça tomou conta da dupla em 2009, quando Möeller e Botelho assistiram à versão da diretora americana Diane Paulus, em Nova York. “Fiquei tocado ao ver a peça retrabalhadaâ€, explica Möeller. “Foi rápido conseguir os direitos. Ninguém sabia que faria sucessoâ€, diz Botelho.
Originalmente, a peça estreou em um teatro off-Broadway, em 1967. De autoria de Gerome Ragni e James Rado, se tornou um fenômeno e alcançou a Broadway. O texto ficou em cartaz até 1973. Anos depois, em 1979, deu origem ao filme de mesmo nome, dirigido por Milos Forman.
No Brasil, Hair ganhou sua primeira adaptação em 1969. Com direção de Ademar Guerra, a peça subiu ao palco um ano após a publicação do AI-5. A participação no espetáculo lançou atores e atrizes que hoje são consagrados no meio, como Sonia Braga, Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia e Aracy Balabanian. A coreografia foi assinada por Marika Gidali, fundadora do Ballet Stagium.
Tribo hippie
Hair cria um retrato do que acontecia naquele perÃodo: as descobertas do amor livre, do rock psicodélico, da filosofia oriental e das drogas, com destaque para as viagens de LSD, além da segregação racial e da tragédia da Guerra do Vietnã. A trama gira em torno de um grupo de hippies, liderado por Berger, interpretado por Fernando Rocha. O ator passou de reserva a dono do papel após a saÃda de Igor Rickli, que agora está em Judy Garland – O Fim do Arco-Ãris, outro musical de Möeller e Botelho, atualmente em cartaz no Rio.
Embora mostre uma época especÃfica, para Möeller, o espetáculo trata também de temas contemporâneos. “Ainda vivemos situações muito similares, guerras, falta de tolerância. Ainda apanhamos de direitos civis, de preconceitos racial e sexualâ€, diz.
Já Botelho precisou de muito cuidado para adaptar canções tão conhecidas, como Aquarius, que abre a peça. “O público chega querendo ouvir o que já conhece. São canções que falam de sensações. Ao meu modo, criei uma sopa de letrasâ€, conta.
Ao final da apresentação, o público é convidado a subir ao palco, explica Möeller. “A peça estabelece uma conexão rápida com a plateia. Quando acaba, parece que todos são Ãntimos.†Tudo com um jeitinho bem hippie.
DIVIRTA-SE
Hair
Teatro Frei Caneca. Rua Frei Caneca, 569. Tel. 3472-2226.
Estreia amanhã, às 21h30. Até 29/4. Qui., às 21h. Sex., às 21h30. Sáb., às 18h e às 21h30. Dom., às 18h.
Ingressos: R$ 130 a R$ 160. 14 anos.
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Botelho, Fernando Rocha, Frei Caneca, hair, Igor Rickli, Möeller, musical, peça
Claudia Raia: a grande dama do cabaré
- 27 de outubro de 2011 |
- 23h25 |
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Categoria: Música
ANA RITA MARTINS
No centro do palco enfumaçado, uma Claudia Raia seminua move os quadris sensualmente. Segue em direção à plateia, cantando e lançando olhares enviesados. O número é do espetáculo Cabaret, o 10º musical da carreira da atriz, que estreia hoje no teatro Procópio Ferreira.
Nele, ela interpreta Sally Bowles, uma prostituta e dançarina que se apaixona por um escritor. Com 150 figurinos mÃnimos – Claudia e bailarinos passam o espetáculo praticamente inteiro de lingerie – Cabaret é adaptado de clássico da Broadway que foi para Hollywood em 1972 (veja ao lado), em longa homônimo imortalizado por Liza Minnelli.
“Fui convidada a fazer a Sally em 1989, mas estava comprometida com a novela Rainha da Sucata, conta a atriz. “Passei 20 anos pensando nela até conseguir comprar os direitos autorais.â€
O espetáculo original é de 1966 e foi escrito pelo dramaturgo Joe Masteroff, que se baseou na peça Eu Sou Uma Câmera, de John Van Druten, inspirada, por sua vez, no livro Adeus, Berlim, de Christopher Isherwood. A história se passa em 1931, num cabaré decadente de Berlim, o Kit Kat Club.
Na versão original, as músicas são de John Kander e Fred Ebb – dupla de compositores dona de musicais de sucesso como Chicago e O Beijo da Mulher Aranha. Na versão brasileira, as adaptações musicais e do texto ficaram por conta de Miguel Falabella. A montagem conta com 21 atores e uma orquestra de 14 músicos. A direção geral é de José Possi Neto.
Atuações marcantes
O papel de par romântico de Claudia Raia estava prometido a Reynaldo Gianecchini, mas como o ator está afastado dos trabalhos artÃsticos para tratar de um linfoma, foi substituÃdo por Guilherme Magon, de 25 anos, que vinha de Mamma Mia!. “Fiz uma leitura-teste para participar de Cabaretâ€, contou. Claudia Raia e o diretor se encantaram com sua atuação. “A quÃmica entre ele e Claudia foi instantâneaâ€, diz Possi Neto.
Nas cenas apresentadas a jornalistas, porém, isso não fica óbvio. A interpretação de Magon não chama muito a atenção nos números exibidos. O destaque masculino, na verdade, foi o ator Jarbas Homem de Mello, que interpreta o personagem MC, mestre de cerimônias que narra toda a história ao público. Além de ter uma voz poderosa e dançar com elegância, Jarbas criou uma carga dramática e irônica para o personagem que, em cena, prende a atenção do público.
Experiente, participou dos musicais Lés Misérables, O Fantasma da Ópera, Rent e Grease. Já a trilha sonora ganhou arranjos especiais para reforçar a dramaturgia do espetáculo. Marco Araújo, responsável pela direção musical e vocal, criou duas trilhas sonoras diferentes.
“Quando os personagens estão falando de si mesmos, os arranjos são mais complexos e rebuscadosâ€, ele explica. “Já nas horas de convivência no cabaré, são simples.†A versão brasileira, inclusive, conta com mais músicos (14) do que a original (9). “Quisemos dar um peso maior à orquestraâ€, diz Araújo.
Da mesma forma que a concepção musical, o figurino foi composto e executado atentando-se aos mÃnimos detalhes. Fabio Namatame, figurinista, criou um vestido com 20 mil pedras de cristais Swarovski que Claudia Raia usa para cantar a música Grana. “Também fiz uma pesquisa vasta com lingeries dos anos 20 e 30â€, contou.
Ao desenhar as roupas, Namatame procurou valorizar o corpo de cada bailarino. “Isso foi facÃlimoâ€, diz. De fato, a produção conta com uma sucessão de atores sarados. Claudia Raia, aos 44 anos, então, exibe boa forma de dar inveja em moças de 20.
A coreografia, criada por Alonso Barros, torna a beleza dos atores ainda mais evidente. Com movimentos sensuais e muito contato fÃsico, os bailarinos tiram o fôlego da plateia a cada performance. “Fizemos laboratórios para que cada bailarino trouxesse movimentos que representassem seus personagensâ€, conta Barros.
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