O amor de duas mães
- 2 de julho de 2012 |
- 23h02 |
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Categoria: Celebridades, Teatro, TV
IGOR GIANNASI
A atriz Ana Lucia Torre, de 67 anos, está se desdobrando em duas mães diferentes – na TV e no teatro –, mas ambas muito intensas em seu amor maternal.
Na telinha, ela interpreta Verbena na novela das 6 Amor Eterno Amor (Globo), que por quase 30 anos procurou o paradeiro do filho Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) – sem nunca desistir da busca.
E na trama espÃrita de Elizabeth Jhin, mesmo após a morte, Verbena continua a zelar pelo filho, como um espÃrito de luz.
Já no palco, o tom é de comédia como a mãe judia superprotetora de Como se Tornar uma Super Mãe em 10 Lições, em cartaz no Teatro Gazeta, em que divide o palco com Danton Mello e Ary França.
Como está sendo fazer a Verbena nessa fase de espÃrito de luz?
Estou extremamente feliz fazendo esse personagem por dois ou três motivos. Primeiro porque, por meio dele, se falou muito do problema do desaparecimento de crianças. A Verbena ficou sem ver o filho por praticamente 30 anos e não desistiu de procurá-lo. É obvio que toda mãe faz isso, mas acho que, por meio desse personagem, foi mais um ânimo para que essas mães que têm seus filhos desaparecidos continuem na luta. O outro é a parte espiritual, que, para mim, é extremamente importante, na medida em que eu acredito, sou espÃrita. É uma extrema responsabilidade fazer um personagem que mostre esse outro lado de compreensão da vida.
É importante uma telenovela abordar temas que influenciam a sociedade de alguma forma?
Não tenha dúvida. Por exemplo, eu sempre quis fazer uma novela de Glória Perez porque ela é uma das pessoas que sempre abordam um tema social. Infelizmente, não vai dar para fazer a novela dela agora, porque os workshops já começaram, eles começam a gravar este mês e a minha só termina no final de agosto (a atriz foi convidada para Salve Jorge, nova novela da autora, mas teve de recusar). Acho que é responsabilidade, é cidadania falar sobre isso e participar de uma obra que fale sobre isso.
Que papéis foram marcantes para você?
No teatro, tive a graça de fazer comédia, tragédia, farsa, musical. Tenho vários para citar, mas vamos falar de dois, e que são da dramaturgia brasileira. O primeiro é Eles Não Usam Black Tie (de Gianfrancesco Guarnieri), em que eu fiz a Romana, inesquecÃvel. Tive o prazer de, na estreia do Rio, a Fernanda Montenegro ir me ver. Ela quem fez (a personagem) no cinema. Aqui em São Paulo, Lélia Abramo foi me ver. Foi ela quem criou o papel (na versão original para o teatro). O outro é a Mariana do Rastro Atrás, do Jorge Andrade.
E na televisão?
Teve muita coisa. Em Alma Gêmea (como a vilã Débora), foi um dos papéis mais fortes e mais marcantes que fiz. Foi uma novela do Walcyr Carrasco em que eu fazia uma pessoa muito má, aquela coisa de assustar e me deu um enorme prazer. Teve um que foi um papel pequeno, sem muita interferência na obra, mas pelo qual o público é apaixonado, que é a Tia Neném, de Insensato Coração. E eu fiz aquilo com um prazer incrÃvel, porque era uma delÃcia, era entrar no estúdio e fazer farra. Lá eu era a tia do Gabriel Braga Nunes, que hoje é o meu filho. E o meu primeiro diretor de teatro profissional (em Equus, em 1975) foi o Celso Nunes, que é o pai do Gabriel.
Como você vê a oferta de bons papéis para atrizes mais velhas na televisão?
Eu acho que tem. Talvez se houver um tema especÃfico, uma atriz mais velha será uma protagonista. Já vimos algumas novelas, como, por exemplo, Passione, que tinha a Fernanda (Montenegro) e, por menor que fosse o papel, tinha o Leonardo Villar e a Cleide Yáconis, extraordinários. Tenho a graça de ter uma profissão que não tem prazo de validade para trabalhar, não tem aposentadoria compulsória.
Em relação à peça Como Se Tornar uma Super Mãe em 10 Lições, o que despertou em você o interesse em atuar nela?
Não sei porque, desde pequena, estou rodeada por coisa judaica, embora eu não seja. Fiz uma judia ortodoxa na novela Caras & Bocas (2009). Eu tinha feito, há mais ou menos dez anos, um monólogo chamado Rose Rose, sobre a trajetória de uma judia desde os 10 anos de idade até os 80. O povo judeu tem um humor absolutamente genial. E essa peça é um humor completamente judaico, mas que universaliza esse amor judaico ao falar da mãe. E mãe é mãe. Vai sempre querer colocar um casaquinho na mochila do filho. Falar dessa coisa de mãe e filho levada ao extremo é muito engraçado.
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