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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Sob nova geração

Categoria: Celebridades, Comportamento

 

MARCELA RODRIGUES SILVA

Luiza Lemmertz, Sophia Reis e Lynn Court despontam no teatro, cinema e TV. Em comum, além do talento, elas trazem o sobrenome e os traços dos pais famosos

Aos 23 anos, a atriz Luiza Lemmertz carrega no sobrenome – e nos traços fortes de sua face – a responsabilidade de levar adiante a história de sua admirada família. Ela é filha de Julia Lemmertz, de 48 anos, a Esther de Fina Estampa, novela das 9 da Globo, e neta de Lilian Lemmertz, a primeira Helena de Manoel Carlos, que morreu aos 48 anos, vítima de um enfarte em 1986. E apesar dos preconceitos que costumam rondar os filhos que optam seguir o mesmo caminho dos pais famosos, Luiza não nega o sobrenome, tampouco a genética que lhe conferiu o talento para a atuação.
Depois de quase dois anos no Teatro Oficina, de José Celso Martinez, onde fez cursos e viajou pelo País, a jovem atriz começa a sentir as dores e as delícias da fama, ao ser reconhecida pela peça O Libertino, dirigida por Jô Soares, em cartaz no Teatro Cultura Artística Itaim, em São Paulo. “Sempre estive do lado underground do teatro. É minha primeira peça mais acessível ao grande público. De fato, a popularidade aumenta”, reconhece ela, cuja responsabilidade aumentou com os elogios de Jô. “Ela tem porte de grande atriz. Me lembra a avó”, disse ele, na apresentação da peça à imprensa, em outubro.

Se hoje seu sobrenome é motivo de orgulho, durante a adolescência, Luiza Lemmertz revela que o peso dele a obrigou a adiar seus planos profissionais. “Sempre gostei de teatro na infância. Mas quando eu era adolescente, fiquei reclusa. Acho que era uma forma de rebeldia. Até foi bom para eu conhecer outras coisas”, explica a atriz, referindo-se à faculdade de Desenho Industrial, cursada apenas por três períodos no Rio de Janeiro.

(Foto: Ernesto Rodrigues/AE)

Mais madura e sem medo das possíveis – e quase inevitáveis comparações –, Luiza voltou a estudar teatro. A decisão trouxe essa carioca para São Paulo, em 2008, para os cursos no Teatro Oficina. Depois de mais de um ano viajando com o grupo do diretor José Celso Martinez, ela fincou raízes na capital paulista, onde pôde estar mais próxima de sua história.

Desde que se mudou, Luiza mora no apartamento que pertenceu ao avô, o ator Lineu Dias (1928-2002), na região central. Livros, pinturas, vinis e fotografias contam um pouco da trajetória de parte da família artista que ela pouco conheceu. No dia da entrevista ao JT, poucos dias antes do Natal, Luiza acabara de fazer uma limpeza de fim de ano na casa. “É para começar 2012 com novas energias. E acabei encontrando mais um monte de registros que nunca havia visto”, disse ela.

“Meu avô era um intelectual. Encontrei tanta coisa interessante, inclusive fotos da minha avó. Morar aqui ajudou a me adaptar à cidade e também à profissão de atriz”, completou, sem esconder a felicidade de poder compartilhar com a mãe os anseios e as alegrias da profissão pela qual começa a ficar conhecida.

“Somos amigas e conversamos muito. E, claro, sempre que posso, eu a assisto na TV e adoro rever os trabalhos da minha avó”, revela ela, que lembra, ainda, de outra importante influência: o ator Alexandre Borges, seu padrasto. “Ele está na minha vida há mais de quinze anos e, com certeza, é mais uma referência que tenho a sorte de ter por perto.”

Sophia, na TV e no cinema


Outro nome que começa a despontar no cinema e na TV e, inevitavelmente, a ser associado ao pai, é o de Sophia Reis, de 23 anos. A filha número dois do músico Nando Reis, ex-Titãs – que até pouco tempo era conhecida por inspirar uma música do pai, assim como seus outros quatro irmãos – escolheu o caminho de atriz e hoje se destaca e faz fama como repórter do programa A Liga, exibido às terças-feiras, às 22h20, na Band.

Sophia prefere dizer que apenas “está repórter”. Na verdade, ela é atriz de longa data. “Um amigo me falou que a emissora estava fazendo testes e quis tentar”, conta. Seu berço artístico, porém, é o teatro e a grande estreia acabou acontecendo no cinema, com o longa-metragem Meu Tio Matou Um Cara, de 2004, dirigido por Jorge Furtado e com Lázaro Ramos no elenco. Depois, de 2008 a início de 2010, ela foi VJ da MTV e, este ano, pôde ser vista no filme Os 3. Em novembro, fez ainda um ensaio sensual para a revista VIP.

Como repórter, Sophia ganhou popularidade por se mostrar como é. “O programa é mais do que uma experiência profissional. É pessoal. Tenho contato com realidades tão distintas. Os temas são complexos e pouco explorados. O programa tem um papel importante na sociedade e isso mexe comigo”, diz ela, que, várias vezes, emocionou-se diante das câmeras. “A gente vive em uma bolha e mal conhece São Paulo de verdade.”

Como filha de pai famoso, Sophia diz que as comparações com ele são indiferentes, mas já sofreu com a proporção que a mídia deu a suas declarações. Recentemente, ela participou de um vídeo a favor da liberação da maconha. “A sociedade é hipócrita. A maconha é tão ruim quanto álcool e tabaco. E independentemente de fazer ou não parte de determinada realidade, posso ter uma opinião e expressá-la”, justifica. Ainda assim, ela não credita a polêmica ao nome do pai. “Ele faz uma coisa totalmente diferente da minha. Ele me influencia tanto quanto minha mãe. É normal.”

A menina veneno de Ritchie


Lynn Court, de 27 anos, não seguiu o caminho do pai. Ainda assim, quando conta às pessoas de quem é filha, não escapa de ouvir brincadeirinhas envolvendo o hit dos anos 80 Menina Veneno, imortalizado na voz do pai Ritchie, cantor e compositor inglês radicado no Brasil. A trajetória artística de Lynn, no entanto, foi por outra direção. Ela flertou com o teatro, modelou, fez grafite, formou-se em Desenho Industrial. Só não enveredou-se pela música.

Em 2009, estreou como apresentadora do TV Globinho, no qual ficou menos de um ano, e participou de episódios de A Turma do Didi. Hoje, firma-se como apresentadora da revista eletrônica Noia, em sua segunda temporada pelo canal pago Woohoo, exibido às quartas-feiras, às 22h20.

Lynn admite que caiu de paraquedas na TV, mas que se encontrou nela. Tanto que, em 2010, começou a cursar Jornalismo no Rio de Janeiro, onde mora com os pais, para investir na carreira de apresentadora. “Meu pai nunca me pressionou para eu seguir na música, assim como minha mãe, estilista, também não. Mas, naturalmente, tomei gosto por diversas formas de artes. Somos uma família muita ligada à arte”, diz ela.

“O legal é que eles compreendem minha carreira. Muitas vezes, já trabalhando com TV, eu pensava em desistir, mas eles me apoiavam, incentivando-me a seguir o que eu amo.”

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