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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Sharon Jones, a pequena notável

Categoria: Música

ADRIANA DEL RÉ

A grande voz da cantora americana Sharon Jones, 55 anos, habita um corpo pequeno. Comunicativa e divertida, Sharon é baixinha, mas tem porte de diva da soul. Ela não sabe ao certo como reagir a esse rótulo que, invariavelmente, críticos usam para adjetivá-la. É que, para ela, “diva” pode ter duas conotações: a de grande cantora, que interpreta com emoção, ou da artista cheia de exigências e frescuras. Por isso, seu desconforto. “Se me chamarem assim se referindo a uma cantora que canta com o coração, tudo bem. Mas se for bitch (vagabunda), não! (risos)”, disparou ela, num bate-papo com a imprensa, na manhã de ontem, num hotel em São Paulo.

Uma das principais atrações do BMW Jazz Festival, Sharon Jones e The Dap-Kings se apresentam hoje, no Auditório Ibirapuera, com ingressos já esgotados. Amanhã, último dia do festival, ela e banda participam de uma versão ao ar livre e de graça do evento, a partir das 17h30, no lado de fora de auditório. Pela primeira vez diante do público brasileiro, Sharon espera ter a mesma receptividade que recebeu quando foi gravar, por esses dias, numa emissora de TV em São Paulo. Ela ficou admirada. “Os jovens gritavam.” Antes de vir, ela conta que algumas pessoas a aconselharam a ter cuidado, a tirar as joias quando saísse. “Mas vocês estão falando de Nova York! É minha área (risos)”, brincou, com um carregado sotaque sulista da Georgia, cidade onde nasceu. Em seguida, retomou um tom mais sério: “Estou tão feliz de estar aqui.”

A exemplo de outras divas, Sharon não veio ao mundo da música a passeio. Ex-carcereira, viu as portas fecharem na sua cara quando tentou se lançar como cantora, ou por ser baixa demais, ou por ter a pele escura demais ou por, aos 30 anos, ser considerada “muito velha”. Sem pretensões de ser pop star com cacoetes vocais à la Christina Aguilera ou Whitney Houston, focou no que queria até ter o almejado reconhecimento. Mesmo que tardiamente. “Aprendi isso: você pode controlar sua vida”, disse. “Ainda aprendo e ainda é duro.”

Ela segue em frente, influenciada pela sonoridade dos artistas da lendária gravadora Motown. E por Aretha Franklin, sua maior inspiração. Quando via Aretha cantando e tocando piano, imediatamente enxergava nela a artista que gostaria de ser.

No disco de Amy
Sharon Jones é aparentemente bem resolvida com sua condição de mulher forte, independente e solteira. Como não se casou, nem teve filhos, a música se tornou uma prioridade natural. “Existem tantas jovens mulheres negras com três, quatro, cinco filhos, de pais diferentes. Eu queria ser casada para ter filho. Nunca me casei, então, sem crianças. Manter relacionamentos foi difícil. Mas escolhi minha carreira musical.”

A cantora tornou-se uma das estrelas da gravadora Daptone Records, assim como The Dap-Kings. Os músicos da banda participaram das gravações de Back to Black, bem-sucedido disco da cantora britânica Amy Winehouse, que foi lançado em 2006. Neste seu segundo trabalho, Amy buscava uma sonoridade que soasse como o soul da velha escola. E a banda contribuiu para isso. Perguntada sobre como o álbum de Amy Winehouse os ajudou, Sharon deixou seu recado: “Eles que gravaram com ela, não ‘moi’ (eu).”

Assista a Sharon Jones em ’100 Days, 100 Nights’

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