Seu Jorge: “Existe preconceito no Brasil”
- 11 de outubro de 2010 |
- 0h54 |
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Categoria: Celebridades, Música
Adriana Del Ré
Em sua casa no bairro do Pacaembu, em São Paulo, o músico e ator carioca Jorge Mário da Silva, o Seu Jorge, 40 anos, mostra que tem os pés no chão (protegidos por confortáveis meias vermelhas) e a cabeça cheia de projetos.
Primo do sambista Dudu Nobre e sobrinho postiço de Jovelina Pérola Negra, Seu Jorge se considera um sobrevivente. Cresceu na favela Gogó da Ema, no Rio, perdeu o irmão numa chacina, viu a família se despedaçar e passou três anos morando na rua.
Mas foi resgatado pela música e pelo teatro. Ajudou a fundar o conjunto Farofa Carioca e, há dez anos, se lançou à carreira solo na música, que o levou ao cinema. Hoje, casado e pai de três filhas, ele está em turnê com músicos do Nação Zumbi, com o CD Almaz, e nas telonas, em Tropa de Elite 2.
Você cresceu numa família unida. Mas, depois que seu irmão foi morto, ela se desestruturou. O que aconteceu?
Não tinha nada a ver ficar na comunidade depois daquilo. Foi todo mundo para a casa de parentes. Nisso, a gente se separou. Eu tinha 20 anos. Para eu estar morto, era um pulinho. Era só eu querer me vingar, como Mané Galinha.
Como preservou a sanidade mental quando viveu na rua?
A música foi fundamental. Mas o mais legal foram os encontros. Conheci Gabriel Moura, sobrinho de Paulinho Moura, num bar. Eu o vi tocando violão. Foi ele quem me levou para o teatro.
Como foi morar na rua e, de repente, trabalhar com grandes nomes da música e do cinema?
É normal. Nunca fui rejeitado por pai, mãe, irmãos. Quando eu estava na rua, as pessoas tinham uma certa suspeita. Mas quando conversavam comigo, mudavam na hora. Por eu ter passado muita dificuldade, hoje, que está tudo bem, não dá pra pirar.
Que sonho realizou quando ganhou a primeira grana?
Casei e trouxe minha mãe para morar comigo (risos). Aluguei uma casa em Copacabana. Não tinha dinheiro para comprar uma. Já tinha saído da situação de rua, mas não estava bem ainda. Eu tinha assinado com a Polygram na época, para fazer um disco com o Farofa Carioca. Foi uma grana legal, uns R$ 27 mil.
Já enfrentou racismo?
Aqui no Brasil, existe preconceito. Uma vez, fui ao cinema de um shopping de São Paulo com minhas filhas, minha mulher, Mari, e a tia dela. Fui num restaurante e saí para comprar cigarro. Nisso, vi um segurança atrás de mim. Falei para a Mari que tinha achado estranho. Aí, ela ficou brava comigo, achando que era bobagem da minha parte. A gente brigou e eu saí na frente. Fui até o estacionamento, para pegar o carro. O elevador abriu e duas senhoras botaram a cabeça para o lado de fora. Quando as velhas me viram, fecharam a porta e subiram de novo.
Elas foram chamar o segurança?
Sim. Quando subiram, lá estavam minha família e um segurança. As duas disseram que tinha um preto lá embaixo. Achavam que eu queria roubá-las. A Mari se ligou. Quando ela viu que era eu, começou a gritar. As duas subiram correndo. Fui atrás delas para dar voz de prisão: “Eu não passei por vocês, não falei com vocês. Como vocês podem suspeitar de mim? Por que sou preto? Então, é racismo”. Sabe o que eu descobri? Que elas gostavam do Seu Jorge.
O que acontece no Brasil é preconceito velado?
Enquanto a disparidade social não for resolvida, o racismo vai continuar. Eu tenho um Mustang. Quando estou dirigindo, os motoboys gritam, ficam orgulhosos. Quando é playboy, rola recalque.
Como surgiu o convite para integrar o elenco de ‘Tropa 2’?
Eu estava no Rio. Encontrei com Marcos Prado, produtor do filme, e ele me perguntou se eu não faria uma ponta no Tropa 2. Eu trabalharia até como o cara do café. Eu queria ter participado do Tropa 1. É um papel pequeno, mas intenso. Não li o roteiro. O (José) Padilha me contou na hora.
Para você, cinema e música têm o mesmo peso?
Com certeza. Todo ano, faço um, dois filmes. É a prova de que tenho essa carreira. E sem agente procurando filme para mim. Os diretores me ligam. Agora mesmo eu tenho quatro projetos e sei que dois deles não vou poder fazer, porque vão ser ao mesmo tempo.
E já escolheu quais vai fazer?
Topei os quatro, meu amor. É que eles são ótimos: a trilha sonora de um filme de Vincent Cassel; um filme com Justin Timberlake; uma animação do Carlos Saldanha; e um filme de Mika Kaurismäki. E sofro tanto quando acaba, porque não sei se vou ver de novo Bill Murray ou Brian Cox. Quando vou filmar de novo com dona Fernanda Montenegro? Sou negro, vim da favela do Rio, sem formação acadêmica e com a oportunidade de ter isso na minha vida. É muito importante.
Você estudou até que série?
Até a 7ª série. Mas tenho vontade de voltar a estudar. Todo dia penso nisso. Em dezembro, vou morar nos EUA, pensando no trabalho e na escola das crianças. Vou ficar lá durante o tempo que minhas filhas mandarem. No tempo ocioso, quero estudar e vou começar me aplicando em economia.
Economia? Desde quando você se interessa pelo assunto?
Fiz uma projeção que o dólar ia parar em R$ 1,30 em maio de 2007. E deu certo. Eu tinha feito essa previsão em setembro. Aí falei: tenho de fazer essa porra. Todo dia, assisto ao Conta Corrente, Globo News Indicadores. É um vicio. Economia é um instrumento vital para eu saber o que farei daqui a 5 anos.
Como avalia o quadro econômico brasileiro?
Para se adequar à nova situação, o Brasil tinha de fazer uma série de reformas fundamentais, como reduzir a dívida e o gasto público. Mas entendo que o presidente Lula fez sua parte. O Brasil está na mídia econômica por causa dele. Votei nele uma vez. Mas não quero participar dessa votação. Os candidatos não têm propostas.
Você fez curso de inglês por causa da carreira internacional?
Nunca fiz. Mas falo inglês, francês, italiano. Tudo no autodidatismo. Tenho um ouvido muito bom.
Com quem você tem vontade de trabalhar?
Eu gostaria de levar um som com o vibrafonista Roy Ayers, André 3000, vocalista do Outkast, Cat Power, Charlotte Gainsbourg, com quem quase fiz um filme. Acabei de fazer um som com o Beck, gravei com Jack Johnson, fiz um som com o Sérgio Mendes e devo me encontrar com Erykah Badu.
Você está em turnê internacional com o novo ‘Almaz’, que ainda não chegou ao Brasil. Por que lançá-lo no exterior?
É um trabalho que não tem uma sonoridade que se reconheça. Muitas vezes, a situação no Brasil não permite que as pessoas estejam antenadas, em tempo real, com aquilo que está acontecendo. Aí, você precisa tentar muito até que todo mundo esteja sabendo. Não temos esse tempo nas nossas vidas. Ou vai ou não vai. E sentimos que o Brasil não ia assim de cara.
Com o disco ‘Cru’, você já havia tido essa experiência, não?
O Cru apanhou muito da crítica daqui. Ninguém entendeu. Talvez porque houvesse expectativa de eu ser mainstream. Gosto da liberdade de apresentar coisas novas. Mas ganhei cinco estrelas da Rolling Stone, The Guardian. Então, me desculpa, não vou me preocupar com a imprensa daqui do Brasil.
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11/10/2010 - 18:52 Enviado por: Tweets that mention Jornal da Tarde -- Topsy.com
[...] This post was mentioned on Twitter by jornal da tarde (JT), Variedades. Variedades said: : Seu Jorge: "Existe preconceito no Brasil" http://blogs.estadao.com.br/jt-variedades/seu-jorge-existe-preconceito-no-brasil/ [...]
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07/04/2011 - 15:54 Enviado por: ROBSON SANTANA
A VERDADE E DURA MAIS EU ESTOU COM VOCE SEU JORGE QUANTOA QUESTÃODAS CRITICAS DOS NOSSOS JORNALISTA
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22/11/2011 - 12:51 Enviado por: Lourenco de Lima Junior
Preconceito e racismo, uma grande vergonha
“Às vezes eu fico pensando: De que adianta viver dentro de uma igreja, para pessoas que tem como diversão, fazer mal, debochar, criticar, falar mal e principalmente, discriminar seu semelhante. Por exemplo: Nos países onde vivem em pé de guerra, matam em nome de um Deus em que acreditam estar fazendo a coisa certa, mas será que o Deus criador, aquele que é justo, bondoso, será que ele permite que um tire a vida do outro, existe uma frase muito correta que uma tia minha sempre dizia.” Não plante o mal esperando o bem, porque ele não vem, se quisermos trilhar o caminho de rosas, primeiro devemos cultivá-lo.
É certo uma coisa, você esconde seus malfeitos de qualquer ser existente nessa bola de terra, só que de nosso Deus criador ninguém esconde nada, pois diante dele qualquer gigante tomba
Quem nunca ouviu aquele ditado” Pimenta no olho do vizinho”. Então se eu não quero a dor pra mim, por que eu farei outros sentirem dor.
“O ser humano precisa se convencer de uma coisa” Ninguém é melhor que ninguém, independente de raça, cor, sexo… Etc… Etc.
Ou me diga uma coisa, será que existem ainda pessoas que se julgam acima do bem e do mal? Pois até hoje não vi ninguém que trilhou esse caminho e no final se deu bem” O valente sempre acaba morrendo nas mãos do covarde, por se julgar o invencível.
Podem me chamar do que quiser, de besta, quadrado, idiota, não faz mal, mas acredito muito em um Deus justo e celestial que nos conduz em nossas vidas, se quisermos ter paz e tranqüilidade, assim como existe o branco com qualidades, o negro, o homossexual também são dignos de respeito, pois também possuem qualidades e não podem ser visto como lixo, afinal cada ser tem direito de fazer suas escolhas. Obs.: acredito que deveriam ter penas mais severas para pessoas que agridem, principalmente agressão física em nome do racismo, em primeiro lugar devemos respeitar nosso semelhante, porque mais cedo ou mais tarde, teremos que prestar conta de nossos atos.
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