Rosi Campos: ‘É maravilhoso poder carregar a Morgana pelo resto da vida’
- 12 de fevereiro de 2012 |
- 22h45 |
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Categoria: Celebridades, Cinema, Entrevistas, Espetáculo, Show, Teatro, TV
Por Maiara Camargo
Em cartaz com a peça infantil ‘A Saga da Bruxa Morgana e a FamÃlia Real’, a atriz Rosi Campos revisita a personagem que marcou sua carreira, a simpática feiticeira do ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, da TV Cultura. Simultaneamente, Rosi já está gravando a próxima novela das 6, ‘Amor Eterno Amor’, que tem estreia prevista para o próximo mês.
Nos palcos há mais de 35 anos, Rosi se formou em jornalismo e chegou a trabalhar nos Correios, ao lado de Eliane Giardini, durante a faculdade. Ao JT, a atriz falou sobre o medo de cirurgias plásticas, a infância, a corrupção que assola o PaÃs e mais.
Você fez muitos personagens, mas a Morgana é a mais conhecida. É o personagem da sua vida?
A Morgana e a Mamuska são meus papéis mais lembrados. A diferença é que a Morgana eu continuo fazendo. É super legal ter um personagem de que a criançada gosta. Então, é maravilhoso poder carregá-la pelo resto da vida.
Muita gente tem você como Ãdolo de infância. Quem foram os seus Ãdolos de criança?
Ah, o Flash Gordon, Rin Tin Tin, National Kid… Era o que tÃnhamos para assistir naquela época.
Você nasceu em Bragança Paulista (SP). Morou por lá?
Eu nasci em Bragança porque meu pai levou a farmácia do meu avô para a cidade, que estava prosperando, quando minha mãe estava grávida. Meu pai era advogado, e meu avô era farmacêutico. Então, é uma cidade onde não tenho parentes. Minha famÃlia é de Santa Cruz das Palmeiras. Com sete meses, vim morar em São Paulo.
Como você era na infância?
Eu estudei em escola de freiras, só de meninas, mas não era tão rÃgido. Dava para fazer umas baguncinhas. Eu era tÃmida e, como sempre fui alta, ficava no fundão, mas não dei nenhum trabalho para os meus pais (risos).
Você sempre quis ser atriz?
Eu queria fazer cinema, mas, naquela época, só tinha pornochanchada. Meu pai não ia deixar. Mas ele me deixou fazer jornalismo. Eu fui estudar na USP, e como os departamentos eram meio juntos, eu fazia aulas de cinema, música. Também havia o teatro, né?
Foi lá que você começou?
Comecei com montagens no grupo Geteca. Depois, fui para o Mambembe. Foi nessa época que realmente entrei para o teatro.
Trabalhou com jornalismo?
Não em redação, mas fui assessora de imprensa da Som Livre por cinco anos. Na época, eu já estava fazendo teatro. Antes, na faculdade, trabalhei nos Correios.
Nos Correios?
Sim, no setor de telegrama por telefone, em 1978. Eu e a Eliane Giardini trabalhávamos no mesmo departamento. Pagava muito bem e eu trabalhava só meio perÃodo. Eu já conhecia ela do teatro e nos cruzamos lá por acaso.
Tinha muito telegrama com conteúdo estranho?
Nossa, tinha de tudo, até telegrama vendendo o Maranhão (risos). Tinha mensagem cifrada, que não dava para entender. A vida estava passando ali. Era época de ditadura. Só tinha mulher trabalhando, e eram umas mulheres muito loucas.
Como foi quando seu pai te viu no teatro?
Ele não gostava muito. Na verdade, ele assistiu apenas uma peça minha. E ele morreu cedo, em 1981, eu ainda estava começando. Talvez, se tivesse acompanhado mais, iria gostar. Já a minha mãe sempre me deu força.
Foi em 1989 que você fundou o Circo Grafitti, certo?
Sim, nós estreamos com Você Vai Ver o que Você Vai Ver, com direção do Gabriel Vilella. Levamos a peça até para a Colômbia.
Foi nessa viagem que vocês precisaram de seguranças?
Não, isso foi com o Teledeum (1987), que levamos para um festival na Colômbia. Quando descemos no aeroporto, o Mario César Camargo estava com uma garrafa de uÃsque na mão. No dia seguinte, saiu no jornal que não era para ninguém ver a peça. Eles ameaçaram o Cacá Rosset de morte.
Ficaram com medo?
Não, achamos engraçado. Andávamos acompanhados pelos bombeiros, e antes da peça os cachorros verificavam se não havia bomba no teatro. Era uma medida de segurança bem comum por lá.
Em 2010, você atuou em ‘Chico Xavier – O Filme’. Segue alguma religião?
Sou espÃrita. Eu me tornei espÃrita depois dos 30 anos. Comecei a frequentar com meu marido o centro espÃrita do dr. Herculano Pires e gostei muito. E foi ótimo fazer o filme, que é muito bonito.
Vi que você tem Facebook. Gosta de redes sociais?
Eu tento manter, mas acho difÃcil encontrar tempo para isso. Tento responder aos fãs, mas no momento estou meio relapsa.Não ão sei usar essas coisas muito bem. Só aprendi a mexer no Facebook.
No seu perfil, aparece indicado que você tem uma visão polÃtica de esquerda.
Sério, onde isso? Ah, essa coisa de direita e esquerda não existe mais, é coisa antiga. Hoje em dia é tudo misturado, não existe partido. Existe quem vai roubar mais. Essa questão ideológica acabou, o que pode até ser bom. Muita coisa errada foi feita em nome da direita e da esquerda. O que precisamos é de bons gestores, de pessoas que resolvam os problemas, não de polÃticos.
Acompanha noticiário polÃtico?
Sim e fico indignada com os casos de corrupção, mas ninguém faz nada. É um povo que, podendo, também rouba. O que é que nós vamos fazer? A pessoa acha que tudo bem pegar um pouquinho aqui, ali. A questão da ética no Brasil é complicada.
O que está achando do governo da presidente Dilma?
Estou achando legal. Antes, nos outros governos, houve uma época de crescimento muito grande com as coisas boas que aconteceram no mundo. Com a China comprando. Mas, na verdade, o Brasil não está crescendo, o que está crescendo é um setor. Se você viajar 100 quilômetros para dentro de São Paulo, parece que você ainda está em 1500. Há muita gente pobre, sem saneamento básico. Claro que muitas coisas melhoraram, mas enquanto existir isso, como você pode falar que o Brasil está maravilhoso?
Você está com 57 anos. Como lida com a idade? É vaidosa?
Eu não tenho muita paciência para isso. Você tem que se cuidar, televisão é cruel, mas eu nunca fiz plástica. Tenho medo. Agora, você tem que começar com menos de 40 anos, quando ainda pode fazer um procedimento corretivo, que não seja tão radical. Após os 30, a cara cai mesmo (risos).
Seu filho (Pedro Brandi) e seu marido (Ary Brandi) participam do espetáculo. Como é trabalhar em famÃlia?
Sim, meu filho sempre trabalha comigo. Ele é ator, fez faculdade de cinema e de artes cênicas. Ele também assina a luz do espetáculo. E assume o papel do ator Tadeu de Pyetro quando precisa. Eu aproveito que estamos trabalhando juntos para dar uns beijos e abraços escondidos nele (risos).Â
EÂ seu marido?
Ele é produtor do espetáculo. Ele é fotógrafo de teatro e shows há mais de 35 anos. Somos casados desde 1979, faz as contas…
E como se mantém um casamento de 33 anos?
Ah, nós nos aguentamos, né?
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