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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Eternamente Marilyn

Categoria: Sem categoria

MAIARA CAMARGO
MARCELA RODRIGUES SILVA

Ela não chegava no horário, deixava a equipe de filmagem esperando, abusava dos remédios e não era uma unanimidade no quesito atuação. Ainda assim, Marilyn Monroe (1926-1962), nome artístico de Norma Jeane Mortensen, era única. Mesmo após o mergulho na vida da diva, Michelle Williams, que a interpreta em Sete Dias com Marilyn, filme que estreia este mês, não sabe o que a fazia tão especial, mas reconhece que ninguém podia tomar o seu lugar. “Nunca houve alguém como Marilyn. Ela era insubstituívelâ€, disse em entrevista a David Letterman. “Há algo em Marilyn que não podia ser duplicado.â€

No ano em que a misteriosa morte da atriz completa 50 anos, sua cabeleira loira e a pinta sexy, que emoldurava seu rosto, estão mais presentes do que nunca. Por aqui, começa hoje a mostra Quero Ser Marilyn Monroe!, que traz uma série de obras inéditas que homenageiam a atriz. Também chegam às prateleiras a obra que inspirou o filme, um livro para colecionadores que une uma biografia de Marilyn às fotos de Bert Stern e, ainda, boxes com filmes da estrela. Na TV, a série Smash traz duas atrizes disputando o papel de Marilyn num musical.

E não é só no Brasil que a icônica figura está em alta. Na última semana, o Festival de Cannes, que acontece entre 16 e 27 de maio, divulgou o cartaz de sua 65ª edição. É Marilyn quem estampa o pôster do evento.
Diversos fatores podem tentar justificar a popularidade da atriz. O crítico Rubens Ewald Filho ressalta alguns deles. “A artista morrer cedo ajuda. Ter um caso com presidente e com o irmão dele, mais ainda. Também houve o escândalo da morte, suicídio ou assassinato. Tudo isso contribuiuâ€, afirma ele. “E tem outra coisa milagrosa. As fotos e a maquiagem dela não envelheceram. Ela está tão bonita agora, ou até mais, do que era.â€

A história pessoal da atriz, que nunca conheceu o pai, teve a mãe internada por problemas mentais e passou a maior parte da infância em abrigos, também conquistou muita gente. É o caso da atriz Priscila Freitas, de 33 anos, que começou a fazer cover da diva aos 19 anos, quando sua mãe, dona de uma agência de covers, precisou de uma substituta para a função. “Fiquei encantada com a trajetória dela. Passei a pesquisar, tenho livros, a coleção completa de filmes, quadros, fotografiasâ€, conta.

A atriz Priscila Freitas é cover e fã de Marilyn (Ernesto Rodrigues/AE)


Priscila concorda que a morte precoce deu mais força ao mito. “Há um mistério em torno de sua figura, que faz com que ela permaneça linda, um ícone.â€

A quantidade de ‘Marilyns’ por aí é um convite a descobrir mais sobre o eterno símbolo sexual e tentar descobrir o que faz a persona de Norma Jeane atrair tanta curiosidade. FAÇA SEU ROTEIRO:

EXPOSIÇÃO:
Após passar por museus da Europa, Estados Unidos e Canadá, e atrair mais de 2 milhões de pessoas, começa hoje na Cinemateca Brasileira a exposição Quero Ser Marilyn Monroe!. A mostra reúne 125 obras de artistas consagrados, incluindo Andy Warhol, Allen Jones, Peter Blake, Richard Avedon e Henri Cartier-Bresson, que têm Marilyn como tema. Boa parte dos itens expostos nunca foi vista por aqui. Paralelamente, haverá a exibição de 15 filmes com a atriz no elenco. O evento segue em cartaz até o dia 1º de abril e deve receber 50 mil visitantes.
-Quero Ser Marilyn Monroe! Na Cinemateca Brasileira (Largo Senador Raul Cardoso,
207 – 3512-6111)Até 1º/4. De segunda a domingo, das 10h às 22h. Grátis. Livre.
Programação completa no site: www. marilynmonroe.com.br.

NO CINEMA:


Inspirado no livro Minha Semana com Marilyn, que acaba de ser lançado por aqui (Ed. Seoman/
R$ 24,90), o filme Sete Dias com Marilyn (estreia prevista para o dia 23) mostra os bastidores do set de filmagens de O Príncipe Encantado, longa produzido em 1956 e dirigido pelo britânico Laurence Olivier. A história é contada a partir da visão de Colin Clark, que, na época, acabara de conseguir seu primeiro emprego na indústria cinematográfica como assistente de diretor.
Clark, que se tornou um documentarista, tinha 23 anos no período em que esteve com Marilyn. O papel do jovem ficou com Eddie Redmayne. Já Marilyn Monroe é vivida pela atriz Michelle Williams (foto), que, magrinha, precisou de enchimentos para ganhar as curvas da diva do cinema. Por sua atuação, este ano, ela ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e concorreu ao Oscar. O enredo tem um ar de conto de fadas. O resultado é bom, mas pouco surpreendente. Ao final, o destaque é mesmo Michelle, que recria a doçura e a loucura de Marilyn convicentemente.

NO TEATRO:
Foi o contato com trechos de gravações que Marilyn Monroe fazia para seu psicanalista que inspiraram a autora e atriz Daniela Schitini a criar o espetáculo Não Uma Pessoa, que está em cartaz na cidade. O próprio nome da peça foi retirado de um desses relatos da diva, em que ela reconhecia, muitas vezes, não se sentir gente. Sem caracterização, ela não assume a persona de Marilyn, mas mergulha, de alguma forma, no que seria a mente dessa mulher, revelando um pouco mais do que a figura sexy e montada.
-Não Uma Pessoa. Teatro Augusta (Rua Augusta, 943. 3151-4141)
Espetáculos às quartas-feiras e quintas-feiras, às 21h. Até 15/3. R$ 20. 14 anos.

PARA VER EM CASA 1:
De olho nos novos e antigos fãs de Marilyn Monroe, a Fox acaba de lançar um box comemorativo que agrupa 13 filmes estrelados pela atriz. A edição especial pode ser encontrada apenas nas lojas Fnac. Além disso, também chega às lojas em geral a coleção Diamante. São dois volumes, cada um com sete longas-metragens.
As caixas contam ainda com uma série de extras, incluindo trailers, galeria de fotos, documentários e cenas de bastidores. Os boxes têm clássicos, como Os Homens Preferem as Loiras (1953), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Adorável Pecadora (1960). R$ 199 (13 filmes)

PARA VER EM CASA 2 :
Com produção de Steven Spielberg, estreia no dia 28, no Universal Channel, Smash. A série mostra os bastidores de um espetáculo da Broadway. Na trama, uma produtora interpretada por Anjelica Houston se une a dois compositores (Debra Messing e Christian Borle) para montar um musical sobre a vida de Marilyn Monroe. O programa acompanha a disputa entre Ivy Lynn (Megan Hilty), uma atriz experiente, e Karen Cartwright (Katherine McPhee), uma garota do interior que sonha ser artista, pelo papel de protagonista no musical.

Lágrimas pelo fechamento do Citibank Hall

Categoria: Música, Show

MARCELA RODRIGUES SILVA
PEDRO ANTUNES
O relógio já apontava para a meia-noite daquela terça-feira, dia 5 de abril de 2011. O Citibank Hall, na zona sul da capital, fervia com o calor humano e os três mil fãs do rock melancólico e introspectivo da banda The National, de Ohio (EUA). O grupo, no auge após o lançamento do High Violet (Lab 344), quinto e maduro álbum, queria um lugar de médio porte, com boa acústica e não se decepcionou. Nem os fãs.

O vocalista Matt Berninger voltou para o bis épico. Primeiro, desceu do palco baixo (uma vantagem da casa), e caminhou entre o público (seu porte, outra vantagem). Na segunda canção, ele ajoelhou-se para os paulistanos. No último ato, após as quase duas horas de comoção, todos os instrumentos foram desligados.

Com violões, o quinteto executou uma versão acústica, sem amplificadores ou microfones, com uma apoteótica Vanderlyle Crybaby Geeks. Uma canção que, apesar da usual tristeza na voz de Berninger, é otimista. “O melhor de nós nos acorrenta no amorâ€, repete a letra. O público, obediente, pediu silêncio. Alguns já em lágrimas. Era o fim do show.

E, na última quinta-feira, foi o fim do próprio Citibank Hall, conhecido como o antigo Palace. O baixista da banda Scott Devendorf diz se lembrar do show. “Foi emocionante para nósâ€, disse. “É uma pena saber que esta casa não estará lá quando voltarmos para a cidade.â€

Mais lágrimas
Com capacidade para 3 mil pessoas em pé (ou 1,6 mil sentadas), a casa de espetáculos era a mais antiga de São Paulo, com 28 anos de existência. A empresa que aluga o espaço, a produtora Time For Fun (T4F), não renovou o contrato com a dona do espaço, a Associação Brasileira de Educação e Assistência (Abea). O local será usado em um novo empreendimento comercial, mas até o fechamento desta edição, a Abea não foi encontrada para maiores informações.

A última apresentação no local foi a da peça Hermanoteu na Terra de Godah, produzida pela companhia de comédia Os Melhores do Mundo, no 18 de fevereiro, com marretadas simbólicas nas paredes. Risos contra as lágrimas.

Mesmo já longe do glamour dos tempos de Palace, o Citibank ainda mantinha seu séquito de fãs entre os músicos, como Pedro Mariano. “Tinha uma relação próxima com as pessoas de láâ€, diz ele, que lançou seu último disco, 8, naquele palco. “Foi lá que estreei profissionalmente, aos 18 anos, e percebi que era o que gostaria de fazer para o resto da minha vida.â€

Apesar de trocar de nome algumas vezes antes de virar Citibank Hall – foi Palace, Directv Music Hall e Cie Music Hall –, alguns funcionários se mantiveram por lá. “Inaugurei o Citibank quando ainda era chamado Palaceâ€, diz Milton de Andrade, o Betona. Segurança de 65 anos, ele trabalhava com Roberto Carlos quando começou no Palace, há 28 anos. “Foi dele o show de abertura. Depois de alguns dias, os donos me chamaram para trabalhar lá.â€

Há seis meses, Betona pediu para sair. “Não conseguiria ver aquelas portas serem fechadas para sempreâ€, diz. Foi realocado para ser segurança no Teatro Abril, próximo o bastante da sua casa para ir a pé para o trabalho. Nem um pedido do JT comoveu Betona a voltar ao Citibank para uma última fotografia. “É uma vida láâ€.

A produtora Monica Margato, de 47 anos, passou 17 de seus 27 anos de carreira na casa. Viu de perto os maiores nomes da MPB, e do rock nacional e internacional. Ela conta que os rumores do fechamento já circulavam havia alguns meses. “Foi bom para os mais velhos se prepararem. Tem muita gente que fez história lá.â€

História escrita com muita música. João Ricardo, líder do Secos e Molhados, lembra com gratidão da noite de 30 de junho de 1987. Sua banda estrearia nova formação, a sua quinta, com Totô Braxil – e já sem Ney Matogrosso e Gérson Conrad, da formação clássica que durou de 1973 a 74. “Gostávamos de coisas mais teatrais. Era o tamanho ideal para a genteâ€, diz João. Um espaço para alegrias, como as de Hermanoteu, ou de lágrimas, como as que escorreram ao som de The National.

Billi Pig é uma história sem pé nem cabeça

Categoria: Cinema

Uma história sem pé nem cabeça, personagens sem função alguma e piadas sem graça transformaram a produção nacional Billi Pig, que acaba de estrear nos cinemas, em um filme entediante. A premissa até parecia boa: juntar vários tipos de personagens picaretas e fazê-los interagir para ver o circo pegar fogo. Mas não funcionou.

Na trama, Grazi Massafera vive Marivalda, uma aspirante a atriz, sem talento, que tem alucinações com um porco de brinquedo que fala com ela (a voz do bicho é dublada pela própria atriz). Seu marido Wanderley (Selton Mello) é dono de uma pequena agência de seguros no bairro de Marechal Hermes, no Rio.

Quando a filha do dono de uma boca de fumo de São Cristóvão é baleada e fica em coma, o traficante Boca (Otávio Muller) vai buscar um milagre com Roberval, um padre tarado, vizinho de Wanderley, interpretado por Milton Gonçalves. Wanderley é quem negocia o pagamento do milagre entre o padre e o traficante.

Preta Gil está no elenco como Generosa, dona de uma funerária. A personagem não tem função alguma na história a não ser fazer piadas mórbidas. Há tantos elementos jogados no filme, fora de contexto, que é difícil citar todos. Para se ter uma ideia da variada fauna, há até um pato azul fosforescente e um show de Arlindo Cruz durante uma feijoada.

O diretor José Eduardo Belmonte justificou toda essa bagunça como uma homenagem às chanchadas brasileiras. O problema é que o resultado ficou aquém do talento de Belmonte, conhecido por filmes como A Concepção (2005) e Se Nada Mais Der Certo (2008). Nem a presença de atores conhecidos, como Grazi Massafera, Selton Mello e Milton Gonçalves, salvam este longa.

Cuidado, os Addams vêm aí

Categoria: Musical

MAIARA CAMARGO

Criadas pelo cartunista Charles Addams (1912-1988), as excêntricas figuras da família que leva o nome de seu inventor surgiram em 1932, na revista The New Yorker. Com modos que contrariavam totalmente o padrão ideal da família americana e um humor negro bem peculiar, os personagem viraram série de TV, filmes, desenho animado e, em 2010, um musical.

Confirmando a entrada de vez do Brasil no mercado de grandes produções, o espetáculo chega hoje a São Paulo. Depois dos EUA, o Brasil é o primeiro país a receber a obra, que segue para Austrália e Inglaterra. Com Marisa Orth (que se reveza com Sara Sarres) e Daniel Boaventura nos papéis do casal Mortícia e Gomez, a montagem que estreia por aqui não é exatamente a mesma que esteve em cartaz na Broadway, em Nova York, lembrando que a produção recebeu uma série de críticas negativas.

O americano Jerry Zaks, dono de quatro prêmios Tony (considerado o Oscar do teatro) e diretor da peça, conta que houve uma revisão no espetáculo. “Toda a equipe voltou ao trabalho. Entraram novas músicas, a história também foi melhoradaâ€, diz. O produtor Stuart Oken reforça o discurso. “A produção cruzou os EUA e depois do Brasil vai viajar pelo mundo.â€

A trama gira em torno do namoro da filha do casal, a adolescente Wandinha. A esguia Laura Lobo interpreta a personagem, sem as características trancinhas, mas com feições assustadoras. Wandinha e Lucas (Beto Sargentelli) se conhecem no Central Park, quando a garota caçava pássaros com arco e flecha. Uma delas cai aos pés do rapaz. Apaixonados, planejam um jantar com as duas famílias para o anúncio do noivado.

O fato é que a família de Lucas, que parece ter saído de um comercial de margarina (a atriz de musicais Paula Capovilla, que fez Evita, interpreta a mãe), não combina com a mistura de horror e sadismo dos Addams. Além dos pais, Wandinha tenta desesperadamente controlar o irmão Feioso (Gustavo Daneluz e Nicholas Torres), o tio Fester (Claudio Galvan), a avó (Iná de Carvalho) e o mordomo Tropeço (Rogério Guedes). Entre tantas figuras célebres, a única ausência na peça é mãozinha, a mão que vive com a família.

Para o diretor, além do carisma e da popularidade dos personagens, conta pontos o enredo, universal. “São duas famílias estranhas que descobrem que têm mais em comum do que imaginam. Fala de tolerânciaâ€, diz Zaks. Marisa Orth concorda. “Acho oportuno fazer Família Addams hoje. Eles têm orgulho das suas sujeiras, suas violências, sua sexualidade. Não escondem o parente feio ou o cachorro sarnento da visita.â€

Assinada por Cláudio Botelho, a versão nacional traz algumas alterações pontuais, de referências locais. Em uma cena, por exemplo, Mortícia e Gomez relembram seu primeiro encontro, quando assistiam ao filme Morte e Vida Severina. E mesmo nesse fino humor politicamente incorreto, Michel Teló teve lugar. E os Addams ganharam seu momento Ai se Eu te Pego.

Citibank Hall fecha suas portas nesta quinta-feira

Categoria: Show, Stand-up, Teatro

PEDRO ANTUNES

Na entrada, vazia, nenhum ambulante ou cambista. A vida em Moema, na zona sul, segue como se nada estivesse acontecendo, mas hoje é fechamento oficial do Citibank Hall, a mais antiga casa de espetáculos de São Paulo. O contrato de locação da empresa que administra o imóvel, a produtora de shows Time For Fun (T4F), acaba nesta quinta-feira. A dona do espaço localizado na Alameda Jamaris, número 213, é a Associação Brasileira de Educação e Assistência (Abea). Um empreendimento imobiliário será construído no local, mas ainda não há data para o início das obras.

De acordo com a T4F, ela e a Abea tentarão entrar com um pedido na prefeitura para a criação de uma sala de espetáculos dentro do empreendimento.

Com 28 anos de existência, o Citibank Hall, ainda como Palace, foi a casa de shows mais badalada de São Paulo nos anos 90. Localizado num local de fácil acesso, próxima das avenidas Ibirapuera e Indianópolis, o Palace dividia os grandes shows com o Olympia, na Lapa. Hoje marca o fim dessa era romântica.

Nos últimos anos, o então transformado em Citibank Hall havia perdido seu charme e apelo. Depois de ser Palace, em 2000, a casa passou por reformas e se tornou Direct TV Music Hall, CIE Music Hall e, em 2005, passou a ser chamado de Citibank Hall. Tudo isso corroborou com a falta de identidade da casa, apesar da tradição.

A última apresentação no espaço foi Hermanoteu na Terra de Godah, produzido pela companhia de comédia Os Melhores do Mundo, que comemorou ali 20 anos de formação. Na última sessão, no dia 18 de fevereiro, o grupo fez uma demolição simbólica ao dar marteladas em uma das paredes. Com 3.900 m² e capacidade para 3 mil pessoas (em pé; 1.600 sentadas), o Citibank foi sede do festival Free Jazz nos anos de 1985 e 1995 e recebeu shows de João Gilberto, Ney Matogrosso, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, B.B.King, entre outros.