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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Como uma manada desgovernada de elefantes

Categoria: Música, Show

PEDRO ANTUNES

Nunca os telefones celulares dos integrantes do Cage The Elephant, os irmãos Matthew (voz) e Brad Shultz (guitarra base), Lincoln Parish (guitarra solo) e Daniel Tichenor (baixo), receberam tantas ligações como naquela noite de outubro de 2011. O baterista da banda, Jared Champion, precisara ser internado às pressas depois que seu apêndice estourou. Mas não eram amigos querendo saber da saúde dele. Eram parabéns entusiasmados pelo substituto que assumiu as baquetas naquele show. Os fãs urraram ao ver Dave Grohl sentado ali.

Queridinhos do líder da atual banda suprassumo do rock, o Foo Fighters de Grohl, o Cage The Elephant acompanha o grupo em sua vinda ao Brasil, como banda principal do festival Lollapalooza, neste fim de semana no Jockey Club, no Morumbi. Mas se o Foo Fighters é o carro-chefe e encerra a noite de atrações, o quinteto americano do Cage The Elephant se apresenta ao público brasileiro no palco Butantã em horário ingrato, às 15h, como os primeiros artistas internacionais do line up.

Nada que os desanime. Com público cativo nos Estados Unidos e na Europa, o quinteto da cidadezinha de Bowling Green, no Kentucky (EUA), tem experiência em festivais. Com o show de sábado, serão cinco apresentações em Lollapaloozas. Anteriormente, se apresentaram três vezes em Chicago (2007, 2009 e 2011), e uma no Chile (no último fim de semana). “Acho excitanteâ€, diz Brad Shultz, um dos guitarristas.

A perspectiva de um público estranho, para ele, é desafiadora. “Essa experiência de primeiro encontro é uma oportunidade de ganhar as pessoas, não concorda? É um sentimento gostoso de curiosidadeâ€, continua o músico, otimista. “Vai ser ótimo. Sempre quisemos ir para a América Latina, mas as datas nunca batiam. Enfim, deu certo.â€

O Cage The Elephant está em seu segundo disco, lançado em janeiro do ano passado. Thank You, Happy Birthday, sucesso de crítica (leia ao lado), acaba de chegar no Brasil, pela EMI. Ou seja, ainda dá tempo de conhecer canções como Alberdeen, 2024 e Shake Me Down.

A banda nasceu em 2006, sob o nome de Perfect Confusion. “Era o pior nome da históriaâ€, brinca Brad Shultz. O processo até o nome atual, que em tradução livre quer dizer “prenda o elefanteâ€, ele diz desconhecer. “Vou ser honesto, não me lembro como chegamos a esse nome. Mentimos tanto sobre isso que esqueci qual era a história verdadeira.â€

Por sorte, eles mudaram. E não se engane com a carinha de meninos comportados. Como uma ensandecida manada de elefantes, o Cage The Elephant parece destruir tudo por onde passa, com shows explosivos, guitarras em combustão e um vocal versátil.

O fã famoso, Dave Grohl, foi conquistado pelo espírito livre da banda no palco. No festival Radio 1’s Big Weekend, no ano passado, na Inglaterra, a banda queria assistir ao show do Foo Fighters, mas não conseguiu.

“Escrevemos uma carta para Dave (Grohl), explicando (risos). Ele ficou curioso e foi nos ouvir num outro festival. Gostou do nosso som e nos chamou para abrir a turnê deles (do disco Wasting Light, lançado ano passado). E quando o apêndice do Jared (Champion) estourou, ele tocou com a gente. Surreal.†::

CRÃTICA: Cinco garotos de Kentucky ressuscitam o grunge

É fácil entender porque Dave Grohl adora esses caras. O quinteto de Bowling Green, cidadezinha de 45 mil habitantes no Kentucky formado por jovens com menos de 30 anos, trouxe algo que estava em falta: guitarras pesadas e vocais enlouquecidos, distribuídos por boas baladas e rocks poderosos. Thank You, Happy Birthday (2011), lançado agora no Brasil, é o segundo disco do Cage The Elephant, mostrando uma banda mais madura, centrada e consciente do próprio barulho.

No primeiro álbum, que leva o nome do grupo, lançado em 2008, tudo soava cru demais. Faltava mais vivência, conhecer as novidades. Era um rock pesado e caipira. As guitarras avassaladoras, sempre ponto forte do grupo, por vezes soavam desgovernadas.

Nada como ver (e ouvir) o mundo. Quando começaram a excursionar, ainda em 2008, perceberam que suas influências poderiam ser mais do que Pixies, o próprio Nirvana e outras bandas do movimento grunge. Tiveram contato com bandas inglesas como Arctic Monkeys (que também tocará no Lollapalooza, fechando o segundo dia) e ganharam consciência, sem necessariamente abrir mão do barulho ensurdecedor. Acharam a receita.

O álbum não só ressuscita o grunge, como o moderniza. Eles não têm medo da música eletrônica, que traz novas e interessantes texturas em Flow, faixa que fecha o disco pisando no freio, um descanso após 11 faixas pesadas. O acelerador está ao máximo logo em Always Something, um rock soturno e denso. Mais solar, Alberdeen é uma homenagem à cidade natal de Kurt Cobain, ex-líder do Nirvana, e um hit instantâneo. E tem Matthew Shultz gritando até comportadamente no refrão.

Luz e escuridão se alternam no álbum. A seguinte é Indy Kidz, e ali os gritos de Shultz se tornam insanos. Shake Me Down, por outro lado, é a maior balada do grupo. Mas m esmo na calmaria, o Cage The Elephant consegue ser eletrizante. Com eles, o grunge está (bem) vivo. E Dave Grohl mostra que seu radar está mais antenado do que nunca. P.A.

LANÇAMENTO
‘Thank You, Happy Birthday’
EMI
Preço: R$ 24,90

O paredão de Roger Waters

Categoria: Música

Por Felipe Branco Cruz

Nenhuma palavra, foto ou vídeo darão conta de explicar o show de Roger Waters, anteontem, no Estádio do Morumbi, para mais de 70 mil pessoas. O espetáculo audiovisual repleto de efeitos especiais será repetido hoje, às 21h, para um público menor, de 50 mil. Se você quiser ver o show, ainda dá tempo. Há poucos ingressos, mas para todos os setores. Esta será a última apresentação do baixista e ex-integrante do Pink Floyd no Brasil. Na semana passada, ele se apresentou em Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro.

Com apenas 15 minutos de atraso, o roqueiro surgiu no palco em meio a mil tiros de fogos de artifício e ao som da canção In The Flesh?, que abre o álbum The Wall, de 1979. O público, boquiaberto, ainda se recuperava do baque quando um avião sobrevoou a plateia para chocar-se contra parte do muro, levando as pessoas ao delírio. Tudo isso, potencializado por um sistema de som surround que dava a impressão real de que helicópteros, choros de crianças, explosões de bombas ou barulhos de tiros aconteciam em meio ao espetáculo.

Aos 68 anos, o roqueiro ergueu ao vivo um paredão, de 137 metros de largura por 11 de altura, para depois destruí-lo numa performática apresentação que celebra os 30 anos do disco The Wall. O show, aliás, conta apenas com as canções do álbum homônimo. Por isso, àqueles que gostam mais de Dark Side of The Moon, por exemplo, vale lembrar que Waters não vai além no repertório da banda – o que quer dizer, em resumo, que os fãs ficarão sem clássicos da carreira do Pink Floyd, como Time ou Money.

De The Wall, a canção mais conhecida do público, Another Brick in the Wall Part 2, teve acompanhamento do coro de crianças do Instituto Baccarelli e, a quarta a ser executada, foi também a que mais empolgou o público. Um boneco de dez metros de altura desafiava as crianças enquanto elas cantavam. “Olá São Paulo, estou muito feliz por estar aquiâ€, apresentou-se Waters.

Assim como nos shows anteriores no País, o músico homenageou o brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela polícia britânica no metrô de Londres em 2005. “Gostaria de dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes, sua família e sua luta por verdade e justiça; e também a todas as vítimas do terrorismo de Estado em todo o mundo. Quando escrevi esse show, tinha apenas 35 anosâ€, disse, em um português claro. “Achava que era sobre mim. Não é sobre mim, mas sobre Jean e todos nósâ€, encerrou, em inglês. O mesmo discurso foi feito no Rio de Janeiro.

Dentre as mensagens passadas por Waters, duras críticas contra o terrorismo, capitalismo, imperialismo entre outros “ismosâ€. Símbolos do McDonald’s, da Shell e de outras multinacionais se misturavam a estrelas de Davi, crucifixos e outros símbolos, projetados no telão enquanto Waters desfiava solos no baixo. O show, de 2h30 de duração, teve ainda Mother, Hey You, Comfortably Numb e Run Like Hell.

O tradicional porco gigante que Waters solta na plateia veio com mensagens em português: “O novo código florestal vai matar o Brasil†e “Brasil é um país laicoâ€. A apresentação foi encerrada às 22h, e a imensa muralha foi demolida ao som de Outside The Wall.

Deixando para trás qualquer ausência de hits, o que Waters fez no domingo e fará hoje se assemelha a uma ópera, lembra uma performance teatral. Transcende o conceito de um simples show.

Rock chega na Oca

Categoria: Música, Show

PEDRO.ANTUNES

Do topete clássico e poderoso de Elvis Presley à versão menos elaborada e meio bagunçada de Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, uma das maiores bandas inglesas da atualidade. A grande força da exposição Let’s Rock, que invade a Oca, no Parque Ibirapuera até o dia 27 de maio, é a contemporaneidade do acervo.

Não que os clássicos (Iron Maiden, AC/DC, Led Zeppelin e o próprio Elvis) tenham sido negligenciados, mas a ideia da curadoria do músico Zé Antonio Algodoal, de 47 anos, é também dar espaço ao que o rock produziu depois dos anos 90. A exposição abre hoje para convidados e amanhã ao público.

Não que tenha sido um trabalho fácil. “É mais fácil achar material de bandas mais clássicas, como Kiss, por exemplo. Eles tinham tudo. Agora, memorabilia de grupos atuais é algo bem raro. As pessoas ainda não guardam muita coisa. Nos shows deles, por exemplo, o máximo que você pode conseguir é uma camiseta ou uma canecaâ€, diz Algodoal. Ainda assim, ele conseguiu artigos como CDs e vinis autografados.

Para ser justo com todas as décadas do rock, foram instalados seis contêiners no subsolo da Oca, cada um copilando dez anos de história do rock, dos anos 1950 até os anos 2000. Ou seja, a mostra contempla desde o embrião do rock, ainda com jeitão de blues, passando pelo punk e o heavy metal, até chegar ao modernete indie rock.

Nos pouco mais de 10 mil m² da Oca, o público terá liberdade para circular por vários movimentos. Algodoal não quis fazer uma extensa linha cronológica, então separou bandas de acordo com associações musicais, agrupando sons semelhantes. Como resultado, a oportunidade de saborear estilos em décadas diferentes.

Estão na programação workshops, palestras e pocket shows (veja os destaques ao lado). Mas o grande destaque da Let’s Rock é a presença de 75 fotografias do lendário Bob Gruen. Ele era, simplesmente, amigo pessoal de John Lennon – e seu fotógrafo pessoal, evidentemente. Gruen, que teve seu arquivo fotográfico exposto na Faap há cinco anos, volta a estar em evidência. Aqui, é a suculenta cereja desse bolo roqueiro. O fotógrafo é do tempo em que jornalistas e músicos tinham uma relação mais próxima, sem a presença de assessores e agentes para intermediá-las (ou bloqueá-las).

Não faltam histórias para o sujeito que fotografou gente como Led Zeppelin, The Clash, Sid Vicious (Sex Pistols), entre tantos outros, e que serão contadas por ele nas suas duas palestras, amanhã e sexta, às 15h, no auditório da Oca. Há ainda o material de dois fotógrafos brasileiros, Marcelo Rossi e Otavio Sousa, que, juntos, completam o acervo de 200 imagens, de artistas nacionais e de mega-shows que passaram pelo País.

O evento foi pensado para apresentar quatro ambientes diferentes. No térreo, logo na entrada, o visitante é convidado a seguir uma pequena linha do tempo do rock. No subsolo, se concentram fotografias e os contêiners musicais, ou subir. O primeiro andar é dedicado a objetos pessoais de músicos brasileiros e estrangeiros, como cartazes, roupas e instrumentos. No segundo andar, uma surpresa: por meio de projeção em 180º, a experiência de estar no meio de uma multidão de shows que vão de Beatles a Libertines. Afinal, o rock não para.

Palestra Bob Gruen
Dias 4 e 6 de abril, às 15h
> > O maior fotógrafo da história
do rock, Gruen é uma enciclopédia. Ele conta histórias sobre The Clash, John Lennon, entre outros.

Documentário ‘Guidable’
Dia 5 de abril, às 15h
> > Filme conta a história da banda Ratos de Porão, contada pelos próprios integrantes.

Papo com Faíska
Dia 7 de abril, às 19h
> > Guitarrista de gente como Ney Matogrosso, Rita Lee, Fábio Jr., entre outos, ele conta suas histórias com eles e na carreira solo.

‘loudQUIETloud’
Dia 13 de abril, às 15h
> > Documentário faz um raio-x da reunião do Pixies, grande banda de rock alternativo, em 2006.

‘Chico Science: 15 anos Depois’
Dia 14 de abril, às 15h
> > Filme retrata a influência desse gênio que fez o sudeste e sul ouvir sua mistura de maracatu e rock. E transformou a música brasileira.

‘John & Yoko’s Year of Peace’
Dia 7 de abril, às 15h
> > Neste documentário para TV, John Lennon e Yoko Ono passam sua mensagem de paz e amor.

DIVIRTA-SE
Let’s Rock – A Exposição.
Oca. Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Ãlvares Cabral, S/N, portão 3, Moema.
Telefone: 4003-1212.
Hoje (convidados) e amanhã (público geral), das 10h às 22h.
De R$10 a R$20.
Até 27/5.

‘Não é fácil envelhecer, mas é mais duro ficar todo reformado’

Categoria: Entrevistas, Teatro, TV

ADRIANA DEL RÉ

 

Betty Gofman não tem problemas com o espelho. Pelo contrário. Gosta do que vê quando olha para ele. Por isso, aceitar viver no palco a humorista Zezé Macedo (1916-1999), famosa pelos papéis da feinha engraçada, não foi um fardo para a atriz carioca, de 47 anos. Tampouco a deixou com uma pulga atrás da orelha por ter sido pensada para encarnar a comediante. “O produtor Eduardo Barata me acha boa para fazer o personagem. Não grilei nem um pouco com issoâ€, diz a protagonista da peça A Vingança do Espelho, em cartaz no Teatro Vivo, no Morumbi, em São Paulo, até dia 29. Ao JT, Betty falou de Zezé Macedo, de sua paixão por animais e da decisão de ser mãe depois dos 40 anos.

A Vingança do Espelho marca sua volta aos palcos depois do nascimento das suas filhas (as gêmeas Alice e Helena, de 1 ano). Como surgiu o convite?

Quem me convidou foi o produtor Eduardo Barata. Ele já tinha esse projeto há muito tempo. Está homenageando comediantes brasileiras. Já fez peça da Sônia Mamed, vai fazer da Consuelo Leandro. Aí me chamou para viver Zezé Macedo. Aceitei de imediato.

Como foi sua reação ao convite, já que Zezé era considerada feia?

Todo mundo quando pensa na Zezé, pensa no feio, na loucura que ela fez com a carinha dela. Mas sei que ele não me chamou porque me acha feia. Ele me acha competente, me acha boa para fazer o personagem. Não grilei nem um pouco com isso. Primeiro, não tenho problema com isso. Não me acho feia, gosto de mim. Talvez se eu tivesse algum problema com essa questão, não aceitasse. Mas sou atriz, né? Posso fazer qualquer coisa.

Você já conhecia a história dela?

Não, sabia que ela tinha feito algumas chanchadas e a Dona Bela (da Escolinha do Professor Raimundo). A última impressão que a gente tem é daquela loucura que ela fez, aquele monte de plásticas. Não sei explicar por que ela fazia aquilo no rosto. Todo mundo que conhecia Zezé dizia que ela ficava horas na frente do espelho, se arrumando. Não dava para dizer que ela se achava bonita, que ela se achava feia. Essa coisa da plástica é uma questão complexa, porque conheço várias pessoas da minha idade ou 10, 15 anos mais novas já fazendo umas maluquices no rosto. Todo mundo percebe que tem alguma coisa estranha no rosto.

Então, você não faria plástica?

Não. Se fosse uma coisa muito sutil… Mas não tenho pretensão de fazer. Quero me reconhecer no espelho, mesmo velhinha, mesmo enrugadinha. Não é fácil envelhecer, é duro pra caramba, mas acho mais duro envelhecer todo reformado.

Assim como você, Zezé Macedo gostava muito de animais. Como você descobriu isso?

Foi durante os ensaios. Ela pegava gatinhos na rua. Eu tiro também da rua. Tenho cinco cachorros. Agora, por exemplo, estou com dois para doação. Sempre tem, na minha casa, um ou dois bichinhos, que ficam até serem adotados. Tem gente que pega um montão. Pego um, pego outro, cuido, encontro um dono bacana. Vou continuar o resto da minha vida fazendo isso.

Gosta de bicho desde criança?

Desde criança. Quando tive minhas filhas, me perguntaram: “E agora? O que você vai fazer com seus cachorros?â€. São meus amores. Um amor não exclui o outro. Fico um pouco chocada com o ser humano. E quem larga bicho na rua? Para o carro, ou nem para, e larga na estrada para morrer atropelado? Para mim, é tão grave quanto maltratar criança ou velhinho. Acho que uma pessoa que é capaz de fazer isso, é capaz de dar um chute numa criança.

Você queria ser veterinária, não é? Por que desistiu para ser atriz?

Na verdade, sempre fui louca por bichos, mas eu tinha muita pena. Então, não ia conseguir ser veterinária. Comecei a fazer teatro com 17 anos, no Tablado, e me apaixonei. Veterinária virou minha segunda história. Hoje, sou atriz e veterinária por hobby.

Sua irmã mais velha, a atriz Rosane Gofman, teve alguma influência nessa escolha?

Provavelmente, né? Ela que começou. Eu ia com ela para os teatros, para as coxias. De alguma forma, ela me apresentou esse universo.

Além do Tablado e da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras), você fez parte da companhia de teatro da Bia Lessa, certo?

Sim, viajei muito com a Bia. Com ela, fiz muita coisa bacana. Ela sempre explorava um pouco meu olhar humorado para a vida.

A Rosane também tem esse olhar…

Na verdade, minha família inteira. Meu irmão, meus sobrinhos. Todo mundo é bem divertido.

Seus pais contribuíram para isso?

Acho que não. Não lembro. Devia ter algum bisavô, avô, que a gente não sabe exatamente quem era, mas não foi à toa. Minha mãe é fonoaudióloga. Tenho uma irmã com problema de audição e ela foi ser fonoaudióloga por causa dessa irmã. Ela a ajudou e me ajudou também, que sou atriz. Cuida da minha voz, da minha dicção.

Percorrer o País com a Bia Lessa ajudou sua entrada na TV?

Não, foram coisas que aconteceram juntas. Com 20 anos, fiz minha primeira novela, Ti-Ti-Ti (1985). Em seguida, fui viajar para vários festivais do mundo com a Bia. Foi uma coisa emendando na outra.

Na TV, seu trabalho mais recente foi no remake de Ti-Ti-Ti. Como foi parar as gravações para ter suas filhas e depois voltar à novela?

Foi ótimo, e a (autora) Maria Adelaide Amaral acabou até usando isso na novela. Adoro a Maria Adelaide, fiz personagens bacanas com ela.

Por que decidiu ser mãe mais velha?Não se sentia preparada antes?

Sempre tive um pouco de medo. É uma responsabilidade grande ser mãe. Eu queria também ter certeza de que daria conta. Fui protelando um pouco, até uma hora que fiquei doida e tive a sorte de, nessa hora, ter encontrado um companheiro maravilhoso (o marido Hugo Barreto), que já tinha dois filhos. E eu via a relação dele com os dois, uma relação de amor.

Quais as vantagens de ser mãe mais velha?

Sou uma mulher mais calma, mais tranquila agora. Elas estão muito felizes justamente por isso. Porque sentem essa tranquilidade.

Você fez tratamento para engravidar, não é?

Sim, demorou um pouquinho. Foi duro. Tem de ter coragem, mas eu queria muito. Tinha vontade de adotar, mas eu queria tanto sentir a vida crescer, dar de mamar. Fiquei uns três anos nesse tratamento.

Você é muito amiga de Malu Mader. Ela dá dicas sobre filhos?

Não, os filhos da Malu estão tão grandes… E são dois meninos. Com as minhas bebês, estou eu mesma me virando.

Verdade que você foi o cupido da Malu e do Tony Bellotto (do Titãs)?

É, foi meio sem querer, porque, na época, eu namorava o Marcelo (Fromer), melhor amigo do Tony.

Como recebeu a notícia da morte de Marcelo Fromer, daquela maneira absurda (ele foi atropelado em São Paulo, em 2001, enquanto corria)?

Foi muito duro, eu gostava muito dele. E a forma da morte foi uma estupidez. Mexeu bastante com a minha vida. Eu não era mais namorada dele, mas fiquei arrasada, porque foi a primeira vez que perdi uma pessoa muito próxima, com quem eu tinha tido uma relação.

Projetos para voltar à TV?

Vou fazer a próxima novela da Gloria Perez (Salve Jorge). Acho que vou fazer uma turca, mas não sei exatamente como vai ser.

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Avenida Brasil: Três é demais para Alexandre Borges

Categoria: Sem categoria

MAIARA CAMARGO

 

Para manter seus dois casamentos, Cadinho (Alexandre Borges), em apenas uma semana da novela Avenida Brasil, já fingiu um acidente de carro, se escondeu embaixo de uma mesa num restaurante, gastou dinheiro com vestidos e um carro e teve de se desdobrar ao ver suas duas mulheres no mesmo local. As duas, à sua espera. Abalado com o duplo encontro que quase expôs sua bigamia – e que tiraria o fôlego de qualquer um –, Cadinho foi desanuviar do jeito que sabe: arrumou uma amante.

Parte do núcleo mais colorido do folhetim das 9 de João Emanuel Carneiro que começa a engrenar, a trama de Cadinho e suas três mulheres serve de contraponto à história principal mais tensa, que envolve Rita (na infância, Mel Maia, e na fase adulta, Débora Falabella) e a vilã Carminha (Adriana Esteves).

Já nos primeiros capítulos, o clima de confusão e comédia pastelão já pautou as sequências. A primeira mulher é a consumista Verônica, papel da atriz Deborah Bloch. A desapegada Noêmia, interpretada por Camila Morgado, é a segunda esposa de Cadinho. Empresário bem-sucedido do mercado financeiro, Cadinho usa as viagens de trabalho para se equilibrar entre as duas casas e enganar as duas mulheres, que não sonham com a existência uma da outra. Cadinho diz que vai a São Paulo alguns dias da semana, o que torna o malabarismo possível.

Para desestabilizar ainda mais a corda bamba de Cadinho, Alexia (Carolina Ferraz) também ganha sua parte na vida do mulherengo. Em uma noite de sexo casual, ela engravidou. Ao contrário das outras, já descobriu a cachorrada, mas não resiste às investidas do empresário. Na contramão dos garanhões habituais, no entanto, Cadinho quer assumir esse filho. Uma das nuances que tornam ao cafajeste uma boa dose de carisma. “É uma coisa muito sutil. Cadinho tem amor por essas mulheres, e cada uma representa um tipo de mulher para ele. Ele assume os relacionamentosâ€, diz Alexandre Borges. “Com a Alexia, ele quer assumir o filho, ela quer uma produção independente.â€

A trama, que começou situada no ano de 1999, fará hoje à noite seu avanço no tempo, até os dias atuais. A vida de Cadinho, então, ganha espaço no folhetim. Além das mulheres, entram em cena os filhos: a acrobata Débora (Nathalia Dill), filha de Verônica; Tomás (Ronny Kriwat), filho de Noêmia, que segue a linha do pai como playboy galinha e Paloma (Bruna Orphão), filha de Alexia, que desconhece a identidade do pai.

Não é a primeira vez que Borges vive um homem, digamos, com muito amor para dar. Em Laços de Família (2001), seu bon vivant Danilo engravidou a empregada. Mais recentemente, o estilista Jacques Leclair, de Ti-ti-ti (2010), se envolvia com as clientes. Engrossar essa lista não parece trazer problemas ao ator. “Não tenho nenhum tipo de temor. A novela é um universo feminino, e fico feliz que os homens se identifiquem com meus personagens.â€

De volta às novelas depois de Viver a Vida (2009), Camila Morgado aposta no sucesso da ala divertida da novela. “É um núcleo leve e divertidoâ€, diz. Carolina Ferraz aposta alto nas confusões de Cadinho e rejeita o moralismo. “Novela é entretenimento. Até porque é é impossível dar conta de três mulheres. Ninguém dá (risos). Mas ele vai te fazer rir e emocionar.â€