Wagner Moura assume lugar de Renato Russo
- 25 de maio de 2012 |
- 23h06 |
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Categoria: Música
EMANUEL BONFIM
Fã algum, em sã consciência, poderia pensar em reviver a Legião Urbana sem a presença de Renato Russo. Nem mesmo Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá cogitaram tal possibilidade. Desde que o cantor morreu, em outubro de 1996, nenhum movimento em torno da banda foi tão ousado quanto este que se sucederá na terça e na quarta, no Espaço das Américas.
Por mais que se reforce o tom de tributo, no palco estará a formação original do grupo, só que desta vez acompanhada de um único e novo vocal – não de vários, como foi a apresentação com a Orquestra Sinfônica Brasileira no Rock in Rio. Todo o foco estará em Wagner Moura, eleito para interpretar os hinos de um dos fenômenos mais importantes do rock brasileiro nos últimos 30 anos.
A ideia, aparentemente inusitada, partiu do ex-presidente da MTV, André Waisman, que é próximo a Dado. Desconfiado, o guitarrista não vetou a proposta logo de cara, disse que “até torceu para que Wagner dissesse nãoâ€, mas foi surpreendido com a reação empolgada do ator.
“A resposta dele foi tão entusiasmada e esfuziante que eu pensei: ‘Cara, a gente vai fazer’â€, contou o músico durante uma pausa dos ensaios no Rio de Janeiro, no inÃcio do mês. “Depois que a gente falou com ele, a gente chegou a uma conclusão: esse cara é corajoso pra caramba!â€, emenda Bonfá.
Wagner estava participando do Festival de Berlim quando recebeu o convite e não hesitou em abraçar o projeto, mesmo diante do desafio de cumprir o papel de um de seus Ãdolos na juventude. “Eu não tinha como não aceitar. Eu sou muito fã da Legião Urbana. Se alguém te liga em casa e diz: ‘Quer fazer um show com Dado e Bonfá?’ O que você vai responder? É claro que sim!â€, explica.
Apenas uma homenagem
A primeira preocupação dos responsáveis, tanto da MTV quanto dos artistas, foi deixar claro que se tratava de uma homenagem e não de uma retomada da banda, evitando, assim, reações mais indignadas de fãs. “É um negócio muito arriscado para todos nós. Todo mundo está botando a cara para baterâ€, diz Moura.
“Vou funcionar como porta-voz dessas milhões de vozes que precisam ouvir essas músicas, precisam ver esses caras juntos no palco de novo.†Não é só sucesso e ampla projeção no cinema que credenciaram Wagner Moura para a difÃcil tarefa.
Quando não está em cena, o ator canta com sua banda da época de colégio, Sua Mãe. O talento musical permitiu que demonstrasse a veneração pela Legião nos filmes Vips e Homem do Futuro, onde interpretou Será e Tempo Perdido, respectivamente.
“O Wagner está cantando as músicas da forma que ele entende. Está sendo interessante de acompanhar. Ele se coloca ali dentro, emana toda aquela força que a canção representaâ€, elogia Dado. “Tem essa coisa da Legião ser meio de todo mundo. A gente quer que a galera cante também e ele é o cara que vai fazer issoâ€, diz Bonfá.
O tributo vai virar CD e DVD, parte da série MTV Ao Vivo, além de ser exibido ao vivo na programação da emissora, na terça-feira à noite. No repertório, não faltarão hits que tocam e fazem sucesso até hoje nas rádios, além de alguns lados B e faixas dos últimos dois álbuns da Legião (A Tempestade e Uma Outra Estação), jamais executados ao vivo pela banda.
Por sugestão de Wagner, o diretor teatral Felipe Hirsch assumiu a direção cênica e também ajudou na escolha das 25 músicas previstas para a noite. “Eu sugeri a entrada de cinco ou seis cançõesâ€, revela.
Com ele, o projeto ganhou recentemente outro chamariz: o guitarrista Andy Gill, do Gang of Four, irá se juntar ao grupo para tocar faixas da Legião e de sua banda de origem. O objetivo é apresentar ao público algumas das influências na formação do trio brasiliense.
“Podia falar do Clash, dos Pistols, até do Buzzcocks, mas o Renato Russo falava muito era do Gang of Four. É uma banda extremamente sofisticada dentro do punk inglêsâ€, avalia Hirsch.
Segundo Dado, Bonfá e o próprio Wagner, os shows funcionarão como uma espécie de “último ato†neste resgate da Legião Urbana, ainda que no plano comercial a banda nunca tenha deixado de mostrar sua força.
São, afinal, mais de 15 milhões de discos vendidos, entre os de estúdio e diversas coletâneas feitas posteriormente. “É um fenômeno extraordinário. Os artistas de que eu mais gosto são os que conseguem ser populares e ao mesmo tempo muito coesos com a natureza de sua arte. A Legião conseguia este equilÃbrio de uma forma muito bonitaâ€, define Moura.
O fino da cultura inglesa em São Paulo
- 24 de maio de 2012 |
- 22h45 |
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PEDRO ANTUNES
Entre hoje e 30 de junho, São Paulo falará inglês com um sotaque carregado. Transpirará arte britânica, seja na música, na dança e no cinema, numa constante busca pelo melhor produzido na Terra da Rainha. A 16ª edição do Cultura Inglesa Festival se inicia com uma interessante programação, tão cosmopolita quanto Londres (e São Paulo). Com destaque para os shows no Parque Independência, na zona sul da cidade, no domingo, a partir das 11h. E, o melhor, com entrada gratuita.
O festival traz o melhor do rock britânico, em seus diferentes braços: o eletrônico, o psicodélico e o dançante. We Have Band (no palco às 15h30), The Horrors (17h) e Franz Ferdinand (18h30) formam o aguardado trio de atrações internacionais. As divertidas Garotas Suecas, num tributo ao Rolling Stones, e Banda Uó, que leva um toque de tecnobrega ao repertório do The Smiths. Freech, King Crab, Broth3rhood e Sociopatas completam o line up. A entrada é sujeita à lotação do parque. Por isso, é aconselhável chegar lá cedo.
Dentre as atrações musicais, nenhuma se compara com o quinteto que vem de Southend-on-Sea, na costa leste da Inglaterra. Antes esquisitões, o The Horrors mudou, embarcou numa onda alucinógena e entregou, em julho do ano passado, o viajandão Skying (aqui lançado pela Lab 344, R$ 35), terceiro álbum da banda, devidamente selecionado nas listas de melhores do ano de publicações inglesas especializadas.
Em entrevista ao JT, o tecladista da banda Tom Cowan explica que a surpresa é o melhor elogio que eles poderiam ter. “Isso é ótimo, acho demais. Estamos trabalhando muito há 7 anos para chegar a isso. Até hoje, quando ouvimos nossa música no rádio, nos juntamos todos para ouvir. É só o começo.â€
O álbum anterior, Primary Colours (2009), dava algumas pistas da sonoridade que viria por aÃ. “Encontramos o nosso som. Daquele disco, gostamos apenas de algumas coisas. Se eu pudesse, queria que Skying fosse nosso segundo álbumâ€, diz Cowan, com espantosa sinceridade.
O ponto central para o descobrimento de como eles gostariam de soar veio quando a banda decidiu que Skying seria produzido por eles mesmos, apenas lapidado por Craig Silvey, midas do indie inglês, que produziu o último disco do Arctic Monkeys, Suck It And See (2011), por exemplo. “Quando você faz o que ama, você vai melhorando. Eu, por exemplo, não tocava nada quando começamos a bandaâ€, explica. Hoje, o novo The Horrors depende da criatividade de Cowan em seus teclados e sintetizadores. Ele, aliás, é irmão Freddie, guitarrista de outra banda inglesa, Vaccines, que veio aqui em abril.
Soando como se estivesse no fim dos anos 1980, a banda hoje aposta em despejar psicodelia: uma bateria em looping, repetindo a batida mecanicamente, com guitarras perdidas em notas longas embaladas pelo teclado e, no fundo, a voz rouca de Faris Badwan em eco. Como um sonho perdido no passado.
Franz Ferdinand retorna com inéditas
Emergido da nova onda de pós-punk do inÃcio dos anos 2000, em Glasgow, Franz Ferdinand é a atração que fechará a noite musical no Parque da Independência, no domingo. Dançante, explosivo e divertido, o grupo liderado por Alex Kapranos subirá no palco à s 18h30. Além dos hits de praxe, exibidos durante as quatro passagens da banda por aqui, o quarteto deverá mostrar aos fãs um pouco de seu quarto disco, sucessor de Tonight: Franz Ferdinand (2009), ainda sem nome, programado para ser lançado ainda este ano.
No sábado, eles quebraram o jejum de dois anos longe dos palcos com uma apresentação intimista em Limerick, na Irlanda. Ali, mostraram quatro músicas novas, que já se espalharam pela rede: Right Thoughts, Brief Encounters, Fresh Strawberries e Trees and Animals. Empolgados, eles ainda emendaram um cover da rainha da disco music, Donna Summer, I Feel Love, morta na semana passada. Sucessos da banda como Take Me Out, No You Girls, Ulysses e Do You Want It também foram tocados.
Antes disso, no começo do mês, Kapranos voltou a ser assunto ao aconselhar bandas novas em sua conta do Twitter. “Nunca faça cover do Oasis, nunca esqueça seus amigos e sempre dê risadaâ€, escreveu. Quando perguntado sobre seu conselho relacionado ao Oasis, ele disse: “Nada pessoal. Só porque todo mundo faz isso. E eles são tão estupidamente chatos.†::
Rolling Stones e The Smiths ganham tributos inusitados
Há na brasilidade da banda Garotas Suecas um pouco do soul do Rolling Stones, principalmente do disco Out of Our Heads (1965), com Brian Jones na guitarra. “Eles eram muito ligados em Marvin Gaye. E é a mesma coisa que a genteâ€, explicou Tomaz Paoliello, guitarrista da banda. O mesmo, no entanto, não pode ser dito sobre a melancolia dos The Smiths.
Toda a escuridão do cinzento céu de Manchester, tão explÃcito nas letras tristes de Morrissey, vai desaparecer com a interpretação da Banda Uó. “Vamos colocar o nosso tecnobregaâ€, explica Davi Sabbag, responsável pelas bases eletrônicas do trio. Com eles, canções como Ask Me e This Charming Man serão chamadas de UÃsque e Meu Doce Mel.
OUTROS DESTAQUES
BALADAS
> > Para curtir uma boa noitada,
o comandante da gravadora Dissident, o DJ Andy Blake, mostra um set bem variado, todo em vinil, hoje, no Studio SP Vila Mariana. Já amanhã é a vez de Barry Fratelli, baixista da divertida banda The Fratellis, discotecar no Beco 203
TEATRO
> > A provocativa peça Órfãos, de Dennis Kelly, mostra uma narrativa precisa, com alguns toques de
humor (britânico, lembre-se disso).
Um ótimo thriller, dias 8, 9 e 10, no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros
CINEMA
> > A Mostra Bowie no Cinema
apresentará sete longas estrelados pelo Camaleão do Rock David Bowie. Inclusive Absolute Beginners, de Julien Temple, diretor que viria para São Paulo para um bate-papo, mas que cancelou sua participação na semana passada. Sempre no Cine Livraria Cultura
DANÇA
> > Farmácia é um espetáculo ousado em que artistas tentam recriar, por meio da dança, a tela LSD, de Damien Hist. A cada pÃlula ingerida, novos movimentos corporais e padrões são exibidos.
*Endereços e programação no site oficial do Cultura Inglesa Festival
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banda uó, Festival Cultura Inglesa, franz ferdinand, Garotas Suecas, the horrors
Dez anos depois, ‘Homens de Preto’ ganha parte 3
- 24 de maio de 2012 |
- 22h30 |
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Por Fernanda Brambilla
Cancún (México)
De tão desafiadora, a premissa de Homens de Preto 3, para Will Smith, beirava a estupidez. Retomar uma franquia após dez anos era muito arriscado. Mas alterar justamente o melhor da fórmula, a relação azeitada entre um divertido Smith e um lacônico Tommy Lee Jones, substituindo esse ator, parecia suicÃdio. “Fomos muito agressivos. Nós dois tÃnhamos um ritmo, uma sintonia. Era como quando você tem uma nova namorada e precisa começar do zero com elaâ€, diz Smith. Felizmente para o ator (e o público), mais do que aliens melequentos criados por computação gráfica e efeitos vertiginosos do 3D, a quÃmica com Josh Brolin, que entra em cena como o agente K (Jones) jovem, é o grande trunfo do produto temporão da franquia.
Mas é preciso embarcar no nonsense que se derrama sobre a trama para não sentir a náusea da viagem. Um perigoso alien, Boris, um motoqueiro com cara de mau e qualidades de monstro, escapa de uma prisão extraplanetária e acaba com o agente K, ainda Tommy Lee Jones. A missão do agente J, Will Smith, é voltar no tempo, mudar o curso dos acontecimentos e, assim, salvar a vida do amigo, evitando que, no futuro, ele seja assassinado. Um plano ousado, e seu fracasso leva também a uma invasão alienÃgena que destruirá o planeta.
Uma das melhores piadas é simplesmente ver Josh Brolin, aos 44 anos, caracterizado como o agente K aos 29. O ano é 1969 e o conflito de tecnologias rende momentos engraçadinhos. Como quando ele apresenta a J os instrumentos de trabalho dos Homens de Preto: o famoso neuralizador, aparelhinho usado para apagar a memória de terráqueos quando eles presenciam um incidente alien, é um trambolhão que parece uma máquina de ressonância magnética.
A caracterização de Brolin é precisa. A feição travada, o constante quase-sorriso e o sotaque de Tommy Lee Jones estão lá. Mas quando recebeu o convite do diretor Barry Sonnenfeld (que também dirigiu os dois primeiros longas), Brolin levou tempo para se convencer. “Tive muito medo. O risco de eu ficar parecendo uma imitação ruim do Tommy era grande. Era como se me dessem uma guitarra desafinada. Você não quer tocar, não quer ouvir aquele som. Mas insiste, até pegar o jeitoâ€, diz o ator. E para pegar o jeito, o ator se enfiou num quarto de hotel, sem celular, munido de um laptop e os antigos MIBs. “Aquele sotaque interiorano do Tommy é absurdo. Foi um longo processo.â€
Sonnenfeld foi à s lágrimas na primeira filmagem de Smith e Brolin. “Will veio com a ideia da viagem no tempo quando ainda filmávamos Homens de Preto 2 (2002), e eu sabia que só levarÃamos aquilo adiante com alguém tão bom quanto Tommy. Naquele instante, tive a certeza de que tÃnhamos um filmeâ€, disse o diretor. “A segunda coisa que pensei foi: coitado do Josh, ninguém vai reconhecê-lo.â€
Uma jornada aos EUA de 1969 abriria um amplo espaço ao espectro polÃtico daquela época, mas, em Homens de Preto 3, as referências são esparsas. “Os anos 1960 nos EUA foram como dinamite; temos o homem na Lua, mas também assassinatos cruéis de lÃderes de movimentos por direitos civis. Os ideais de liberdade e amor surgiriam ali, mas não durariamâ€, filosofa Brolin. Will Smith é categórico. “Veja bem, não seria nada bom para um negro voltar a 1969. Não há nada de bom mesmo nessa ideiaâ€, afirmou o ator, que caiu na risada. Em cena, as menções à época, então, são pinçadas aqui e ali em um cenário vintage, com Andy Warhol, barbas longas e bocas de sino.
Associado a papéis com forte carga dramática nos recentes Onde os Fracos Não Têm Vez (2007), Milk – A Voz da Igualdade (2008), W (2008), Josh Brolin contribui para um humor que se distancia um tanto do besteirol mais escancarado dos primeiros longas. “Há um centro emocional, uma dose maior de dramaâ€, adiantou Smith. Ao ouvir isso, Brolin dá de ombros. “Eu não sou engraçado, não sei ser engraçado. Isso só funciona com Will do meu lado.†Smith, o grande nome à frente da franquia MIB, responde com um tapa no ombro de Brolin e uma piscadela: “Oh Josh!â€.
O novo ‘namorico’ tem o frescor necessário para tirar a poeira da década que separa Homens de Preto 3 de suas origens. Mas uma boa dose de nostalgia, como acontece nos relacionamentos, é inevitável. Que o diga Smith. “Foi com esses filmes que ganhei meu lugar na indústria. Foi ali que me disseram: ‘Hum, você leva jeito, talvez fique um tempo por aqui.’ Abriram as portas para mim.”
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Entrevista: “Gosto das apostas perigosas”, diz Josh Brolin
- 24 de maio de 2012 |
- 22h14 |
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Categoria: Cinema
Por Fernanda Brambilla
Cancún (México)*
Josh Brolin aproveita os raros minutos entre uma entrevista e outra, e saca o celular do bolso. O semblante fica sério enquanto confere a maré do mercado financeiro. E se surpreende ao perceber que já não está mais sozinho na sala e se desculpa. “Não costumo fazer isso, ficar espiando, mas tinha de dar uma conferidaâ€, diz, sobre o hábito que não é bem uma diversão, mas que, segundo ele, tem muito a ver com sua carreira. “Atuar também é uma aposta constante.†Algo que define bem a trajetória do ator que vem engatando papéis densos nos últimos anos, mas que amargou tempos de obscuridade em décadas passadas, quando a referência do currÃculo não saÃa de Goonies, clássico que lhe serviu de estreia nos anos 1980. “Dizem que é sorte, mas tem a ver com inteligência e disciplinaâ€, continua ele, e já não se sabe se ainda falamos de ações. Em um raro papel de comédia, Brolin encarou o desafio de interpretar o agente K jovem, papel de Tommy Lee Jones, em Homens de Preto 3, que chega hoje aos cinemas. O ator conversou com o JT em Cancún:
Você compara atuar com o mercado financeiro. O que acontece quando você perde?
Tudo bem, perder não é um problema. O importante é voltar a ganhar e compensar as perdas. É preciso sempre pensar que eu ganhei dinheiro e poderia ter ganhado mais, mas não ganhei. E se percebo que só estou perdendo, aà eu paro, não faz mais sentido. Atuar é a mesma coisa. É sempre uma aposta. Eu gosto de apostas perigosas.
Pensando em seus últimos papéis, então…Â
Interpretar o agente K jovem não é simples, e é um amigo meu ali, o risco de dar tudo errado é muito grande. Assim como interpretar George W. Bush ou Dan White (o assassino do ativista Harvey Milk). Parecem ideias estúpidas, porque você nunca sabe o que vai ser bom, do que vão gostar.
Você foi chamado para Exterminador do Futuro e recusou. O que o faz aceitar um papel?
Não sei explicar direito, não sei se é porque sou muito inseguro, mas gosto da ideia de sentir medo e da ideia de confrontar medo. Nos papéis que escolho, é muito fácil falhar. Há muitos erros a cometer e pouca chance de sucesso. Isso parece uma burrice (risos). Mas essas experiências foram me deixando viciado em fazer coisas impossÃveis.
Qual foi o mais difÃcil?Â
Foi W., porque o cara (George W. Bush) era presidente na época. E seguimos por uma direção pouco convencional. Era meio biográfico, meio ficcional…
Teve problemas com o governo?Â
Problemas? Fui sequestrado! (risos). Houve um momento em que eu pensei que seria prudente ter algum tipo de segurança comigo. Alguns extremistas de direita estavam muito bravos comigo… Mas foi um medo positivo, se é que posso dizer assim. <EM><QA0>
E fora do ambiente de trabalho, qual seu maior medo?
Não ser um bom pai. É meu maior medo na vida. E sabe, não tenho muitos medos. Tenho esse problema, que é quase uma doença: se dá medo, quero fazer. É como esses caras que pulam de paraquedas. Jogar o jogo seguro, deixo para fazer na minha próxima vida.
Ainda perguntam muito para você sobre os Goonies (1985)?
Você não faz ideia… Sabe, quando você faz seu primeiro filme, você fica maravilhado e, mesmo 28 anos depois, foi uma das melhores experiências que tive. Mas depois de passar 15 anos da sua vida ouvindo deste único filme, quando você fez outros 30, você fica de saco cheio. Ainda bem que outros tiveram notoriedade, para que eu tivesse paz. Hoje, aceito Goonies, amo falar nele, já vi com meus filhos. E toda hora me perguntam sobre uma sequência!
Uma sequência 30 anos depois?
Então, costumo mentir sobre isso. Sempre que me perguntam, eu digo que sim. Mas agora é sério, existe a chance real de fazerem uma continuação. Acho que o roteiro está sendo feito nesse instante… Juro que não é mentira.
Ok. Em Homens de Preto 3, você vive o agente K em 1969. Nessa data, você era um garoto. Como era ser de uma famÃlia de atores (ele é filho do ator James Brolin)? Tive uma infância tranquila. Minha mãe era do Texas, eu cresci por lá. Meu pai se casou muitas vezes. Eu me lembro de uma das vezes, a namorada da vez era Barbra Streisand. Ele estava animado, mas eu não tinha muitas referências dela. Eu disse: ‘Se você dissesse que ia casar com Johnny Cash, aà sim seria importante para mim.’ Eu adorava Johnny Cash…
E hoje, vendo Will Smith e sua famÃlia de filhos prodÃgios, vocês como pais e atores (Brolin é casado com a atriz Diane Lane) incentivam seus filhos nesse ramo?
Acho admirável que Will e Jada tenham a disposição de explorar o talento das crianças. Mas eu nunca faria isso. Eu não gostaria que meus filhos se tornassem atores. Mas minha filha (Eden, de 18 anos) está estudando para se tornar atriz e acho que ela é muito mais talentosa do que eu. Mas incentivar meus filhos em uma carreira como essa, com tanta rejeição? Não, eu jamais faria isso.
* A repórter viajou a convite da Sony
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Cartão de memória pretende aproximar fã de artistas
- 24 de maio de 2012 |
- 19h15 |
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Categoria: Música
PEDRO ANTUNES
O mercado fonográfico continua a criar mecanismos para que a música seja consumida em novas plataformas. Uma nova investida do gênero é o Neo Idea, um cartão de memória com entrada USB, que pode ser abastecido de músicas, vÃdeos e datas de show com auxÃlio de qualquer conexão com a internet.
Esse sistema foi apresentado na tarde de ontem, numa coletiva de imprensa que reuniu Alcir Abuchaim, CEO da empresa Neo Idea, Bruno Gouveia, vocalista da banda Biquini Cavadão, e o alemão Dieter Wiesner, empresário de Michael Jackson, de 2002 até o ano de sua morte, e de Lucenzo, o autor do hit chiclete Danza Kuduro (aquela regravada e cantada à exaustão por Latino).
A ideia é que, com o cartão, o fã tenha acesso a todo o material (novo e velho) do artista. “Basta plugar o cartão, que tem uma entrada USB, em algum computador com acesso à internet, que ele automaticamente buscará as novidades. Se as músicas ali serão de graça ou pagas, dependerá do artista. Com isso, vamos estreitar a relação entre os fãs e os músicos. O contato será instantâneoâ€, disse Abuchaim.
“O que acontece é que, à s vezes, depois que você lança uma música, ela vai para a rádio. AÃ, você faz um remix, uma versão acústica, e o fã não tem isso no disco. Dessa forma, ele vai poder terâ€, diz Gouveia, que lançará o novo disco da sua banda, Roda-Gigante, pelo Neo Idea, vendido em seus shows por R$ 10, além dos formatos tradicionais.
Sobre a possibilidade de a discografia de Michael Jackson ser vendida dessa forma, Wiesner afirmou apenas que “vamos ver algo especialâ€. “A minha presença aqui é para divulgar o Lucenzoâ€, disse ele, que evitou falar sobre MJ.
A data de lançamento do cartão é incerta, por “depender dos projetos dos artistasâ€, disse Abuchaim. Por ora, só estão confirmados os sertanejos Jorge e Mateus, Maria CecÃlia e Rodolfo, e Gusttavo Lima, além dos já citados Biquini Cavadão e o rei do Kuduro Lucenzo.
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