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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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O zoo fictício de Walcyr Carrasco

Categoria: TV

ALINE NUNES

As luzes dos prédios vizinhos se apagam. Walcyr Carrasco liga o monitor do seu computador e se prepara para escrever. É no silêncio que surgem as melhores ideias do autor de Morde & Assopra.

Às vezes, ele até tenta complementar um capítulo ou outro durante o dia, mas o barulho da empregada arrumando a casa e a carência de sua gata não o deixam trabalhar.

Então, é na calmaria da noite que nascem as vilanias de Virgínia (Bárbara Paz) e os desencontros de Abner (Marcos Pasquim) e Júlia (Adriana Esteves). A cada cena que ganha vida no computador, debaixo da mesa do novelista, Merlin recebe um carinho com os pés.

Enquanto Carrasco trabalha, o gato fica o tempo todo enrolado numa almofada, dormindo, ao lado de suas pernas.
Esse cenário conforta e inspira o autor. Criado em Marília, interior de São Paulo, ele cresceu cercado de animais. Sendo assim, sempre faz questão de ter algum bichinho de estimação por perto.

“Sou apaixonado por animais”, conta. Justamente por isso, em quase todas as novelas do autor a classe animal está lá, representada pelo integrante de alguma espécie. “Acho muito interessante explorar essa relação com os animais”, diz ele.

A relação com o elenco

Os atores dos folhetins, pelo visto, também gostam dos zoológicos criados por Carrasco. Em 2003, nos bastidores de Chocolate com Pimenta, a vaca Mimosa, confidente de Timóteo (Marcello Novaes), era disputada pelo elenco para tirar fotos. Já em Alma Gêmea (2005), a pata Doralice era o alvo de paparicos – em especial pela atriz Fernanda Souza, que contracenava com ela na trama.

Depois disso, vieram a galinha e o porco de O Cravo e A Rosa (2000) e o inesquecível chimpanzé Xico, de Caras & Bocas (2009). O macaco ficou tão notável que ganhou uma namorada no elenco fixo da trama, virou assunto no blog da atriz e comediante Ingrid Guimarães (ela fez parte do folhetim) e rendeu até uma linha de pelúcia com vendas no site da própria novela da Globo.

E em Morde & Assopra, atual trabalho de Carrasco, claro, não poderia ser diferente. No núcleo rico, na fazenda ou na robótica, o zoológico do novelista está presente. No total, entre animais reais e robotizados, cinco estão no ar.

Tem mini-vaca (84 cm), poodle cor de rosa, vira lata que adora banana e melancia e cão e gato que são robôs (veja o box à direita). O título de celebridade animalesca, no entanto, é da mini-vaca Coração – na vida real batizada de Estrela.

A vaquinha popstar

Numa gravação em Marília, acompanhada pelo reportagem do JT, quase todo os atores fotografaram ao lado da vaquinha. Mas foi a atriz Klara Castanho, 10 anos, que passou – e ainda passa – mais tempo ao lado do animal. “No começo, não foi muito fácil, porque ela era teimosa”, diz Klara.

Mas Coração não desapontou o diretor Rogério Gomes em nenhuma cena. É que, antes de debutar na novela, a vaquinha passou por treinamentos diários para ficar mais dócil. Atualmente, quando é instruída, ela até se deita de forma delicada.

O veterinário Juliano Nasraui a acompanha de perto e presta atenção para que não falte ração à mini-vaca – resultado do cruzamento de dois animais de pequeno porte.

Já na tigela de Dragão, cão de Abner (Marcos Pasquim), nunca faltam frutas e salsicha. É assim que ele se mantém hiperativo, principalmente com Pasquim. “Depois do macaco Xico, de Caras & Bocas, eu fiquei craque em bichos”, diz Pasquim.

Enquanto isso, na dieta da popstar canina Madonna – da personagem Alice (Marina Ruy Barbosa) – queijo branco e peito de peru nunca ficam de fora do cardápio da cadela cor de rosa. Para manter o tom pink, toda a semana a produção retoca a cor da poodle.

Quem sabe com esse time, Carrasco consiga melhorar a audiência da trama das sete, que está com média de 28 pontos – sua antecessora, Ti-ti-ti, tinha média de 35 pontos. Segundo Maria Thereza Fragga Rocco, do Núcleo de Televisão da USP, os animais são atrativos nas novelas, porque reforçam o que é chamado de fidelidade animal.

“Muita gente prefere, hoje, a companhia deles. Logo, é um acerto tê-los nas tramas”, diz. Carrasco concorda. “Eles enriquecem o que eu escrevo”.

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