O sotaque brasileiro de Stacey Kent
- 3 de maio de 2011 |
- 18h45 |
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ADRIANA DEL RÉ
De volta ao Brasil, é como se a cantora americana Stacey Kent retornasse ao lar. Ela, na realidade, nunca viveu por aqui, mas as coisas relacionadas ao nosso País lhe são muito caras. E familiares. Desde a música, passando pela literatura, até o idioma português. Por isso, Stacey explica com desenvoltura, na nossa língua, o conceito de seu novo trabalho, ‘The Lyric’, feito em parceria com o marido, o saxofonista inglês Jim Tomlinson.
Junto, o casal se apresenta amanhã, dia 4, na Sala São Paulo, dentro do projeto Tucca Música pela Cura, realizado pela Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer). Toda a renda obtida com a venda dos ingressos será destinada à entidade. No palco, os dois estarão acompanhados pelo Trio Corrente, um dos expoentes do jazz brasileiro, para executar um repertório de standards americanos e música brasileira. “Conheço o trio somente dos discos. Nunca tocamos juntos, mas adoro eles. Vai ser uma noite maravilhosa”, disse a simpática Stacey ao JT, por telefone, já acomodada num hotel em São Paulo.
Muito ligada à literatura, à poesia, aos idiomas e tudo mais que se refira ao campo das letras, a cantora explica o sentido do título ‘The Lyric’ (em português, letra de música), que norteia todo o repertório do disco. E a importância dele até mesmo nas faixas instrumentais, como as brasucas ‘Manhã de Carnaval’, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, e ‘Outra Vez’, de Tom Jobim. “Queríamos fazer um álbum que jogasse com as palavras, as histórias. Isso tem a ver com todos os nossos discos”, contou. “Na nossa vida pessoal, fora da música, jogamos com as palavras. São significativas para nós”.
Essa linha de trabalho ganhará continuidade num próximo álbum. Quem sabe este já trará composições e parcerias com o poeta português António Ladeira. Não por acaso, ele é o professor de português de Stacey e Jim nos cursos intensivos de sete semanas que eles fazem numa universidade em Vermont, estado americano ao norte de Nova York, já há dois verões. “Quando estamos lá, fazemos um juramento que não falaremos uma palavra em inglês. Quem falar tem de sair”.
Tanta, digamos, rigidez no método, ao menos, garante bons resultados. Além de pronúncia e gramática afiadíssimas, Stacey garante ter, hoje, maior compreensão do idioma. Acrescido a isso, sua facilidade no aprendizado de idiomas em geral. Ela fala também francês – ensinado pelo avô russo, que viveu quase 20 anos na França, antes de se mudar para os EUA –, além de italiano e alemão.
Mas não é em ‘The Lyric’ que Stacey aparece cantando uma música em português. Esse momento deve ser testemunhado na Sala São Paulo. “O público brasileiro adora cantar com os artistas. Adora fazer parte da música”, constatou, entusiasmada. “Não é algo que acontece em toda parte do mundo. E como eu gosto disso”.
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