O florescer de Tulipa Ruiz
- 16 de julho de 2012 |
- 21h22 |
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PEDRO ANTUNES
Os poucos minutos em frente ao computador pareciam uma eternidade para Tulipa Ruiz. Na tela, o e-mail permanecia em branco. “Lulu no meu novo disco?”, escreveu por fim. Juntou forças para apertar ‘Enviar’ e foi arrebatada com a resposta: “Boa pergunta!”. Lulu Santos, mestre do pop brasileiro, topava participar de Dois Cafés. A canção fofa integra Tudo Tanto, segundo disco da cantora de 33 anos santista de berço, mineira de São Lourenço de criação, cujo lançamento será dia 30.
Lulu, o rapper Criolo, o produtor Kassin e tantos outros compõem um time estrelado que acompanha a cantora nesta nova etapa. Dois anos se passaram desde a estreia elogiada de Efêmera, seu primeiro álbum, mas Só Sei Dançar Com Você segue embalando romances, inclusive na TV – é trilha da novela das 7 da Globo Cheias de Charme. Com o trabalho, Tulipa ganhou o Prêmio Multishow de melhor Música Brasileira em 2011, como melhor cantora.
Tudo Tanto, novamente produzido pelo irmão da cantora, Gustavo Ruiz, é fruto de uma nova realidade. Tulipa desfruta de autoconfiança em suas experimentações.
O novo trabalho soa como um passo à frente, um amadurecimento natural. E bate de frente com toda a expectativa criada sobre ela. “Gravar esse álbum foi mais divertido”, diz ela. “A primeira vez num estúdio é assustadora. É como dar um zoom, em que é possível ver todos os seus poros. Desta vez eu estava mais preparada”, explica. Por ser também desenhista, a cabeça de Tulipa trabalha de forma imagética.
A cantora atendeu ao JT depois de oito dias de férias, os primeiros dela desde 2009, quando começaram os shows que culminariam no Efêmera. Depois, partiu pelo mundo em uma turnê intensa, com datas pela Europa (França, Dinamarca, Portugal, Bélgica e Inglaterra), emendada, então, nas gravações do novo disco.
E Tudo Tanto reflete também, em sua unidade, a passagem de um ano intenso. “É a sintonia com a banda, o fato de tocarmos tanto tempo juntos, criando novas coisas. Tudo acaba como consequência de Efêmera”, diz.
A música Cada Voz, uma das duas assinadas apenas pela cantora, exemplifica o caráter mutante das canções para Tulipa. “Ela é muito antiga, de antes do Efêmera. Era uma música de show e mudou muito desde o momento em que resolvemos fotografá-la”, diz, e logo se explica: “Gravar uma música é como fotografar um momento, entende?”.
A banda São Paulo Underground e Gustavo Ruiz, que assina nove das 11 canções com a irmã, tornam esse novo retrato mais rítmico. O disco foi selecionado pelo edital da Natura Musical do ano passado, e sua turnê começa em 30 de agosto, um mês após o lançamento. Tulipa e sua trupe chegam a São Paulo nos dias 7 e 8 de setembro. Para ter um gostinho do que vem por aí, dá para baixar de graça Dois Cafés e É, no site www.naturamusical.com.br.
O disco de Tulipa, se pudesse ter uma imagem que o representasse, seria a de uma flor colorida, no instante de seu desabrochar.
CRÍTICA:
Disco cheio de experiências mostra ousadia da cantora
Ao ganhar crítica e público com Efêmera, de 2010, o caminho mais fácil para Tulipa Ruiz seria seguir os passos do trabalho anterior, com a mesma fórmula, seguir na mesma zona de conforto. Tudo Tanto, contudo, vai na direção oposta. Novamente sob a produção do irmão Gustavo Ruiz, Tulipa é corajosa e segue por caminhos escuros e densos, longe do antecessor, cujos arranjos e letras eram mais solares.
Víbora, penúltima faixa do álbum, é o contraste de tudo o que já se ouviu da cantora. Sua voz, aguda, sofrida, rasgada, voa livre, numa música escura e venenosa, assinada por Gustavo Ruiz, Luiz Chagas (guitarrista pai de Tulipa e Gustavo), Caio Lopes e Criolo. O rapper, além de ter ajudado na segunda parte da letra, gravou risadas e sussurros. O desespero de cair em queda livre toma a forma de uma canção.
A Tulipa solar, mais pop, ainda está presente no disco. Dois Cafés, por exemplo, é o oposto de Víbora. Ali encontra-se a cantora mansa, de voz gostosa de ouvir, numa letra cotidiana. E Lulu Santos só ajuda a dar a ela um clima de carpe diem.
Kassin, na guitarra, lidera um chamado “núcleo carioca” de Tudo Tanto, formado por Stephane San Juan (bateria e percussão), Alberto Continentino (baixo) e Donatinho (piano rhodes e sintetizadores). A presença deles se faz notar em Desinibida, Script e a excelente Expectativa, canção que, pela semelhança de sonoridade, poderia estar em Efêmera.
Tulipa brinca e se alterna entre o solar e o soturno com uma facilidade surpreendente. Mais à vontade em estar ao microfone, ela sobe e desce as escalas cantando com graciosidade. Tudo Tanto é mais viajante e difícil que Efêmera e, por isso, mais saboroso. Na contramão de si mesma, Tulipa canta e encanta, mostrando-se versátil. P.A.
LANÇAMENTO
‘Tudo Tanto’
Natura Musical
Preço: R$ 25


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