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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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No escurinho da sala de aula

Categoria: Arte, Cinema, Comportamento

Adriana Del Ré

A estudante Camila de Lima Albuquerque Maranhão, 16 anos, é apaixonada por cinema. No ano passado, passou por uma espécie de orientação vocacional, já tendo em mente a carreira na Sétima Arte. Mesmo tão encantada com a arte que domina as telonas, ela não sabia ao certo como funcionava a produção de um filme. Começou a procurar cursos, mas nenhum se adequava ao seu perfil. Apelou, então, para a Escola Móbile, onde estuda e, hoje, cursa o 2º ano do ensino médio. “Falei com o nosso coordenador e ele disse que, se eu conseguisse juntar dez alunos, haveria um curso de cinema. Apareceram 13 interessados”, diz a garota, acompanhada pela amiga Marina Wolosker, 16.

Com colegas de classe, as duas produziram um curta-metragem de suspense, ‘A Última Peça’, para o curso Introdução ao Cinema, oferecido para o ensino médio. O tema partiu da própria Camila, após assistir à ‘Sociedade dos Poetas Mortos’. Na aula, ministrada pelo professor de cinema Rafael Lohn, eles entram em contato com a linguagem cinematográfica no geral, incluindo direção, roteiro e fotografia. “Agora, estou pensando mais seriamente no cinema como profissão”, diz Camila.

Cinema na escola? Sim. A entrada da Sétima Arte nas salas de aula está se tornando uma prática comum. Ainda mais com a inclusão das artes na prática escolar, instituída como área ou disciplina do currículo do Ensino Fundamental pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e reforçada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais.

E, muitas vezes, abordada de forma aprofundada, como ocorre na Escola Móbile. “Pensamos no cinema em três frentes. Uma delas é dentro da sala de aula, ligada aos conteúdos que estão sendo ensinados. Outra é o Cinema na Móbile, realizado a cada bimestre, com ciclo temático. A sessão ocorre no auditório e, ao final, há debate com Lohn”, diz Wilton Ormundo, coordenador da agenda cultural da escola. “A terceira frente é a aula de Introdução ao Cinema, para que os alunos se apropriem dessa linguagem”.

Segundo Pablo Quijada, professor responsável pelo Cine Clube Leon Hirszman e pelo projeto Cinema: Estudo de Caso no Colégio Magister, o olhar dos alunos tem se tornado mais crítico. “Eles se apaixonam pela arte e fazem questionamentos sobre a vida”, afirma. Fundado há 3 anos, o cineclube teve um desdobramento este ano, com a criação de um projeto para o ensino médio. “No Cinema: Estudo de Caso, não temos pretensão de dar aula de cinema”, destaca. “Nos primeiros encontros, falamos sobre cinema. Depois, exercitamos esse olhar em aulas voltadas aos filmes escolhidos. É uma proposta multidisciplinar”, explica.

O aluno Gustavo Lopes Ferreira, 16 anos, que está no 2º ano do ensino médio do Magister, é entusiasta das duas iniciativas cinematográficas. Gosta de frequentar as sessões do cineclube, assim como acredita que o projeto em classe ajuda os alunos a ser criteriosos e diferenciar clássicos de filmes pouco relevantes. “São exibidos títulos que nos auxiliam a entender melhor a sociedade brasileira e mundial. Aprendemos a gostar de filmes de forma divertida e didática”, diz Gustavo.

Inspirada pelas ideias de Alain Rivals, membro da Comissão Nacional Escola e Cinema do Ministério da Cultura na França, a Escola Carlitos também propõe trabalhar o cinema com atuação multidisciplinar, da educação infantil ao ensino fundamental. Uma lista de filmes é selecionada e exibida durante o ano, de acordo com a faixa etária dos estudantes. Cada um deles tem um Caderno de Cinema, homenagem ao Cahiers du Cinema, no qual registra suas experiências como espectador. “Eles apreciam a obra cinematográfica dentro do contexto, com o silêncio, o escuro, as pessoas sentadas”, diz Laura Piteri, diretora pedagógica do colégio, que conseguiu firmar uma parceria com o Espaço Unibanco. “Queremos educar o olhar deles para a crítica”.

A Escola Viva e o Colégio Equipe trilham o mesmo caminho. No Viva, as turmas de 8º e 9º ano do fundamental podem optar pelo curso de Foto & Vídeo, coordenado por Fernando Roque. A proposta é estudar essas linguagens a partir dos elementos que as formam. No Equipe, além do cineclube, foi incluído na grade História e Cinema para o 3º ano do ensino médio, no qual o cinema está a serviço da antropologia, sociologia e história. A relação de filmes abarca das produções nacionais a clássicos do cinema mundial, como o alemão ‘O Triunfo da Vontade’, de Leni Riefenstahl. “É possível se ter uma visão das ciências humanas pelos filmes”, diz o professor Raymundo Campos.

Assista aos curtas-metragens produzidos por alunos do ensino médio da Escola Móbile:

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