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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Mutantes à beira da Terceira Guerra Mundial

Categoria: Cinema

PEDRO ANTUNES

O planeta está na iminência de uma terceira guerra mundial. Estados Unidos e União Soviética se confrontam indiretamente ao redor do mundo. A população teme uma devastação nuclear. Os soviéticos planejam instalar mísseis nucleares em território cubano. Uma resposta ao mesmo movimento feito pelos americanos, ao colocar as suas armas na Turquia.

E se tudo isso fosse causado por um mutante? Os atrativos de X-Men: Primeira Classe, típicos de bons filmes de super-heróis – como efeitos visuais, figurinos e enredo de qualidade –, somados às referências históricas tornam o longa de Matthew Vaughn (Kick-Ass – Quebrando Tudo, 2010, e Stardust – O Mistério da Estrela, 2007) muito mais saboroso.

O filme se passa, basicamente, no início dos anos 60. Mas esqueça os protagonistas da trilogia inicial – dos filmes de 2000, 2003 e 2006. E, meninas, esqueçam também Wolverine, vivido pelo galã Hugh Jackman, que ganhou seu próprio longa, há dois anos.

Ele faz uma participação curta, mas memorável, bebendo uísque num boteco qualquer e despejando palavrões para os novos protagonistas. Mas só. Senhores de idade nos primeiros filmes em que mutantes se dividem entre heróis e vilões, Professor Xavier e Magneto eram representantes de diretrizes diferentes.

O primeiro defendia a ideia de que humanos e mutantes poderiam conviver em harmonia. Já o segundo promovia a guerra entre as raças e a extinção dos humanos normais, ou seja, sem poderes. Inimigos ideológicos, mas amigos de longa data.

X-Men: Primeira Classe mostra que, quando eles se conheceram, a amizade que foi crescendo, mas acabou destruída por um parasitário sentimento de vingança. No novo filme, eles ainda são Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (Michael Fassbender). Nada de apelidos.

Só dois jovens que ainda tentam entender por que um possui uma incrível telecinesia (poder de mover objetos à distância) e o outro, o poder de manipular qualquer metal. Não existe problema no roteiro que obrigue as pessoas a terem assistido aos filmes anteriores. Até porque, cronologicamente, o atual acontece 40 anos antes da trilogia.

O que Vaughn faz é pegar a cena inicial do primeiro filme, na qual o pequeno Erik é separado dos seus pais num campo de concentração nazista, durante a 2ª Guerra Mundial, e dá mostras do seu poder ao entortar um portão de metal, e criar o filme a partir daí.

Acontece que o garoto que no futuro seria Magneto foi identificado por um general nazista como mutante e, num teste, por não conseguir mover uma moeda com seus poderes, ele testemunha a porta da própria mãe. Ele descobre o poder através da ira. Do outro lado da moeda, o pequeno Charles vive numa confortável mansão, com todas as regalias.

O tal general nazista, porém, também era um mutante, com a capacidade de absorver energia e lançá-la. Neste processo, ele rejuvenesce. A história dá um salto até os anos 60.

O nazista se torna um criminoso internacional, interpretado por Kevin Bacon, cujo desejo é fazer com que os humanos entrem numa guerra nuclear para que os mutantes prevaleçam.

Xavier e Eric se unem para tentar conter a ameaça, mesmo que por motivos díspares: um quer a paz, o outro, matar o assassino de sua mãe. É a origem dos X-Men, mutantes reunidos para proteger os humanos e se proteger deles.

Mas, diante de tanto bom-mocismo piegas, é Erik, ou Magneto, quem se destaca. Frio, sádico, irônico, ele se sobressai entre os personagens do longa. E a trégua entre ele e Charles é tão superficial quanto a dos EUA e URSS.

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