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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
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Memorial traz à tona influência da cultura italiana

Categoria: Arte, Exposição

IGOR GIANNASI

Depois de atrair mais de 200 mil visitantes à exposição Guerra e Paz, na qual foram exibidos ao público os painéis do artista brasileiro Candido Portinari que ficam na sede da ONU, em Nova York, o Memorial da América Latina se volta à influência da cultura italiana na produção artística nacional na mostra Passato Immediato – Presença Italiana na Arte Brasileira.

Agora, o público pode conferir 125 obras, de linguagens diversas, de pouco mais de 100 artistas que de alguma forma são ítalo-brasileiros. A exposição fica até 19 de agosto na Galeria Marta Traba, que faz parte do complexo cultural da Barra Funda projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Esta mostra acontece ao mesmo tempo em que se realiza o Momento Itália-Brasil, evento organizado pelo governo italiano que tem trazido obras de artistas de lá para locais como a Pinacoteca e o Masp. E isso despertou no curador de Passato Immediato, o crítico e professor João Spinelli, a vontade de organizar esta exposição com um viés bem particular.

“Eu observei que a maioria das exposições do ano Itália-Brasil só focalizavam os artistas italianos com destaque mundial, como o (Alberto) Giacometti, o (Amedeo) Modigliani e o Caravaggio, que está chegando”, diz o curador. “Achei que, para nós, a presença italiana não se limita a esses grandes nomes, mas aos artistas italianos que escolheram o Brasil para viver, que desenvolveram suas carreiras e contribuíram para a arte brasileira, participando de grandes momentos da nossa afirmação cultural”, explica.

Pesquisador há 40 anos, Spinelli conta que nos seus estudos encontrou a presença italiana nas artes e na arquitetura do País desde o século 16. Para agrupar os artistas selecionados na galeria, ele criou blocos. Em um deles ficam os que nasceram na Itália, mas vieram morar e fizeram carreira por aqui, como Alfredo Volpi, Victor Brecheret e Eliseu Visconti.

Outro segmento é dedicado aos filhos de italianos. Aí aparecem artistas como Aldo Bonadei e Hércules Barsotti. Há ainda um bloco destinado aos netos, bisnetos e até um tataraneto – Thiago Honório –, cujos parentescos foram vasculhados minuciosamente pelo curador. “Essa pesquisa foi a que mais deu trabalho”, conta ele.

A artista Regina Silveira, segundo Spinelli, ficou contente com a lembrança de sua origem italiana, por conta da avó. Ela fez uma obra especialmente para a mostra: uma ‘site specific’, tipo de obra criada de acordo com o ambiente, de 20 metros que começa na área interna da galeria e encobre parte da fachada.

Um quarto bloco abriga brasileiros – nem só de origem italiana – que estudaram no país e compartilharam suas técnicas. Há ainda estrangeiros descendentes de italianos que se fixaram aqui, como o argentino Leon Ferrari e Alex Vallauri, nascido na Eritreia (África), precursor do grafite no Brasil.

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