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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Maria Gadú sob a benção de Caetano

Categoria: Celebridades, Show

ADRIANA DEL RÉ

No início de 2009, Maria Gadú, então com 22 anos, já caminhava a passos largos rumo ao título de revelação da música daquele ano. Impulsionada pela elogiada versão de Ne Me Quitte Pas para a minissérie Maysa, na Globo – e pelo burburinho entre seus pares com mais anos de janela na MPB –, a cantora e compositora paulistana engatou uma temporada de shows no extinto Cinemathèque, no Rio de Janeiro.

De tanto ouvir falar dela, Caetano Veloso resolveu conferir, de corpo presente, se a nova artista era tudo aquilo mesmo, o que aconteceu justamente na noite em que Gadú ainda se recuperava de uma forte sinusite. Além da insegurança com a voz, sob resquícios da doença, ela ouviu, nos bastidores: “O Caetano Veloso tá aí”.

O desconcerto inicial foi prontamente suplantado pela concentração física. Esta, sim, a faria cantar – e não faria Caetano querer deixar a plateia logo na primeira audição. Ela entrou no palco. Depois disso, não tem memória do que aconteceu, nem do que sentiu durante o show.

“Você foi ótima”, garantiu-lhe o baiano Caetano, 68 anos, anteontem, no Rio, enquanto os dois falavam sobre o projeto feito em parceria, Multishow Ao Vivo – Caetano e Maria Gadú (Universal Music). O primeiro desdobramento dessa história vai ao ar no dia 22, às 23h, no canal por assinatura Multishow. O segundo será o lançamento, no dia 23, de CD e DVD. E o terceiro, uma nova turnê.

É que esse projeto Ao Vivo nasceu do registro de uma outra turnê que eles realizaram no ano passado. Esse tour pelo País, por sua vez, foi desencadeado por um primeiro encontro no palco entre Caetano e Gadú, a convite da organização de um evento da Globosat.

O cantor baiano participou daquela reunião informal, já trazendo consigo a boa impressão que teve da apresentação dela no Cinemathèque. “Tivemos uma reunião para fazer o repertório do primeiro show e, depois, uns dois encontros para montar o repertório do show grande”, contou Caetano.

“Toquei as canções que já sei no violão. Também obedeci a pedidos da Gadú, como O Quereres, que ela queria”. A cantora confirmou o que o parceiro disse: “É a minha música preferida entre todas”.

Outros critérios também pesaram – sobretudo para Caetano, visivelmente o integrante da dupla que deu o norte das coisas. Ele, por exemplo, começou a cantar nos shows fragmentos de Shimbalaiê, sucesso da cantora. “Notei que ela não cantava essa música. Aí fui cantando mais trechos e ela sempre chorava”, disse ele, para, em seguida, Gadú sair em sua própria defesa.

“Nossa! É demais! Imagina. Fiz uma música chamada Shimbalaiê quando tinha 10 anos. Aí, vem o Caetano cantar!”.
Dentro da lógica ‘caetaniana’, existe um diálogo, dentro do repertório, entre o hit de Gadú e Alegria, Alegria, composta por ele na década de 60.

Primeiro porque, nas palavras do próprio músico, Shimbalaiê e Alegria, Alegria têm apelo para os outros, mas são relativamente insatisfatórias para cada um deles, seus respectivos autores. Rege, ainda, o fator coincidência: ele compôs Alegria, Alegria aos 24 anos, a mesma idade que Maria Gadú tem hoje. “São as canções emblemáticas de cada um de nós”, atestou Caetano.

Escapadas

Em Multishow Ao Vivo – Caetano e Maria Gadú, as escapadas do músico de seu repertório autoral estão vinculadas à sua partner de projeto. Foram, na realidade, três momentos: suas interpretações da já citada Shimbalaiê, além de Sozinho, de Peninha, e de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa.

“De todas as canções que eu já gravei, minha ou de quem quer que seja, a do Peninha foi a que mais sucesso popular teve. Era inevitável (incluí-la) quando eu estava me apresentando com uma garota que é fenômeno de popularidade espontânea”, explicou ele. Já a canção de Adoniran, na versão mais lenta de Gadú, caiu em suas graças. “É muito bonito o tratamento que ela deu ao Trem das Onze. É a que eu mais gosto de cantar no show”.

Apesar de estarem envolvidos nesse projeto – e com o compromisso da nova turnê –, Caetano e Gadú pensam nos próprios trabalhos. Ele, no disco de Gal Costa que está produzindo. Ela, num segundo CD solo. “Vou viajar para dar espaço a uma possível criatividade. Se ela chegar, legal. Se não chegar, Shimbalaiê…”, disse Maria Gadú, pouco preocupada com pressões.

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