Maíra Freitas: uma pianista entre o samba e o erudito
- 19 de abril de 2011 |
- 15h46 |
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Categoria: Música
ADRIANA DEL RÉ
Estariam os membros de uma família de sambistas predestinados ao samba? A trajetória da pianista carioca Maíra Freitas, 25 anos, mostra que não obrigatoriamente. Mas, se um dia, nasce a vontade de flertar com o ritmo, sem pressões externas, tudo bem também. Filha de Martinho da Vila, ela não escapou da música, mas trilhou um caminho diferente ao dos irmãos. Aos 7 anos, começou a aprender a tocar piano. Maíra não se lembra o que a levou a escolher justamente o piano, apenas que pedia para sua mãe que queria fazer aula do instrumento. Entrou em conservatório e, mais tarde, cursou faculdade de piano.
Mas ao mesmo tempo que a música clássica lhe tomava boa parte do dia, o samba estava ali, sempre à espreita. “Ouço samba desde pequena. Ia aos shows do meu pai. Para mim, sempre foi tranquilo transitar nos dois universos”, diz. Em casa, escutava, ainda, muita MPB: Djavan, Chico Buarque, Paulinho da Viola, só para citar alguns nomes. Dessa convivência musical, nasceu seu disco de estreia, ‘Maíra Freitas’, recém-lançado pela Biscoito Fino.
Neste trabalho, ela queria que o repertório soasse como uma extensão desse ecletismo.
Sempre ao piano, executa alguns clássicos que são de seu gosto, como ‘O Show Tem Que Continuar’, ‘Maracatu Nação do Amor’ e ‘Disritmia’ – esta última, de autoria de seu pai e com participação dele. “Atua como vocalista comigo, Mart’nália e poucos outros. Com sua simpatia e humildade, sempre sorridente, com seus dentes que parecem as teclas brancas de um piano”, escreveu Martinho sobre a filha, no texto de divulgação desse disco para a imprensa.
É que, além de tocar piano, Maíra estuda outro instrumento: a voz. “O canto veio há pouco tempo. Sempre cantei, mas em casa, festas, rodas de samba. E sempre fez parte do estudo do piano”, conta a filha de Martinho. “No ano passado, fiz canto coral na faculdade. Meu pai me ouviu cantando e me chamou para participar do último disco dele”. No caso, a música ‘Último Desejo’, do CD ‘Poeta da Cidade – Martinho Canta Noel Rosa’, de 2010.
Essa participação, em especial, chamou a atenção de Olivia Hime, diretora artística da gravadora, que propôs à pianista um disco só dela. Sua irmã, Mart’nália, foi recrutada para assinar a produção. As coisas ficaram meio que em família. “Sou grudada na Mart’nália. Sabe irmã mais nova que admira a mais velha? Ela cuida de mim desde que eu era pequena”.
Compositora
Além de pianista e cantora, Maíra quis se expor como compositora. E entre músicas de Paulinho da Viola (‘Só o Tempo’), Joyce (‘Monsieur Binot’), Gonzaguinha (‘Recado’) e Chico Buarque (‘Mambembe’), incluiu suas ‘Corselet’, ‘Alô? e a instrumental ‘Se Joga’. O trabalho de composição acompanhou, paralelamente, seu desenvolvimento como intérprete. Foi quando se sentiu livre para cantar, criar, fazer arranjos. E a composição veio junto.
Maíra sempre foi rígida com os estudos. Mais nova, chegava a estudar algo em torno de oito horas por dia. Agora, destina cerca de três horas diárias ao seu piano. Está concentrada no repertório de seu show, com o qual deve sair em turnê a partir de maio.
Veja Maíra Freitas com o pai Martinho da Vila no Rock in Rio Lisboa, em 2010:
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